Caso Isabelly: Em depoimento, Pai descreve cenário ao encontrar filha desacordada
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Por Redação CGN
Atualizado em: 02/10/2025 às 08:32
Durante audiência de instrução e julgamento realizada na última terça-feira, 30 de setembro de 2025, no Fórum de Cascavel, o pai de Isabelly relatou os minutos que antecederam o momento em que encontrou a filha desacordada, caída na lavanderia do apartamento onde vivia com a madrasta — ré no processo que apura a morte da menina.
Segundo ele, Suzana, madrasta de Isabelly, teria mandado dois vídeos na manhã do ocorrido, mostrando a criança lavando roupa e depois arrumando o guarda-roupa. Cerca de meia hora depois, ela ligou, dizendo que “a nenê tinha caído na máquina”.
Ele correu até o local, já que estava trabalhando em um prédio ao lado. “Entrei e fui direto para a lavanderia. A Isabelly já estava no chão. Roxa. Juntei ela no meu colo e comecei a gritar”, contou. Ele a levou até a área externa do condomínio e pediu ajuda. Um vizinho acionou o SAMU, que chegou em menos de cinco minutos, mas a menina já estaria sem sinais vitais.
Durante o depoimento, o pai também destacou que, em dois anos de relacionamento, ela nunca havia mandado vídeos mostrando o que a menina fazia quando ele estava fora — o que chamou sua atenção. Os únicos vídeos enviados foram justamente na manhã da morte.
Ele mesmo teria tentado reanimar sua filha, mas notou que saía espuma com sabão do nariz da menina.
No depoimento, o pai contou que a relação entre a madrasta e a filha era distante. Disse que Suzana demonstrava ciúmes da mãe da menina e chegou até a se passar por ele em uma conversa, negando a presença de Isabelly no casamento do casal. Essa troca de mensagens foi descoberta depois, quando a mãe da criança enviou prints.
Ele relatou ainda que não sabia de comportamentos agressivos ou ameaçadores por parte de Suzana antes do ocorrido, mas que após a tragédia, pessoas o procuraram contando que já haviam ouvido falas preocupantes da madrasta.
“Começaram a me procurar, contar o que ela já tinha falado… mas ninguém me alertou antes”, lamentou.
O pai também revelou que Suzana já havia perdido a guarda de uma filha mais velha após ser denunciada. Segundo ele, essa informação foi dada pela própria Suzana, mas, à época, ele não suspeitou que isso representasse risco à filha.
Ele afirmou que nunca presenciou agressões físicas, mas que notava uma diferença no tratamento dado às filhas de Suzana em comparação com Isabelly.
Após a morte de Isabelly, o pai disse que Suzana continuou a mandar mensagens falando sobre o fim do casamento, e não sobre a menina. “O que me deixou mais revoltado foi que ela só se referia ao nosso relacionamento. Parecia que o que doía nela era o fim do casamento, e não a morte da minha filha”, afirmou.
Uma nova audiência foi marcada para 21 de janeiro de 2026.
O caso segue em análise pela Justiça, e outras testemunhas devem ser ouvidas ao longo do processo.