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Imagem referente a Paraná bate recorde e dobra média nacional de doação de órgãos em 2026

Paraná bate recorde e dobra média nacional de doação de órgãos em 2026

As doações recentes incluíram fígado, rins e córneas, beneficiando cerca de 41 pessoas no Paraná e cinco de outros estados. O avanço reflete uma mudança significativa...

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Por Fábio Wronski

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O Estado do Paraná registrou 17 doações de órgãos nos primeiros dias de 2026, viabilizando transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e proporcionando uma nova chance de vida a pacientes que aguardavam na fila. O início do ano reforça a trajetória de crescimento contínuo da política estadual de transplantes, consolidando o Paraná como referência nacional no setor.

As doações recentes incluíram fígado, rins e córneas, beneficiando cerca de 41 pessoas no Paraná e cinco de outros estados. O avanço reflete uma mudança significativa no cenário da doação de órgãos e dos transplantes no estado, especialmente após a análise dos dados consolidados entre 2001 e 2024. Nesse período, houve um crescimento expressivo, com destaque para os últimos seis anos, quando os índices passaram a se manter em patamares mais elevados e estáveis.

O salto mais expressivo foi registrado no número de doadores efetivos por milhão de população (pmp). Em 2001, o Paraná apresentava 9,4 doadores pmp; em 2024, esse número atingiu 43,7 pmp, representando um crescimento de aproximadamente 365%. A regularidade dos resultados recentes evidencia a consolidação de um processo mais seguro e eficiente em comparação às décadas anteriores.

Entre 2001 e 2010, a média de doadores por milhão de população foi de 10,08. No período de 2011 a 2019, esse número subiu para 27,94, e de 2020 a 2024, alcançou 40,84. Esse avanço impactou diretamente a quantidade de procedimentos realizados: em 2001, o Paraná registrou 729 transplantes, enquanto em 2024 o total chegou a 2.081, um aumento de 185% no período.

Nos últimos seis anos, o contínuo avanço nos transplantes reflete um sistema mais estruturado e sensível, capaz de transformar o gesto solidário da doação em recomeços para centenas de pacientes e suas famílias. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os resultados estão diretamente relacionados ao fortalecimento da Central Estadual de Transplantes (CET), ampliação da rede de hospitais notificadores e transplantadores, padronização de protocolos e qualificação constante das equipes multiprofissionais envolvidas em todas as etapas do processo, desde a identificação do potencial doador até a realização do transplante.

O aprimoramento dos fluxos de regulação e logística também foi determinante para o desempenho do Estado, permitindo maior agilidade na captação, transporte e distribuição de órgãos, o que reduziu perdas e ampliou o aproveitamento das doações. Ações permanentes de sensibilização da população contribuíram para o aumento da taxa de autorização familiar, considerada estratégica para a consolidação dos resultados.

A interiorização da política de transplantes foi outro fator fundamental, com a capacitação de mais hospitais para notificação de morte encefálica e manutenção do potencial doador. Essa medida ampliou a participação de unidades fora dos grandes centros urbanos, fortalecendo a regionalização da assistência.

Atualmente, cerca de 70 hospitais realizam o processo de doação de órgãos no Paraná. A rede conta com 34 equipes transplantadoras de órgãos, 72 equipes transplantadoras de tecidos — incluindo córneas, valvas cardíacas, tecidos musculoesqueléticos, pele e medula óssea — e três bancos de tecidos, sendo dois de tecidos oculares e um de multitecidos.

Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, o cenário dos últimos anos indica que o Paraná atingiu um novo patamar operacional na política de transplantes, com resultados mais previsíveis, maior capacidade de resposta da rede assistencial e impacto direto na ampliação do acesso ao procedimento para pacientes do SUS. “A manutenção dos indicadores em níveis elevados nos últimos seis anos reforça a maturidade do modelo adotado pelo Paraná e sinaliza a consolidação de uma política pública estruturada, com resultados mensuráveis e impacto direto na sobrevida e na qualidade de vida da população paranaense”, destacou.

Córneas e rins foram os transplantes mais realizados nas últimas duas décadas, seguidos por fígado e coração.

O impacto da doação é exemplificado pela história de Rosania Domingos Santos, que há oito anos autorizou a doação dos órgãos da filha de 14 anos, falecida no Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá. Os rins, pâncreas e fígado da jovem foram destinados a pacientes do Paraná e de outros estados. “Eu sempre falo que doar é ato de amor, e já virou um lema na minha vida. Doar não dói. Doar deveria fazer parte do ser humano, porque você vai estar ajudando o seu próximo. Eu sou a favor e luto pela causa da doação de órgãos”, afirmou Rosania.

De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), elaborado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Paraná foi o estado com o maior número de doadores de órgãos por milhão de população em 2024, com média de 42,3 pmp, número muito superior à média nacional de 19,2 pmp. Já nos primeiros nove meses de 2025, o Paraná ocupava a segunda colocação, com 39,7 pmp, atrás de Santa Catarina (43,7 pmp). Dados do Sistema Estadual de Transplantes até novembro apontam elevação para 40,5 pmp, o dobro da média nacional (20,2 pmp).

O desempenho do Paraná consolida o estado como referência nacional em doação e transplantes, garantindo esperança e qualidade de vida a milhares de brasileiros.

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