
Cuidado com o barbeiro: Paraná reforça alerta contra a doença de Chagas
O principal vetor da doença é o bicho-barbeiro (Triatoma infestans), cuja presença exige atenção constante, especialmente em ambientes residenciais. A enfermidade, que pode evoluir de forma...
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Por Fábio Wronski

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) intensificou as orientações à população do Paraná sobre os cuidados e o monitoramento da doença de Chagas, considerada um dos agravos de maior impacto global. Estima-se que cerca de 6 milhões de pessoas estejam infectadas no mundo, com uma incidência anual de 30 mil novos casos. Recentemente, a fase crônica da doença passou a integrar a lista de agravos de notificação obrigatória no Brasil, medida que aprimora a identificação e o acompanhamento dos pacientes.
O principal vetor da doença é o bicho-barbeiro (Triatoma infestans), cuja presença exige atenção constante, especialmente em ambientes residenciais. A enfermidade, que pode evoluir de forma silenciosa durante anos, afeta principalmente populações vulneráveis e é considerada endêmica em 21 países das Américas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com a Sesa, a atualização do protocolo nacional permitiu ao Paraná adotar uma vigilância mais assertiva, retirando pacientes da invisibilidade e garantindo acompanhamento adequado na rede pública de saúde. “A doença de Chagas exige um olhar atento e constante. O fato de termos mais notificações crônicas hoje nos permite oferecer um cuidado mais humanizado e técnico, monitorando a saúde e prevenindo complicações severas que a doença pode causar ao longo dos anos”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.
Panorama no Paraná
Dados preliminares da Sesa apontam que, entre 2020 e 2025, foram registradas 499 notificações de doença de Chagas crônica no Paraná. Apenas no último ano, foram confirmados 266 casos no Estado. O monitoramento revela que 78% dos pacientes têm mais de 69 anos, o que sugere infecções ocorridas há décadas. No entanto, foram confirmados 37 casos crônicos em pessoas com menos de 40 anos, evidenciando o diagnóstico tardio.
Em relação à fase aguda da doença, entre 2021 e 2025, ocorreram 241 notificações no Paraná. Atualmente, apenas um caso permanece sob investigação para o fechamento do ano de 2025.
No tocante à vigilância do vetor, a população encaminhou 114 insetos para análise laboratorial em 2025, dos quais 61 foram confirmados como triatomíneos (barbeiro). Destes, 18% estavam infectados com o parasito Trypanosoma cruzi e 77% foram capturados em ambientes domiciliares, o que reforça a necessidade de atenção dentro das residências.
A doença de Chagas possui tratamento, e o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e evita o agravamento do quadro clínico.
Transmissão e Cuidados
A principal forma de transmissão ocorre pelo contato das fezes do inseto infectado com o protozoário T. cruzi em mucosas, olhos ou no local da picada. O monitoramento desses insetos é fundamental, pois indica a proximidade do vetor com a população.
A Sesa recomenda que, ao encontrar um barbeiro, o morador não deve esmagá-lo. O correto é capturá-lo com as mãos protegidas por luvas ou sacola plástica e levá-lo vivo ao Posto de Informação de Triatomíneos (PIT) mais próximo, que pode ser uma Unidade Básica de Saúde ou a vigilância em saúde do município. A análise laboratorial é essencial para determinar se os moradores do imóvel precisam passar por exames e se há necessidade de intervenção química ou ambiental no local.
Sintomas e Fases da Doença
A doença de Chagas apresenta duas fases distintas. A fase aguda pode manifestar-se por febre prolongada, dor de cabeça e fraqueza, mas frequentemente é assintomática. Na fase crônica, o parasito pode causar danos irreversíveis ao coração e ao sistema digestivo, caso não haja acompanhamento médico adequado.
O tratamento medicamentoso é fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo protocolos do Ministério da Saúde e de sociedades médicas. O tratamento pode ser realizado tanto na fase aguda quanto na crônica, sendo preferencialmente iniciado precocemente. Na fase crônica, a indicação do tratamento é avaliada individualmente.
Condição Global e Esforços de Controle
A doença de Chagas integra o grupo das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), que afetam mais de um bilhão de pessoas em países tropicais e subtropicais. A OMS instituiu o dia 30 de janeiro para ampliar a visibilidade e mobilizar esforços globais no controle dessas enfermidades.
Segundo o Relatório Global sobre DTNs, publicado pela OMS em outubro de 2025, houve avanços relevantes no setor, embora persistam desafios. No caso da doença de Chagas e de outras doenças transmitidas por vetores, a redução das mortes ainda é considerada lenta, o que reforça o compromisso do Paraná em manter a vigilância ativa e o acesso gratuito ao tratamento pelo SUS.
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