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Motorista de Cascavel é preso em megaesquema de fertilizante batizado

Segundo Feltes, a ação é desdobramento de uma prisão em flagrante ocorrida em novembro de 2024, quando cinco pessoas foram detidas em um barracão em Araucária,...

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Por Fábio Wronski

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Motorista de Cascavel é preso em megaesquema de fertilizante batizado

A Polícia Civil do Paraná deflagrou uma operação nesta semana para cumprir 13 mandados judiciais contra uma quadrilha especializada no desvio e na adulteração de fertilizantes, com atuação em Curitiba, Wenceslau Braz e Cascavel. As informações foram detalhadas em coletiva pelo delegado André Feltes, responsável pela investigação.

Segundo Feltes, a ação é desdobramento de uma prisão em flagrante ocorrida em novembro de 2024, quando cinco pessoas foram detidas em um barracão em Araucária, onde uma carga de fertilizante desviada foi localizada. O esquema envolvia motoristas contratados para transportar o produto do porto de Paranaguá para o interior do Paraná. No entanto, durante o trajeto, parte da carga era desviada para barracões, onde era adulterada e trocada por um produto de qualidade inferior.

No caso de Cascavel, o delegado destacou que foi solicitado apoio à delegacia local para o cumprimento do mandado de prisão de um motorista residente no município. “Esse motorista, identificamos que em um mês desviou pelo menos três cargas. Esse é o que temos certeza, mas há evidências de que outros casos também ocorreram”, afirmou Feltes. O mandado foi cumprido na residência do suspeito em Cascavel.

A investigação revelou que, somente no barracão de Araucária, mais de 20 a 30 adulterações de cargas foram realizadas. Três motoristas eram responsáveis por reiterados desvios de rota, descarregando fertilizantes de alto valor no local, onde dois outros indivíduos faziam a manipulação dos produtos. Um terceiro era responsável pela emissão de notas fiscais falsas, utilizando empresas de fachada para dar aparência de legalidade à mercadoria adulterada.

O delegado explicou que o fertilizante de boa qualidade era misturado a calcário, cálcio e corantes, reduzindo sua eficácia para cerca de 5% do produto original. O material adulterado era então vendido a comerciantes, muitos dos quais acreditavam estar adquirindo produto lícito. Em alguns casos, apenas após testes químicos ou queda de produtividade nas lavouras a fraude era descoberta.

O grupo criminoso possuía uma estrutura empresarial, com maquinário como tratores, caminhões, pás carregadeiras e funis, simulando uma atividade regular. Os motoristas eram aliciados com pagamentos que variavam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil para desviar cargas avaliadas em aproximadamente R$ 200 mil cada. Em alguns dias, até três caminhões chegavam ao barracão para a adulteração.

A estimativa da Polícia Civil é de que, em apenas dois a três meses, o grupo tenha movimentado cerca de R$ 4 milhões em cargas adulteradas. As cargas tinham como destino diferentes regiões do Paraná, como Venceslau Brás, e outros estados do país, especialmente áreas de produção agrícola. Não há indícios de exportação para o exterior.

Até o momento, seis pessoas foram presas na operação desta semana, incluindo o motorista de Cascavel. Um dos chefes do esquema foi preso em flagrante em novembro, ocasião em que tentou subornar os policiais com R$ 150 mil. Outro indivíduo de posição elevada na hierarquia do grupo permanece foragido.

O delegado ressaltou que a quadrilha agia de forma organizada, com cada integrante desempenhando funções específicas, caracterizando uma organização criminosa. A investigação prossegue para identificar outros envolvidos e possíveis receptadores dos produtos adulterados.

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