
Briga por ciúmes termina em facada e condenação por violência doméstica em Cascavel
A vítima contou que o relacionamento durava cerca de 17 anos e enfrentava muitos problemas, especialmente ligados ao uso de álcool e à instabilidade do companheiro....
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Por Redação CGN

O que começou como mais um encontro de um casal acabou em sangue, sirenes e prisão. A Justiça de Cascavel condenou um homem a 2 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto por ferir a companheira com um golpe de canivete, durante uma discussão em frente a uma pizzaria da cidade.
A sentença, assinada pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, revela uma história marcada por anos de relacionamento conturbado, consumo de álcool, ciúmes e uma agressão que deixou marcas físicas e emocionais. O documento foi acessado nesta semana.
O que aconteceu naquela noite
Era por volta das 21h30 do dia 19 de março de 2025 (assista ao vídeo) quando o casal se encontrou em uma pizzaria na região da Rua Carlos Gomes. Segundo o processo, os dois já vinham discutindo e haviam ingerido bebida alcoólica.
Em meio à troca de acusações, a situação saiu do controle. Testemunhas relataram empurrões, gritos e ameaças. Em determinado momento, o homem sacou um canivete e atingiu a companheira na coxa esquerda. A mulher caiu no chão, sangrando, enquanto pessoas que estavam próximas se assustavam com a cena.
Ela precisou ser socorrida e levou quatro pontos no ferimento.
“Foi tudo muito rápido”, contou a vítima
Na fase policial, a vítima contou que o relacionamento durava cerca de 17 anos e enfrentava muitos problemas, especialmente ligados ao uso de álcool e à instabilidade do companheiro. Ela disse que estava tentando ajudá-lo, inclusive incentivando tratamento de saúde, mas que naquela noite tudo desandou.
Em seu relato, a mulher afirmou que lembra pouco do momento exato da agressão. Disse que só conseguiu compreender a gravidade do que aconteceu depois, ao assistir aos vídeos gravados por pessoas que estavam no local.
Segundo ela, os dois haviam combinado de se encontrar após um dia de trabalho, mas o companheiro demorou e ela acabou esperando sozinha na pizzaria.
Quando ele chegou, ambos já tinham bebido. A conversa, que começou com ele dizendo que teria conseguido um trabalho e uma possível casa para morar, rapidamente virou discussão. A vítima relatou que ficou com ciúmes após ouvir comentários de que ele estaria se envolvendo com uma mulher em situação de rua, portadora de HIV, informação que a deixou abalada.
Ao questioná-lo, o clima mudou. “Ele ficou agressivo”, disse. Vieram cobranças, acusações e gestos exaltados. “Foi tudo muito rápido. Se eu disser que lembro exatamente do momento, eu estaria mentindo”, relatou.
Ela confirmou que foi atingida na coxa, precisou de atendimento médico e levou quatro pontos. Disse ainda que não se recorda claramente de como a agressão aconteceu.
“É muito constrangedor, muito difícil para mim”, declarou à polícia. Na audiência judicial, optou por não reviver os detalhes, exercendo o direito de permanecer em silêncio.
Testemunha viu a agressão acontecer
Um motoboy que trabalhava na pizzaria naquele momento foi direto em seu depoimento. Ele contou que viu o casal discutindo na calçada e percebeu quando o homem mostrou o canivete.
Segundo a testemunha, após uma sequência de empurrões e uma tentativa frustrada de golpe, o agressor acabou atingindo a perna da mulher. Só depois, quando ela caiu e o sangue apareceu, todos perceberam a gravidade da situação.
O relato foi considerado firme, coerente e compatível com as imagens anexadas ao processo.
Réu admitiu o golpe, mas tentou justificar
Em juízo, o acusado confirmou que feriu a companheira, mas alegou que teria agido para se defender. Disse que ambos estavam alterados e que não se lembra claramente do momento do ataque, afirmando ter tido um “apagão”.
Apesar disso, reconheceu que viu a mulher ferida e deixou o local logo depois. Para a juíza, a versão não se sustentou. A decisão destacou que houve excesso, desproporção na reação e que o uso da faca não pode ser tratado como defesa.
Condenação e indenização
Com base nos depoimentos, vídeos e documentos médicos, a Justiça concluiu que houve violência doméstica e condenou o homem a:
- 2 anos e 8 meses de prisão, em regime semiaberto
- Pagamento de R$ 1 mil por danos morais à vítima
O réu poderá recorrer em liberdade.
A decisão é de 1ª instância e cabe recurso, podendo ser reformada pelo Tribunal de Justiça do Paraná.
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