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Uso excessivo de telas e redução das piscadas podem prejudicar a saúde dos olhos 

A Síndrome do Olho Seco afeta 18 milhões de pessoas no Brasil e envolve múltiplos fatores de risco...

Publicado em

Por Redação CGN

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Podemos nem perceber, mas os olhos piscam, em média, de 15 a 20 vezes por minuto, o que equivale a mais de 28 mil piscadas por dia, considerando as 16 horas em que estamos acordados. Esse movimento automático é fundamental para a lubrificação, limpeza e proteção da superfície ocular, além de proporcionar um breve descanso ao cérebro.

No entanto, com o uso cada vez mais intenso de telas, seja no trabalho ou no lazer, muitas pessoas passam a piscar com menos frequência. A redução desse reflexo natural pode provocar ardência, vermelhidão, sensação de areia nos olhos, embaçamento da visão e até sensibilidade à luz, comprometendo a nitidez visual.

Esse cenário favorece o desenvolvimento da Síndrome do Olho Seco, condição que afeta cerca de 18 milhões de brasileiros, de acordo com dados da Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APOS). No país, a prevalência da doença varia entre 13% e 24% da população, podendo chegar a 34%. A condição é mais comum em mulheres e tende a se intensificar em pessoas com mais de 50 anos, em razão do envelhecimento natural, que reduz a produção de lágrimas.

A lágrima é formada por três camadas: aquosa (intermediária, responsável por nutrir e hidratar), mucosa (interna, que permite a aderência da lágrima à córnea) e lipídica (externa, que ajuda a evitar a evaporação). A Síndrome do Olho Seco ocorre quando uma dessas camadas apresenta alterações, seja por deficiência ou mau funcionamento, como explica o oftalmologista do Hospital de Olhos de Cascavel, Dr. Guilherme Leite Camargo. “Na maioria dos casos, o problema não está na produção da lágrima, mas sim na evaporação excessiva, causada principalmente por alterações na camada oleosa, responsável por reduzir essa perda”.  

O médico destaca que outros fatores também podem influenciar: alimentação inadequada, ambientes com baixa umidade do ar, uso prolongado de dispositivos eletrônicos e estresse. “Em muitos casos, as glândulas de Meibômio, responsáveis pela produção da gordura da lágrima, estão obstruídas ou funcionam de forma inadequada. Temos cerca de 30 glândulas em cada pálpebra, mas, em algumas pessoas, apenas uma ou duas estão ativas. Sem a quantidade adequada de gordura, a lágrima evapora mais rapidamente, provocando os sintomas do olho seco”, esclarece o especialista. 

Atitudes que ajudam a reduzir os sintomas

  • Procure piscar com mais frequência durante o uso de computadores, celulares e outros dispositivos digitais;
  • Adote pausas regulares, seguindo a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhe para um ponto a cerca de 6 metros de distância por 20 segundos;
  • Utilize umidificadores de ar em ambientes com clima seco;
  • Evite a exposição direta dos olhos ao vento de ventiladores ou ao ar-condicionado;
  • Mantenha uma boa hidratação, ingerindo água ao longo do dia, e adote uma alimentação equilibrada.

Como tratar?

O tratamento pode incluir o uso de colírios e pomadas lubrificantes, produtos específicos para a higienização dos cílios e, em alguns casos, medicação via oral. Quando o problema está relacionado à deficiência na produção de lágrimas, situação mais comum em pacientes com doenças autoimunes, o acompanhamento deve ser ainda mais cuidadoso. “Quanto mais cedo o problema é identificado, mais rápido e eficaz é o tratamento. Quando o paciente demora a procurar ajuda, a recuperação tende a ser mais lenta”, orienta o oftalmologista do Hospital de Olhos, Dr. Guilherme Leite Camargo.

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