
Coliseu Residence: Incorporadora CBS é alvo de denúncias por obras inacabadas e risco de rompimento de barragem do lago
Segundo os condôminos, as obras do empreendimento, cujos lotes começaram a ser vendidos em 2018 por valores em torno de R$ 500 mil, deveriam ter sido...
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Por Katiane Fermino

Proprietários do condomínio Coliseu Residence, empreendimento idealizado e construído pela CBS Incorporadora, em Cascavel, entraram em contato com a equipe da CGN para denunciar uma série de problemas relacionados à entrega do condomínio e, principalmente, à situação do lago existente no local.
Segundo os condôminos, as obras do empreendimento, cujos lotes começaram a ser vendidos em 2018 por valores em torno de R$ 500 mil, deveriam ter sido concluídas em outubro de 2023. Entretanto, na data marcada para a entrega, a administração do condomínio foi informada de que algumas partes ainda estavam inacabadas, mas que seriam finalizadas posteriormente.
Ainda de acordo com os proprietários, desde então, prorrogações sucessivas foram feitas, estendendo o prazo de entrega até 2025. Atualmente, a CBS alega que todas as etapas previstas foram concluídas e que apenas uma última intervenção será realizada no lago, cuja barragem, segundo relatos, apresenta risco de rompimento.
Os condôminos, no entanto, contestam a afirmação e denunciam que ainda restam pendências como a finalização da parte interna da portaria, que permanece sem reboco, muros em estado precário, área comum com infiltrações, ruas deterioradas, cercas soltas e remendadas com pedaço de madeira, além de outros problemas construtivos.
Ações judiciais e falta de comunicação
No dia 14 de agosto de 2025, a CBS ingressou com uma ação judicial solicitando o rebaixamento imediato do lago, sob pena de multa ao condomínio. O pedido liminar foi feito sem que o condomínio fosse ouvido, mas acabou negado pelo magistrado, que não reconheceu a existência da probabilidade do direito alegado pela incorporadora.
Segundo proprietários, desde 2023, o lago tem sido motivo de preocupação e alvo de demandas junto à CBS, especialmente após surgirem rumores sobre o risco de rompimento da barragem.
Representantes da incorporadora teriam solicitado que não fosse realizada a roçada no entorno do lago, alegando que tal atividade poderia contribuir para o rompimento da estrutura. Apesar de solicitações formais e notificações extrajudiciais, a administração afirma que não obteve respostas satisfatórias ou documentação técnica adequada por parte da CBS.
A síndica do condomínio relata que a administração foi sistematicamente excluída dos trâmites relacionados ao lago, inclusive de visitas técnicas realizadas pela incorporadora.
“As informações dão conta de que a administração solicitou diversas vezes para participar das visitas técnicas que a incorporadora agendava e dos trâmites sobre a situação do lago, porém, sem justificativa, a administração não foi comunicada e convocada a participar das referidas visitas, o que pode ser confirmado por outros membros da administração.”
Síndica do Coliseu Residence
Obras sem acompanhamento e laudo inconclusivo
Ainda segundo condôminos, pelo menos três intervenções já foram realizadas no lago sem o acompanhamento ou ciência prévia do condomínio. Eles destacaram que sugestões para utilização de mão de obra qualificada e materiais adequados não foram devidamente consideradas pela incorporadora.
Em outubro de 2024, a CBS contratou um especialista para elaborar um laudo técnico, que se baseou em relatos e fotos de terceiros e só foi disponibilizado à administração em fevereiro de 2025, meses após sua emissão. O laudo, segundo proprietários, não apresenta uma conclusão definitiva, limitando-se a sugerir o acompanhamento de trincas e fissuras observadas. Novamente, a administração não foi incluída no processo de análise.
Após o acompanhamento dessas fissuras, a CBS convocou a administração para informar que há risco de rompimento da barragem e que por isso pretende executar novas obras no lago. Diante da falta de clareza e transparência, e do histórico de intervenções sem sucesso, a administração contratou uma assessoria técnica especializada para orientar sobre os procedimentos necessários.
“Para as intervenções no lago, o parecer técnico da assessoria especializada apontou a necessidade de apresentação de documentos essenciais, como estudo de esvaziamento do lago, relatórios de acompanhamento e monitoramento, parecer técnico sobre o nível de segurança das estruturas de contenção e análise de estabilidade dos taludes, em conformidade com normas regulamentadoras como a 11.682, 13.133 e 8.044. Segundo informações, a incorporadora não apresentou a documentação solicitada, buscando judicialmente compelir o condomínio a aceitar novas intervenções sem planejamento técnico adequado”
Síndica do Coliseu Residence
Risco à segurança e apelo por transparência
O parecer técnico contratado pela administração aponta que a ausência de documentação mínima demonstra um vício construtivo original e uma lacuna no planejamento de segurança para o esvaziamento do lago. Não há definição clara de parâmetros operacionais, como taxa de rebaixamento, velocidade e tempo estimado para a execução das obras, o que acentua os riscos à estrutura do condomínio.
Os proprietários do Coliseu Residence ressaltam que a prioridade é a preservação da integridade física do condomínio e a segurança dos moradores, além da prevenção de danos ambientais. Por isso, exige a implementação imediata de diretrizes técnicas específicas e a apresentação de documentos que possibilitem um diagnóstico preciso e a definição de medidas corretivas eficazes.
A síndica enfatiza que, em momento algum, a administração impediu operações da CBS, exigindo apenas comunicação clara e cumprimento das normas técnicas.
“Apurou-se ainda que a administração objetiva apenas que o processo de finalização e solução das demandas seja técnico, que seja um processo transparente, diligentemente conduzido, alicerçado em compromisso de segurança estrutural, ambiental, com relação à integridade do empreendimento como um todo.”
Síndica do Coliseu Residence
Desvalorização
Inicialmente os lotes foram vendidos por mais de R$ 500 mil reais, lá no ano de 2018, quando ainda estava na planta. De acordo com proprietários, a tabela da CBS atualmente para valores de um lote é que vale aproximadamente R$ 800 mil.
Mas com todos esses problemas, moradores relataram que já tiveram donos se desfazendo do empreendimento luxuoso por apenas R$ 400 mil. Isso por conta do estresse pela falta de entrega das áreas comuns e até mesmo os casos de infiltração e construção.
A equipe da CGN entrou em contato com a CBS Incorporadora, mas até a última atualização desta reportagem, a empresa não se manifestou.
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