CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Nem EUA nem China estão interessados em encerrar disputa, diz analista

“É uma espiral e nenhum dos dois estão interessados em encerrar esse processo agora. Há uma demanda pública na China para que o país responda à...

Publicado em

Por Agência Estado

Publicidade

A ordem dos Estados Unidos para que a China feche seu consulado no Texas e a resposta chinesa determinando o fechamento do consulado americano em Chengdu é algo sem precedentes na história da relação diplomática entre os dois países, iniciada nos anos 1970, e só tende a piorar daqui para a frente. A avaliação é do pesquisador Oliver Stuenkel, coordenador da pós-graduação em relações internacionais da FGV.

“É uma espiral e nenhum dos dois estão interessados em encerrar esse processo agora. Há uma demanda pública na China para que o país responda à altura essas ações dos americanos”, diz. Além da representação em Houston, no Texas, que exerce funções consulares para outros oito Estados americanos e foi aberta em 1979, há consulados chineses em Nova York, Chicago, Los Angeles, São Francisco e a embaixada na capital, Washington.

A determinação do fechamento ocorreu um dia após os EUA acusarem dois chineses de espionagem para tentar roubar dados sobre o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus. Já os EUA têm consulados em Wuhan, Xangai, Shenyang, Chengdu, Guangzhou, Hong Kong e a embaixada em Pequim. Nesta sexta, 24, os chineses determinaram o fechamento do posto em Chengdu, metrópole de cerca de 15 milhões de habitantes localizada no sudoeste da China.

Stuenkel lembra que os Estados Unidos já chegaram a pedir fechamentos de outros consulados, como o da Rússia, mas que esse passo com relação à China é “novo e muito grave”. “Faz parte de uma deterioração muito grande e essa decisão não vai reduzir as tensões. A situação vai piorar ainda mais”, prevê.

“Fechamos o consulado porque era um centro de espionagem e roubo de propriedade intelectual”, afirmou o secretário de Estado Mike Pompeo durante discurso na Califórnia na quinta-feira. “A China nos tirou nossa propriedade intelectual e segredos comerciais que custam milhões de empregos em todo o país. Se o mundo livre não muda a China comunista, a China comunista nos mudará”.

Na avaliação de Stuenkel, há duas tendências a serem destacadas. A primeira é a eleitoral: ele vê a disputa política com a China como uma das maneiras de Donald Trump tentar conquistar mais apoio entre os americanos com demonstração de firmeza e se projetando contra o país em uma disputa geopolítica. “Ele quer, obviamente, dizer que Joe Biden seria mais fraco em relação à China. Faz parte desse contexto eleitoral”, afirma.

No fim de junho, uma pesquisa do New York Times/Siena College mostrou que Biden tem 50% das intenções de voto e Trump, 36%. Na quinta-feira, uma pesquisa da Quinnipiac University mostrou vantagem de 13 pontos de Biden sobre Trump (51-38) na Flórida, um Estado-chave para a disputa.

“O que acontece agora nas relações entre Estados Unidos e China já era esperado e vai piorar muito. Não podemos descartar posturas muito radicais como banir viagens de membros do Partido Comunista e de suas famílias para os EUA”, medida que, segundo o governo Trump, impactaria cerca de 270 milhões de pessoas.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN