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Cinismo é a marca de ‘A Viúva Alegre’

Famoso pela atuação no teatro musical, gênero que ajudou a consolidar no Brasil, Falabella cercou-se de cuidados para estrear em um terreno tão delicado. A começar...

Publicado em

Por Agência Estado

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Quando o diretor do Teatro Municipal de São Paulo, Hugo Possolo, fez o convite para que ele dirigisse a ópera O Morcego, obra-prima de Strauss, o encenador e ator Miguel Falabella fez uma contraproposta: por que não A Viúva Alegre, de Franz Lehár (1870-1948), uma das operetas mais célebres – e montadas – do mundo? “Hugo queria encerrar a temporada com uma montagem popular e considero essa perfeita”, conta Falabella, que estreia, nesta quinta-feira, 14, na direção de um trabalho operístico.

Famoso pela atuação no teatro musical, gênero que ajudou a consolidar no Brasil, Falabella cercou-se de cuidados para estrear em um terreno tão delicado. A começar pela escolha da obra de Lehár – a diferença entre uma ópera e uma opereta está no estilo, pois esta última mescla sempre música e teatro, ou seja, palavra cantada e falada (na ópera, predomina a canção). Além disso, seus temas são geralmente mais leves, cômicos. E, nesse caso particular, a Viúva é uma opereta divertida, com uma trilha muito envolvente.

Dividida em três atos, a história se passa em Paris, em 1905. Viúva de um banqueiro e herdeira de grande fortuna, Hanna Glawari é convidada para uma recepção na embaixada de seu país, Pontevedro, um pequeno reino fictício. Temendo que ela se case com um estrangeiro e arruíne as finanças da nação (afinal, sua fortuna corresponde a simplesmente à metade dos recursos investidos no país), o embaixador e Barão Mirko Zeta planeja o enlace dela com o sedutor Conde Danilo Danilovich, um diplomata conterrâneo da viúva, com quem, aliás, já teve um caso.

“É uma opereta que segue a linha da comédia de boulevard, ou seja, popular, uma palavra, aliás, que, no teatro brasileiro, é maldita. Tanto faz para mim, pois não me sinto culpado quando minhas peças são um sucesso”, comenta Falabella, que decidiu montar o espetáculo em português, quando habitualmente óperas e operetas são encenadas em sua língua original. “Quero atrair o mais variado público, especialmente o que nunca veio ao Municipal. O desejo de todos nós é ampliar a acessibilidade a esse espaço maravilhoso.”

Ao fazer a versão para o português, Falabella adaptou as falas à cadência da música. “O texto é maravilhoso porque é carregado de cinismo, os personagens dizem realmente o que pensam. Por conta disso, a primeira montagem, de 1905, quase foi censurada”, explica o encenador, que não resistiu a dar alguns toques modernos – como quando uma personagem, Valenciana, para ressaltar suas qualidades, garante ser “bela, recatada e do lar”.

O humor, de fato, percorre as tentativas de o Barão impedir um casamento desastroso da Viúva. Com a ajuda das esposas de amigos – velhos militares e diplomatas pontevedrianos -, os vários pretendentes são desviados do foco da Viúva. O objetivo é provocar a reconciliação de Hannah com o Conde Danilo, com a ajuda das “esposas exemplares” que flertam com os jovens num divertido jogo de sedução.

Todos os três atos de A Viúva Alegre se passam em festas sendo o primeiro uma celebração na embaixada de Pontevedro, o segundo no jardim da residência da viúva e o terceiro no salão de baile da mesma casa. “Assisti à duas montagens, em Londres e em Buenos Aires, que eram muito realistas, com cenários art déco. Mas não era o que eu queria”, explica Falabella, que descobriu casualmente a solução. “Certo dia, peguei carona com uma amiga e, no carro, vi um calendário com uma ilustração de Maurice de Vlaminck.”

Trata-se de um pintor francês que, ao lado de André Derain e Henri Matisse, é considerado um dos principais artistas do grupo fovista, caracterizado pela distorção exagerada das formas e das cores em suas obras. “O fovismo também surgiu no início do século 20, como a opereta, e ambos foram considerados trabalhos menores. A Viúva chegou a ser classificada como obscena em suas primeiras semanas e o fovismo, uma arte boba”, conta Falabella, que criou uma parede extremamente colorida, formada por mais de 50 mil flores artificiais. “A parede une os três atos”, explica o arquiteto Zezinho Santos que, ao lado de Turíbio Santos, criou o cenário.

A VIÚVA ALEGRE
TEATRO MUNICIPAL.
PRAÇA RAMOS DE AZEVEDO, S/Nº.
3ª À SÁB., 20H. DOM., 18H.
R$ 80 / R$ 120. DIAS 17/11 E 24/11, PREÇO ÚNICO R$ 20. ATÉ 24/11
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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