
Conheça a dona Tere, que formou duas filhas na faculdade vendendo cachorro-quente há 38 anos no Centro de Cascavel
“Acho que o que fez a gente chegar onde a gente chegou é esse carro ser um carrinho de rua, simples. Não tem aquelas coisas tão...
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Por Luiz Haab

A meta era vender cinco cachorros-quentes por dia. Hoje é difícil achar quem não conheça o carrinho da Tere. Nesta semana, no dia 6 de janeiro, a senhora de 66 anos completou 38 anos vendendo hot dog no Centro de Cascavel, bem na esquina entre as ruas Duque de Caxias e São Paulo. Ela ganhou até bolo para festejar.
“Acho que o que fez a gente chegar onde a gente chegou é esse carro ser um carrinho de rua, simples. Não tem aquelas coisas tão incrementadas. É tradicional.”
A receita também é a mais tradicional possível: pão com salsicha, batata frita, queijo, milho, molho e alface. Para ela, é a receita da prosperidade. “O meu sucesso é manter sempre os mesmos ingredientes. Desde que eu comecei, a gente trabalha com o mesmo estilo: montar o cachorro-quente, cortar a salsicha, colocar os ingredientes, prensar e colocar o molho e a batata.”
Mas coloque também nesse modo de fazer toda a força de vontade de uma mulher que precisava criar duas filhas. “Olha, força de vontade não falta.”
E foi assim, vendendo cachorro-quente e com a tradicional força de quem nunca desiste, que a dona Tere formou duas filhas na faculdade. Uma é jornalista e a outra, cineasta. Pessoas que poderiam estar contando outras histórias, mas preferiram viver esta. Ambas trabalham com a mãe.
A Juliana tinha nove meses quando o carrinho foi inaugurado. “As lutas da mãe, proporcionando pra gente esse estudo, todas as noites e, por muitos anos, de domingo a domingo, ela aqui, batalhando pra que a gente tivesse uma excelente formação que, graças a Deus, conquistamos. Isso é mãe, isso é pai, isso é tudo!”
Além da própria família, o carrinho também sustenta a família da irmã da dona Tere. A Lourdes está aqui desde o início. “Criei meu filho e continuo aqui. Até enquanto Deus permitir, vou continuar trabalhando aqui”, conta a funcionária que já viu muitas gerações de clientes passarem pela banquinha: “Já vi muita gente aqui, estudando aqui, que casaram, formaram famílias… E a gente sempre preparou com muito carinho. Pra quem vem comer aqui, tem gosto de cachorro-quente. Pra mim, tem sabor de realização.”
O cachorro-quente mais tradicional da cidade conquistou cascavelenses e gente de fora também. A Camila Javarini é de Jundiaí, no interior de São Paulo, e sempre para no carrinho quando vem a Cascavel. “Além de ser bom, tem a opção vegetariana, e eu não como carne”, conta a pedagoga, que veio acompanhada pelo jornalista Luque Monteiro. “Ela briga comigo se a gente não vier pelo menos uma vez aqui”, diz.
Essa é uma história de empreendedorismo familiar, com tudo o que um enredo desses poderia ter. “Nós estamos juntos. A gente briga, a gente chora, a gente recomeça. No dia que eu tiver que parar, vou ficar muito triste. Claro que ele sustenta a nossa família, mas a gente faz por amar o que a gente faz, e esse é o grande segredo do sucesso”, finaliza a mãe, irmã, batalhadora e vendedora de hot dog Terezinha Norbachs.
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