
“Sabemos o tamanho do desafio”: Secretário de Saúde explica construção da Policlínica e fala do futuro do atendimento público em Cascavel
A estrutura começará a ser construída ainda em janeiro de 2026, entre os bairros Tropical e Claudete. O contrato prevê prazo de 24 meses, embora a...
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Por Luiz Haab

O secretário de Saúde de Cascavel, Ali Haidar, esteve no estúdio da CGN, na tarde desta sexta-feira (19) e falou sobre a construção da Policlínica Regional e do futuro da saúde pública na cidade. Segundo Haidar, a construção da Policlínica tem como meta a redução de filas por exames e consultas com médicos de diferentes especialistas.
A estrutura começará a ser construída ainda em janeiro de 2026, entre os bairros Tropical e Claudete. O contrato prevê prazo de 24 meses, embora a execução da construção esteja estimada em cerca de 16 meses. “Esse projeto já está numa fase avançada. A gente superou algumas etapas que eram de prazos do Governo Federal e agora já estamos na fase da assinatura dos contratos”,
Investimento federal e contrapartida municipal
A Policlínica será financiada majoritariamente com recursos do Ministério da Saúde. O valor inicialmente estimado ultrapassava R$ 20 milhões, mas o custo definido após a licitação ficou em aproximadamente R$ 16,8 milhões. “A verba é do Governo Federal. O município tem o valor de contrapartida desse processo”, disse Haidar.
Embora localizada em Cascavel, a Policlínica terá perfil regional. A proposta da Secretaria de Saúde é discutir um modelo de gestão compartilhada com municípios da 10ª Regional, semelhante ao que ocorre atualmente no Cisop. “Manter uma estrutura desse tamanho traz um custo alto de manutenção”, afirmou o secretário.
Com mais de três mil metros quadrados, a Policlínica deve concentrar atendimentos especializados e exames considerados críticos dentro da rede pública, como tomografia, ressonância magnética, endoscopia e colonoscopia. Atualmente, grande parte desses procedimentos é contratada junto a prestadores privados, com custos elevados. “Em média, alguns procedimentos apresentam mais de 50% de redução no custo total efetivo”, disse, ressaltando que a economia dependerá do tipo de exame incorporado à estrutura.
Fluxo do paciente segue regras do SUS
O acesso à Policlínica seguirá o fluxo tradicional do Sistema Único de Saúde, com encaminhamentos feitos pelas unidades básicas. O secretário reconhece que as filas por exames e especialidades são um problema crônico. “A atenção primária tem uma porta de entrada muito maior do que a porta de saída para a atenção especializada. Se a gente não tem oferta suficiente, a fila se forma”, explicou.
A expectativa é de que o novo centro ajude a reduzir esse desequilíbrio, ainda que de forma gradual.
Impactos e limites
O secretário avalia que o aumento da oferta de exames pode acelerar o acesso a cirurgias, já que muitos pacientes hoje não conseguem completar o diagnóstico. “Às vezes o Estado oferta programas cirúrgicos, mas o paciente ainda não fez o exame necessário”, disse.
Apesar das expectativas, Haidar pondera que a Policlínica não elimina os problemas estruturais do SUS. “A gente sabe o tamanho do desafio. Não é um problema de hoje, nem só de Cascavel. O financiamento é insuficiente e o sistema é muito complexo”, afirmou.
Além da Policlínica, o município também finaliza obras do Hospital de Retaguarda, com três centros cirúrgicos voltados a procedimentos de menor complexidade. Sobre a possibilidade de construção de um novo hospital municipal, o secretário confirmou que há discussões em andamento, mas sem garantias. “Existe diálogo, mas não tem como afirmar se isso vai se concretizar”, concluiu.
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