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Santander: com melhora do emprego e inflação, Índice de Miséria do Brasil cai a 10% em 2025

Em estudo especial divulgado nesta segunda-feira, 2, os economistas Rodolfo Pavan, Henrique Danyi e Ítalo Franca estimam que o índice, que soma a taxa de inflação...

Publicado em

Por Agência Estado

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Calculado com base na metodologia popularizada pelo economista norte-americano Arthur Okun, o Índice de Miséria do Brasil caiu acentuadamente nos últimos quatro anos, de acordo com o Departamento Econômico do Santander Brasil, refletindo o recuo da taxa de desemprego e a descompressão da inflação observada desde 2022. E, para o banco, a tendência de declínio deve continuar, com o indicador atingindo recorde de baixa no segundo trimestre de 2026.

Em estudo especial divulgado nesta segunda-feira, 2, os economistas Rodolfo Pavan, Henrique Danyi e Ítalo Franca estimam que o índice, que soma a taxa de inflação e a de desocupação, atingiu 10% em dezembro de 2025.

Ao final de 2024, estava em cerca de 12% e, em 2023, se aproximava de 13%.

O pico da série do Santander, que começa em dezembro de 2013, foi alcançado em meio à pandemia de covid-19, no primeiro semestre de 2021, quando o dado superou 20%.

Segundo Pavan, Danyi e Franca, o Índice de Miséria oferece um resumo intuitivo das condições macroeconômicas que mais afetam diretamente as famílias: a disponibilidade de empregos e o poder de compra.

“Embora não seja uma medida abrangente de bem-estar, serve como uma ‘proxy’ útil para o ‘desconforto econômico’, particularmente ao comparar ciclos econômicos ao longo do tempo e entre regiões”, apontam eles.

De acordo com os economistas, atualmente, a maior parte das regiões metropolitanas brasileiras exibe leituras historicamente baixas, o que sugere melhora das condições para as famílias no período pós-pandêmico. “Embora as diferenças regionais persistam, a tendência geral de queda da miséria foi evidente nos últimos anos”, avaliam.

Regiões

Na análise por regiões metropolitanas, o Santander observa que, no Sudeste, Vitória mostrou o recuo mais forte o índice, de 11% em 2012 a nível inferior a 7% em 2025. Em são Paulo, a redução foi de 10,9% a 9,9%; em Belo Horizonte, a performance foi semelhante e o indicador alcançou 8,3% no fim do ano passado; já no Rio de Janeiro, houve elevação em igual comparativo, de 10,1% a 11,4%.

As outras regiões destacadas pelo banco no levantamento foram Norte e Nordeste, onde todos os municípios têm Índice de Miséria abaixo ou perto dos patamares de 2012. “Belém teve o melhor desempenho em todo o país, diminuindo de 15,6% para 11,2%”, notam os economistas.

Salvador também exibiu redução significativa, passando de 17,1% para 13,1%. Recife seguiu a mesma tendência, atingindo 12,4% nos dados mais recentes. “No entanto, todas as capitais dessas duas regiões permanecem acima da média nacional”, ponderam.

Tendência

Olhando à frente, os economistas do Santander avaliam que o índice agregado do país deve recuar para em torno de 9% no segundo trimestre deste ano, o que seria o nível mais baixo da série, antes de subir ligeiramente até o final de 2026, para aproximadamente 10%.

Na visão do banco, o Brasil iniciou o ano com condições macroeconômicas favoráveis e, se a inflação seguir contida e o mercado de trabalho continuar aquecido, a capacidade de consumo das famílias deve permanecer resiliente.

“No geral, o Índice de Miséria permanece uma lente parcimoniosa e transparente através da qual se pode avaliar o cenário macroeconômico que molda o comportamento das famílias entre as regiões”, destacam Pavan, Danyi e Franca.

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