Deputado processa jornalista após matéria sobre a Operação Pecúlio

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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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Após ter acionado judicialmente uma moradora de Santa Terezinha do Itaipu, por manifestações feitas em rede social, o deputado estadual Matheus Veloso Maria move também uma ação contra um jornalista de Foz do Iguaçu.

O parlamentar ingressou, no dia 28 de novembro de 2025, com uma queixa-crime apresentada à Justiça Criminal após a publicação de uma matéria que abordava a Operação Pecúlio e afirmava que o parlamentar teria sido indiciado na investigação.

Segundo o deputado, a informação não é verdadeira e não encontra respaldo nos documentos oficiais juntados ao processo.

Na petição apresentada à Justiça, o deputado estadual Matheus Veloso Maria se descreve como uma pessoa de reputação ilibada junto à população de Foz do Iguaçu e região. Ao final do pedido, porém, o parlamentar requer que o processo tramite em segredo de justiça, sob o argumento de preservar sua dignidade e imagem pessoal, mesmo se tratando de uma ação que envolve atuação política, interesse público e fatos já amplamente divulgados.

O que foi a Operação Pecúlio

A Operação Pecúlio foi uma investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal que apurou um esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvio de dinheiro público envolvendo contratos da Prefeitura de Foz do Iguaçu.

As apurações apontaram irregularidades principalmente na área de obras e serviços públicos, com suspeitas de favorecimento de empresas, contratos direcionados e pagamentos indevidos. A operação resultou em dezenas de denunciados, entre empresários, agentes públicos e políticos, e teve grande repercussão no Paraná e no país.

O que dizia a matéria questionada

A reportagem publicada em julho de 2025 citava a Operação Pecúlio e afirmava que Matheus Veloso Maria teria sido indiciado no caso, juntamente com seu pai, Nelsi Coguetto Maria.

Esse trecho é o principal ponto contestado na ação judicial.

Reprodução da imagem publicada pelo jornalista de Foz do Iguaçu, onde em sua legenda consta a informação questionada pelo Deputado Estadual Matheus Veloso Maria.

O que afirma o deputado

Na queixa-crime, Matheus Veloso Maria sustenta que nunca foi investigado, indiciado ou denunciado na Operação Pecúlio. Ele afirma que a publicação criou uma associação indevida entre seu mandato parlamentar e os fatos apurados pela Polícia Federal.

De acordo com a defesa, a informação divulgada ultrapassa o direito à crítica e à informação ao atribuir ao deputado uma condição que não consta nos autos oficiais.

Os documentos apresentados no processo confirmam que, embora o deputado não figure na investigação, dois familiares próximos aparecem como denunciados pelo Ministério Público Federal:

  • Tiago Veloso Maria, filho de Nelsi Coguetto Maria, apontado como representante da empresa Construtora Coguetto Maria;
  • Nelsi Coguetto Maria conhecido politicamente como Vermelho.

A denúncia não atribui ao deputado estadual qualquer participação direta nos fatos investigados.

Posição do Ministério Público

O Ministério Público do Paraná, através do Promotor de Justiça da comarca de Foz do Iguaçu, Luís Marcelo Mafra Bernardes da Silva, analisou a queixa-crime e entendeu que há elementos mínimos para o prosseguimento da ação, especialmente no ponto que trata da informação incorreta sobre suposto indiciamento do deputado estadual.

Agora, caberá ao Judiciário decidir sobre o recebimento da queixa-crime e o andamento do processo.

A CGN segue acompanhando o processo.

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