
Vítima de feminicídio já havia sido atendida pela Patrulha Maria da Penha mas não quis denunciar agressor
Segundo informações da inspetora Josane de Fátima da Silva, da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, a vítima já havia sido atendida anteriormente pelos agentes...
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Por Fábio Wronski
Na noite de quarta-feira (18), Cascavel registrou mais um caso de feminicídio, ocorrido na Rua Refúgio, no Bairro Riviera. Mayara Araújo Krupiniski Rodrigues, de 30 anos, foi assassinada a facadas pelo companheiro, que fugiu após o crime e, até o momento, não foi localizado pelas autoridades.
Segundo informações da inspetora Josane de Fátima da Silva, da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, a vítima já havia sido atendida anteriormente pelos agentes em razão de denúncias de agressão. Na ocasião, Mayara não apresentava lesões aparentes e recusou o atendimento, bem como a oferta de medidas protetivas. A vítima alegou que dependia financeiramente do autor do crime, que já possuía antecedentes criminais, e temia que a denúncia resultasse em sua prisão, deixando-a sem rede de apoio.
“Infelizmente estamos entrando no segundo feminicídio este ano, ainda em fevereiro. Essa vítima foi primeiramente atendida pela Polícia Militar, que chegou ao local, e, minutos depois, a Guarda Municipal foi acionada via 153 com relato de que uma mulher possivelmente já havia sido morta pelo cônjuge. Ao chegarmos, a vítima já estava em óbito”, relatou a inspetora Josane.
A inspetora destacou ainda que, embora o relacionamento entre vítima e agressor fosse recente — cerca de seis meses de convivência —, já havia histórico de agressões anteriores. Mesmo assim, Mayara optou por não registrar boletim de ocorrência ou solicitar proteção. “Ela relatou que não poderia registrar o BO pelo fato de ele já responder a outros crimes e, se preso, ela não teria como sustentar a casa. Também afirmou que não queria que o filho crescesse sem uma figura paterna. Agora, infelizmente, a criança ficou sem a figura materna e paterna”, lamentou Josane.
A Guarda Municipal informou que, em casos de violência doméstica, muitas denúncias partem de vizinhos, amigos ou familiares, já que as vítimas, frequentemente, não solicitam ajuda. “Solicitamos que mulheres em situação de violência denunciem desde o primeiro caso de agressão. A tendência é apenas piorar”, alertou a inspetora.
Em nove anos de atuação, a Patrulha Maria da Penha acompanhou mais de 15 mil mulheres em Cascavel. Segundo Josane, apenas um caso resultou em morte durante o acompanhamento, quando a vítima, mesmo com medida protetiva, voltou a residir com o agressor.
Os dados da Guarda Municipal revelam um cenário preocupante: em janeiro, foram registradas 114 ocorrências de violência doméstica no município. Durante o último feriado prolongado, 37 casos foram atendidos, sendo 15 apenas na terça-feira. “A permanência prolongada do autor na residência, o uso de álcool e entorpecentes e conflitos familiares contribuem para o aumento dos casos. Em 95% das ocorrências, houve violência física extrema”, afirmou a inspetora.
A Guarda Municipal reforça a importância da denúncia e do uso das medidas protetivas para prevenir tragédias como a que vitimou Mayara Krupiniski Rodrigues.
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