
Plásticos não recicláveis geram perdas e sobrecarga a catadores no Rio
A maioria dos catadores identificados na pesquisa é mulher (68,56%). Em relação à divisão por raça/cor, a maioria das pessoas é parda (58,75%); seguida por preta......
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Por CGN

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (22) mostra que a baixa reciclabilidade de embalagens plásticas gera perdas econômicas e sobrecarga de trabalho para cooperativas e associações de catadores no estado do Rio de Janeiro.
A maioria dos catadores identificados na pesquisa é mulher (68,56%). Em relação à divisão por raça/cor, a maioria das pessoas é parda (58,75%); seguida por preta (30,82%) e branca (9,43%).
A pesquisa foi feita pelo Instituto de Direito Coletivo (IDC) e pela Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos de Economia Solidária do Médio Paraíba (InTECSOL).
Os recursos financeiros foram do edital Fondos para implementación de proyectos en América Latina y el Caribe, promovido pela organização internacional Gaia (Aliança Global por Alternativas à Incineração).
A presidente do IDC, Tatiana Bastos, chama atenção para o papel central dos catadores no sistema de reciclagem brasileiro e para a precariedade da remuneração desses trabalhadores.
“Os catadores são uma categoria profissional essencial para o meio ambiente. O que acontece em termos de coleta seletiva no país passa pela mão do catador. A sociedade deve muito a esse serviço”, afirma Tatiana.
“Para fortalecer a categoria, eles precisam receber pelo serviço ambiental prestado e não só pelo peso do resíduo. O peso da tonelada do papel e do vidro, por exemplo, é muito baixo. E o que é o serviço ambiental? O pet reciclado não está indo para o rio. O papelão que está sendo aproveitado não está derrubando mais uma árvore”, explica.
O foco da pesquisa é a categoria rejeitos. Segundo a Lei 12.305/2010, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, rejeito é o sólido que, “esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada”.
Um dado que chama atenção é a ausência do código de identificação de reciclagem em 33,40% das embalagens, classificadas como “não especificadas”.
Indústria
Entre as 533 embalagens avaliadas, foram identificados 199 grupos empresariais, sendo que seis concentram quase 30% de todas as embalagens rejeitadas: Mondelez International, M. Dias Branco, Pepsico, Nestlé, Bimbo e Capricche. Em contrapartida, 122 grupos apareceram apenas uma única vez na amostra.
O estudo reforça a necessidade de responsabilização da indústria, especialmente do setor alimentício, pela adoção de embalagens mais ecoeficientes.
Pesquisadores apontam a urgência de investimentos em design circular, substituição de materiais de baixa reciclabilidade e fortalecimento da logística reversa, como forma de reduzir danos ambientais e garantir renda digna aos catadores.
A presidente do IDC também critica a distância entre a legislação ambiental existente e a aplicação prática no país.
“O poder público tem instrumentos normativos para atuar, seja a nível federal, estadual ou municipal. É preciso fiscalizar melhor o mercado, cobrar das empresas que colocam essas embalagens em circulação e cobrar dos municípios que também são os responsáveis pela coleta seletiva”, disse Tatiana.
Fonte: Agência Brasil
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