
“Fez uma devassa na minha vida”, diz promotora de Cascavel vítima de perseguição de homem preso no RJ
Com 30 anos de atuação no Ministério Público, a promotora relatou que o caso teve início entre setembro e outubro de 2023, quando passou a atuar...
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Por Luiz Haab
Em entrevista concedida à CGN, a promotora de justiça Simone Lorens expôs em detalhes o drama vivido nos últimos meses, quando se tornou vítima de uma série de perseguições e ataques de natureza psicológica, moral e de gênero, desencadeados por um homem que é parte de um processo de divórcio que tramitava na 2ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Cascavel.
Com 30 anos de atuação no Ministério Público, a promotora relatou que o caso teve início entre setembro e outubro de 2023, quando passou a atuar em um processo de divórcio com questões relativas à guarda, a visitas e a alimentos para uma criança. Ela conta que o processo, apesar de litigioso, seguia dentro da normalidade esperada para casos de família, até que, em novembro de 2025, a situação tomou novos rumos.
O caso
Ao longo de 26 meses, Simone realizou 11 manifestações ministeriais no processo, sendo a maioria delas favorável aos pleitos do pai, autor das perseguições. “Em manifestação minha alguma eu restringi o direito de visita dele”, afirmou. No entanto, após uma decisão contrária a um pedido recente do homem, desencadeou-se uma série de ataques e acusações infundadas contra a promotora.
O homem passou a enviar e-mails, petições e representações a diversos órgãos, incluindo o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, ONU e OEA, atribuindo à promotora crimes como estelionato, apropriação indébita, falsidade ideológica, tortura, organização criminosa, intolerância religiosa, alienação parental e até mesmo vínculo com o nazismo. Em suas denúncias, envolveu ainda juízes, psicólogos, advogados e servidores do Judiciário, ampliando o alcance das acusações.
“Ele fez uma devassa na minha vida acadêmica, investigou aulas, artigos, palestras, e produziu um dossiê entregue a diversas instituições e veículos de comunicação”, relatou Simone. O agressor também criou um site onde expunha cópias integrais do processo, sob segredo de justiça, e atualizava com novas acusações e informações, inclusive contra familiares e pessoas próximas à promotora.
A situação se agravou em dezembro do ano passado, quando Simone e sua família passaram a viver reclusos, temendo pela segurança e lidando com mensagens truculentas e ameaças. “A nossa vida parou nesse período, especialmente de meados de dezembro para cá”, afirmou, destacando a perda da liberdade e da rotina familiar.
Diante do agravamento da violência, Simone Lorens buscou as autoridades, representando criminalmente contra o agressor. Devido à complexidade e à repercussão do caso, houve sucessivas declarações de impedimento e suspeição por parte de juízes locais, levando a decisão judicial a ser proferida por um magistrado da região metropolitana de Curitiba, em nome da isenção.
A prisão do agressor ocorreu na manhã de segunda-feira (19), na zona oeste do Rio de Janeiro. A notícia chegou à promotora enquanto retornava a Cascavel, após um período afastada da cidade. “Eu não comemoro a prisão de ninguém, mas me senti aliviada, podendo aos poucos retomar a minha vida”, declarou.
Simone Lorens, que também é diretora de prerrogativas da Associação Paranaense do Ministério Público, ressaltou a gravidade e a dimensão da violência de gênero sofrida, enfatizando que tais crimes não escolhem condição socioeconômica ou formação cultural. “É um alerta para todas as mulheres: procurem as autoridades. Estes crimes são amplamente democráticos. Não escolhem cor, credo ou classe social”, afirmou.
Ao final, a promotora agradeceu o apoio recebido da imprensa e da sociedade, e declarou sua intenção de retomar as atividades ministeriais ainda nesta semana, reafirmando o compromisso com a dignidade da pessoa humana e a busca por justiça.
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