
“Ele nega que maltrate os animais, mas realmente é uma mentira”, afirma delegado após prisão de homem em Cascavel
No imóvel, no Bairro Neva, um cachorro estava morto no pátio e outros dois estavam sem comida e água ...
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Por Fábio Wronski

O Delegado da Polícia Civil, Marcos Pontes, concedeu entrevista nesta quarta-feira (23) sobre o caso de maus-tratos a animais registrado na terça-feira (22) pela Patrulha Ambiental da Guarda Municipal. Um homem de 39 anos foi preso em flagrante após a equipe, acompanhada de um veterinário da Prefeitura, localizar um cachorro morto e outros dois em situação precária em um lote no Bairro Neva.
Segundo informações, a equipe da Patrulha Ambiental já havia comparecido anteriormente ao endereço, acompanhada do Serviço Médico Veterinário do município, mas não encontrou o tutor dos animais na ocasião. No retorno ao local, conversaram com vizinhos, que relataram que o tutor raramente permanecia na residência. Durante as diligências, o homem chegou ao imóvel e foi abordado, sendo posteriormente encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para as providências cabíveis.
Em entrevista, o delegado Marcos Pontes detalhou o andamento do caso. “Todos os casos que são noticiados à Polícia Civil são investigados. Ainda nas situações que atendi, sempre faço o alerta à população para denunciar, mas infelizmente esses casos ainda vêm acontecendo, mesmo com a atuação prática da Patrulha Ambiental Municipal e do Serviço Veterinário do município. É necessário maior envolvimento da população e que a disciplina de meio ambiente esteja realmente assinada nas escolas”, afirmou.
O delegado ressaltou que o caso teve início em 2024, a partir de uma denúncia. Por duas vezes, as equipes estiveram no local e não encontraram o tutor. Na última diligência, após o retorno do responsável, foi constatada a morte de um dos cães e a situação de abandono dos outros dois, que estavam sem água, alimentação, expostos ao sol e sem cuidados. Vizinhos confirmaram o abandono frequente dos animais.
O homem preso nega os maus-tratos e afirma cuidar dos animais, versão contestada pelas evidências coletadas no local. “Isso foi constatado visualmente, vocês viram também as imagens da situação em que ele se encontrava. Ele ainda se encontra preso, mas deverá passar por audiência de custódia. Houve manifestação do Ministério Público para que ele não tenha acesso a nenhum tipo de animal até decisão judicial final”, explicou Pontes.
O delegado também destacou a necessidade de mudanças legislativas para endurecer as punições aos responsáveis por maus-tratos. “Precisamos criar um cadastro nacional de pessoas que maltratam animais, para que possam ser penalizadas de forma condizente. Isso só vai ocorrer se houver mudança de postura do Congresso Nacional e envolvimento de toda a sociedade”, defendeu.
Sobre a decisão pela prisão sem concessão de fiança, Pontes esclareceu: “O entendimento foi pela gravidade do caso, pois um dos animais morreu, demonstrando negligência e descaso. A legislação ainda é branda, e muitas vezes as penas não são cumpridas na prática. Precisamos de alinhamento entre Polícia Judiciária, Ministério Público e Poder Judiciário para que haja efetividade na punição.”
Por fim, o delegado reforçou a importância da denúncia e do engajamento social. “Tudo começa na escola, conscientizando as crianças, e continua no ensino superior e na sociedade como um todo. Existem canais para denúncia, como o 190, 181, 197 e a imprensa. Se todos nos unirmos, teremos uma resposta mais efetiva para evitar tragédias como essa”, concluiu.
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