
Fogos de artifício acarretam sofrimento físico e risco para animais
Enquanto a audição humana consegue distinguir sons que vão até uma frequência máxima de 20 mil hertz (Hz), os cachorros podem captar até 40 mil Hz......
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Por CGN
Enquanto a audição humana consegue distinguir sons que vão até uma frequência máxima de 20 mil hertz (Hz), os cachorros podem captar até 40 mil Hz e os gatos até 65 mil Hz. Daí a preocupação do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, em relação aos impactos negativos que os fogos de artifício nas festas de fim de ano podem acarretar para os animais.
Embora as grandes aglomerações e as queimas de fogos façam parte da tradição do Réveillon, para os animais, esse período pode significar sofrimento físico, pavor e risco real de acidentes.
“Porque o som alto e repentino, quando o cão ou o gato escutam, eles interpretam como se fosse um estímulo potencialmente ameaçador, que leva a um forte estresse e pode até relacionar com uma combinação de fatores sensoriais também, emocionais e comportamentais”.
De acordo com Diogo Alves, isso leva a uma fobia sonora, uma vez que o animal tem o poder de potencializar os sons. “Ouvem o dobro dos sons de um ser humano. E nos gatos isso é ainda maior”. Desse modo, o ideal seria os tutores começarem a fazer uma preparação prévia, para garantir maior segurança para os pets, não só na semana do Natal e do Ano Novo, mas também do carnaval, sugeriu.
“Porque o animal tem que ter uma rotina super harmoniosa dentro de casa. Você pode tentar fazer com que o animal tenha brinquedinhos em casa, que podem funcionar até como uma ferramenta emocional para ele, porque vai ajudar a canalizar a energia, estimular o foco no brinquedo e ser algo positivo que vai fazer ele se desligar dos estímulos externos. Isso é muito importante também”.
Rio de Janeiro (RJ), 29/12/2025 – Fogos de artifício acarretam sofrimento físico, pavor e risco real de acidentes para os animais. Diogo Alves. Foto: Diogo Alves/Arquivo Pessoal
Reações
Como cães e gatos possuem audição muito mais sensível que a humana, o barulho dos fogos pode desencadear reações como pânico, tentativas de fuga, tremores, salivação excessiva, automutilação e acidentes graves, como quedas de janelas e muros durante tentativas desesperadas de escapar do barulho. Com a fuga, podem acabar sendo atropelados nas ruas. O presidente do CRMV-RJ alerta que os efeitos do estresse provocado por explosões sonoras não são apenas comportamentais. Os animais sujeitos a esse tipo de estímulo podem apresentar taquicardia, aumento da pressão arterial, desorientação e crises convulsivas. Em situações extremas, o quadro pode levar ao óbito do animal.
“A liberação de adrenalina é tão alta que pode ocorrer uma parada cardíaca em decorrência da convulsão e do choque”. Diogo Alves não recomendou também prender os animais em coleiras porque isso pode acabar provocado enforcamento. “Isso é muito pior porque o animal sente medo, vai tentar pular, acaba sendo enforcado e muitos morrem”.
“Muito cuidado com convidados, que ficam entrando e saindo dentro da casa da pessoa. E, aí, podem deixar a porta aberta e o bicho fugir”.
Segundo Alves, é necessário um controle muito grande “porque os animais merecem esse cuidado mesmo”. Envolvê-los em mantas, por exemplo, ajuda a aliviar o estresse.
“O contato da pele animal com a do ser humano faz com que ele se sinta mais seguro. Isso é muito importante”. Esse hábito, que muitas pessoas chamam de “tail in touch”, termo inglês que significa toque do pano, “ameniza essa fobia, estimula a liberação de hormônios para reduzir o estresse do bichinho. É importante, sim”.
Outra coisa importante é não alimentar o animal perto dos horários dos fogos porque, com a agitação, ele pode sofrer engasgos. Embora a queima de fogos se intensifique na hora da virada, tem pessoas que desde a manhã do dia 31 já estão soltando fogos, lembrou Diogo Alves. Como o calor está muito forte, outra recomendação é hidratar bastante o animal.
“Eu sempre recomendo fazer cubinhos de gelo, sorvetinho de frutas. Você congela a fruta, melancia ou melão, para o animal brincar. Ele fica lambendo, aquilo vai distraí-lo, tira o foco do calor um pouco também. E evitar frutas açucaradas. Melancia e melão são as que a gente realmente recomenda porque a quantidade hídrica é muito maior. Eles vão adorar, vão brincar”.
Atenção também para os aparelhos de ar-condicionado, porque podem ressecar as vias aéreas dos animais. Para que isso não ocorra, o médico veterinário sugere colocar um balde dentro do local para aumentar a umidade daquele espaço. Em relação aos passeios na rua, observou que “se o chão está quente para a gente, está dez vezes mais quente para o animalzinho”. Não se deve fazer passeios com os animais em horários de pico de sol, mas até 8 horas da manhã ou só no final da tarde, para que o bichinho tenha uma transpiração melhor. Para os gatos, que são preguiçosos por natureza, os tutores devem colocar vários potinhos de água pela casa e com fontes, porque o gato é estimulado a beber também pela água em movimento.
O CRMV-RJ reforça que celebrar não pode significar colocar vidas em risco. Em períodos de grande incidência de fogos, a responsabilidade com os animais deve fazer parte do planejamento das comemorações.
De acordo com Diego de Mattos, é preciso também evitar massas cruas com fermento e bebidas alcoólicas, pois podem causar intoxicações graves. Carnes gordurosas, defumadas ou muito temperadas aumentam o risco de pancreatite. Outro elemento que deve ser evitado é osso cozido, pois suas lascas podem perfurar ou obstruir o trato digestivo dos animais. Deixar todos os alimentos fora do alcance dos animais e não oferecer restos de comida são providências acertadas.
“Caso o tutor queira incluir os bichinhos nas festividades, é recomendado preparar opções seguras, como carnes magras e cozidas sem tempero e sal, legumes adequados e petiscos voltados aos pets”.
Fonte: Agência Brasil
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