
“Alegavam que pela falta do corpo não havia materialidade. Tá aí a resposta pra eles”, afirma advogada
A advogada Josiane Monteiro de Oliveira, que representa as famílias das vítimas, aguarda no Instituto Médico-Legal (IML) a chegada de uma procuração das esposas de três...
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Por Fábio Wronski

Após 44 dias de buscas, a força-tarefa que investiga o desaparecimento de quatro homens em Icaraíma, no noroeste do Paraná, confirmou na madrugada desta sexta-feira (19) a localização dos corpos de Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi, Robishley Hirnani de Oliveira e Alencar Gonçalves de Souza. Os quatro paulistas estavam desaparecidos desde 5 de agosto, quando saíram para cobrar uma dívida.
A advogada Josiane Monteiro de Oliveira, que representa as famílias das vítimas, aguarda no Instituto Médico-Legal (IML) a chegada de uma procuração das esposas de três dos homens para realizar a identificação formal dos corpos. Segundo Josiane, esse procedimento evitará que os familiares precisem se deslocar das cidades de Olímpia e São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, até Umuarama, onde os corpos foram encaminhados. Após a identificação, será providenciado o translado para os municípios paulistas, onde ocorrerão os rituais fúnebres.
A localização dos corpos ocorreu em uma área de mata fechada, nas proximidades do local onde a caminhonete Fiat Toro branca utilizada pelas vítimas havia sido encontrada soterrada no último dia 12. O resgate envolveu equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, Força Nacional e do IML. Fontes ligadas à investigação relataram que os corpos estavam em avançado estado de decomposição. O local passará por perícia, e os exames oficiais de identificação serão realizados pelo IML.
A advogada Josiane Monteiro de Oliveira destacou a importância das investigações e do papel das denúncias anônimas para a localização dos corpos e do veículo. “As investigações foram muito importantes. O delegado de polícia diligenciou, tivemos várias denúncias anônimas que levaram à localização tanto dos corpos quanto do veículo. Agora, aguardamos que as pessoas que praticaram esse crime sejam condenadas. Temos certeza de que as investigações levarão a isso, e a família não vai descansar. Essas pessoas destruíram várias famílias e impossibilitaram que esses pais vissem seus filhos crescerem. Temos certeza de que a justiça será feita”, afirmou.
As informações preliminares reforçam a hipótese de execução das vítimas. “Aparentemente, as vítimas foram alvejadas ainda dentro do veículo. Essa sempre foi uma das principais hipóteses”, relatou um investigador ouvido pela reportagem. Josiane acrescentou que, desde o momento em que a caminhonete foi encontrada, já se sabia da possibilidade de uma emboscada. “Nós já tínhamos visualizado isso. Sabíamos que a perícia seria feita e que chegariam esses laudos periciais, mas já sabíamos a forma como eles tinham sido abordados”, disse.
O caso também confronta a tese da defesa de alguns investigados, que alegavam não haver materialidade do crime pela ausência dos corpos e do veículo. “Agora está aí a resposta para eles: nós temos os corpos, temos o veículo e temos a certeza de que todas essas pessoas que praticaram esse crime irão pagar pelo que fizeram”, declarou a advogada.
Josiane ressaltou que a localização dos corpos não representa o fim das investigações, mas sim o início de uma nova etapa. “Agora que começa, porque agora que as perícias irão chegar, agora que os laudos chegarão, agora que tanto a defesa quanto a acusação vão ter acesso a todas as cautelares. Esse é o início dessa justiça que vai ser feita”, afirmou.
Sobre a reação das famílias, Josiane relatou que a notícia causou grande comoção. “Uma das esposas já havia tido acesso à informação pela imprensa, outra ficou sabendo um pouco depois e passou muito mal. A esperança movia essas mulheres, elas não deixaram que nenhuma hipótese fosse descartada. Acreditavam que algum deles poderia estar vivo, mas infelizmente não foi isso que aconteceu”, lamentou.
Por fim, a advogada comentou sobre alegações da defesa quanto a uma suposta compra para abertura de um comércio na região, argumento que não foi comprovado documentalmente. “Eles alegaram que montariam um mercado, uma mercearia, mas não comprovaram com documento nenhum. Inclusive, fizeram várias diligências que mais auxiliaram a acusação do que beneficiaram a defesa. Não temos receio quanto à responsabilização dos envolvidos, e a família continuará buscando justiça”, concluiu.
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