
Carnaval: coletivos no DF encontram na folia caminho para autocuidado
Com olhos emocionados e, ao mesmo tempo, com sorriso no rosto, a professora carioca Carmen Araújo, de 59 anos, deixou o samba tomar conta de seus......
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Por CGN

Com olhos emocionados e, ao mesmo tempo, com sorriso no rosto, a professora carioca Carmen Araújo, de 59 anos, deixou o samba tomar conta de seus pés neste domingo (8), em uma folia pré-carnavalesca em Brasília.
Ela, que cuida do pai há 15 anos com a doença de Alzheimer, sabe que é sempre tempo de cuidar de si mesma.
Durante o tempo de folia, o coletivo ganha as vestes de bloco carnavalesco.
“Se a gente não se cuidar, adoecemos também”, explica.
O amor pelo carnaval foi herdado do pai, que tem hoje 89 anos.
“Ele sempre gostou muito. Até recentemente ele ainda participava. Hoje não é mais possível”.
Ela se emociona ao se lembrar do pai, sempre tão animado e organizado. Carmen entende que participar do coletivo fez com que ela pudesse colaborar com outras famílias e histórias semelhantes.
Rede de apoio
Uma das fundadoras e diretoras do Filhas da Mãe, a psicanalista Cosette Castro explica que a ideia do coletivo surgiu a partir das dores e soluções entre os cuidados com a mãe, que faleceu há cinco anos.
“Eu sou filha única e cuidei 10 anos da minha mãe, que teve Alzheimer. As pessoas falam muito de remédio, de como cuidar. Mas ninguém olha para nós que estávamos cuidando e com sobrecarga”, considera.
Brasília, DF 08/02/2026 Cosette Castro é uma das fundadoras do grupo Filhas da Mãe. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Cosette afirma que é necessário recuperar a criança que existe dentro de cada pessoa.
“Às vezes, a gente imagina que não tem mais direito ao riso e se sente culpada por se sentir feliz porque os dias são de muita responsabilidade por 24 horas ao dia”.
Ela cita que problemas como lesões na coluna, fibromialgia, hipertensão, problemas cardíacos e transtornos mentais são comuns nesse público. “São pessoas que não dormem, têm insônia e um nível de ansiedade altíssimo”.
Por isso, o coletivo utiliza eventos, como caminhadas e exposições, para prestar informações ao público. Inclusive no carnaval.
Só não apareceu na folia com receio da gripe. Chovia em Brasília neste domingo.
“A gente precisa se cuidar e o carnaval está dentro da gente”, afirma.
Contra preconceitos
Ao lado da festa do Filhas da Mãe, outro coletivo local, Me chame pelo nome, desfilava alegria em nome da causa anti capacitista com uma fanfarra formada por pessoas com deficiência.
Segundo a servidora pública Aline Zeymer, uma das coordenadoras do grupo, esse será o segundo carnaval do grupo com o intuito de combater o preconceito, além de promover resistência e cuidado pelo caminho da arte.
Fonte: Agência Brasil
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