
MST invade fazenda e posseiros têm 30 dias para sair: tensão no campo
Na sexta-feira (16), uma agente do setor de conciliação agrária do Incra esteve na Fazenda Tiburi para intermediar o conflito, que se intensificou com a chegada...
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Por Fábio Wronski

Uma crise agrária se instalou na Fazenda Tiburi, também conhecida como Fazenda Agro Felicetti, localizada na Estrada Pinhalzinho, em Perobal, região de Umuarama, Paraná. O conflito envolve integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), famílias de posseiros e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que atua como mediador na tentativa de evitar confrontos e buscar uma solução pacífica para a disputa.
Na sexta-feira (16), uma agente do setor de conciliação agrária do Incra esteve na Fazenda Tiburi para intermediar o conflito, que se intensificou com a chegada de dezenas de integrantes do MST ao local. Segundo Ireno Prochnow, líder regional do movimento, cerca de 300 pessoas estão acampadas na fazenda, após deixarem o acampamento Benedito Gomes, em Umuarama, que contava com 541 famílias cadastradas em outubro de 2025.
A disputa pela área ganhou novos contornos após a desocupação de uma propriedade em Xambrê, determinada pela Justiça. Com a retirada dos grupos Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e Movimento de Terra e Alimento da fazenda em Xambrê, o MST decidiu transferir seu acampamento para Perobal, temendo que outros movimentos sociais ocupassem a área.
Atualmente, o MST ocupa uma área marginal da Fazenda Tiburi, em acordo com o Incra, que prevê a permanência do grupo em um espaço de 4 a 6 alqueires, respeitando a produção dos posseiros, que têm um prazo de 30 dias para retirar suas lavouras. O compromisso, segundo Ireno, é manter a convivência pacífica e não interferir nas áreas produtivas dos antigos moradores.
Notificação e mediação
Na quinta-feira (15), representantes do Incra, acompanhados por uma equipe da Polícia Federal, notificaram administrativamente as duas famílias de posseiros a desocuparem o imóvel, concedendo-lhes um prazo de 30 dias para saída voluntária. No dia seguinte, a conciliadora agrária Josiane Aparecida Grossklaus retornou à fazenda para ouvir as partes e buscar um acordo que evite a escalada do conflito.
Josiane esclareceu que a notificação entregue aos posseiros decorre de ordem judicial e que a destinação da fazenda para a reforma agrária está alinhada com as normas legais e decisão judicial vigente. Contudo, o Incra só poderá implantar o projeto de assentamento após o término do prazo concedido aos posseiros.
Durante as conversas, o MST apresentou como principal reivindicação a destinação imediata da fazenda ao Plano Nacional de Reforma Agrária. O movimento também se comprometeu a não ocupar áreas ainda produtivas e a manter a convivência pacífica com os posseiros. Uma das famílias de posseiros aceitou o acordo de não agressão e livre circulação, enquanto a outra preferiu aguardar orientação jurídica.
Histórico dos posseiros
Leonardo dos Santos Felicetti, 47 anos, é um dos posseiros notificados a deixar a fazenda. Ele afirma estar no local desde 2006, onde cultiva mandioca e reside com a família. Felicetti relata que, após anos de trabalho e investimentos na propriedade, buscou regularização fundiária junto ao Incra, que reconheceu sua posse em 2021. Entretanto, uma ação do Ministério Público contestou a documentação, e o caso aguarda decisão do Superior Tribunal de Justiça.
O produtor rural expressou preocupação com a possibilidade de perder o imóvel, onde construiu moradia, infraestrutura agrícola e criou raízes familiares ao longo de 19 anos.
Situação atual e expectativas
Apesar do aumento da tensão com a chegada de mais famílias do MST, até sábado (17) a situação permanecia calma na Fazenda Tiburi, sob acompanhamento de equipes do 25º Batalhão de Polícia Militar de Umuarama. O Incra, em nota, informou que acompanha o caso e que, após a desocupação, dará continuidade ao processo de implantação de assentamento para agricultores familiares, conforme o Programa Nacional de Reforma Agrária.
A sentença judicial que determinou a notificação dos posseiros foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e, mesmo com recurso pendente, a decisão pode ser cumprida, pois a apelação não tem efeito suspensivo.
O MST aguarda que, após a saída dos posseiros, o Incra oficialize o assentamento das famílias que ocupam a área. O líder regional, Ireno Prochnow, destacou o compromisso com a negociação pacífica e a busca por uma solução justa para todas as partes envolvidas.
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