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Suicídio: Precisamos falar sobre isso!

“É um assunto pesado, mas necessário. Quando a pessoa tem esse tipo de pensamento, é uma dor invisível que ela sente”...

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Por Katiane Fermino

Em meio à transformação acelerada de valores sociais e ao crescimento do uso das mídias digitais, o suicídio permanece como um tema delicado, porém urgente, a ser debatido em todas as esferas da sociedade. De acordo com a psicóloga Haifa Amado Elias Sonda, o suicídio é, do ponto de vista psicológico, uma resposta extrema a uma dor emocional intensa e insuportável.

“É um assunto pesado, mas necessário. Quando a pessoa tem esse tipo de pensamento, é uma dor invisível que ela sente”

Haifa Amado Elias Sonda

Segundo Haifa, não há uma única causa para o suicídio. Trata-se de uma combinação de fatores sociais, econômicos e culturais, que podem começar a se manifestar ainda na infância, com o bullying e a dificuldade de aceitação nas escolas.

Na adolescência, as emoções se tornam ainda mais intensas. Atualmente toda a sociedade tem fácil acesso à informação, onde o tema do suicídio também se torna mais presente. Crianças, jovens e adultos estão cada vez mais expostos a sentimentos para os quais nem sempre sabem encontrar respostas.

O que observar na outra pessoa?

Mudanças de comportamento, isolamento, fala frequente sobre morte e desespero são alguns dos sinais que amigos e familiares podem perceber em pessoas em risco.

“A pessoa está com uma dor tão intensa, insuportável, que não consegue externalizar e não vê saída naquele momento. Muitas vezes, ela sinaliza, mas é difícil identificar. Por isso, o diálogo e a sensibilidade dos que estão ao redor são fundamentais”

Haifa Amado Elias Sonda

A psicóloga ressalta ainda que o suicídio pode ser tanto um ato impulsivo quanto premeditado, mas, em ambos os casos, é motivado pelo desejo de acabar com o sofrimento e não necessariamente com a vida em si. Ela lembra que sentimentos de solidão também são importantes de serem observados.

Como diferenciar uma tristeza profunda de depressão?

Diferenciar uma tristeza comum de um quadro que exige atenção profissional é fundamental. Segundo Haifa a tristeza é uma emoção necessária, que permite a pessoa refletir. Já a depressão é patológica, marcada pela desesperança e pela incapacidade de enxergar uma saída.

“A influência das mídias sociais, que propagam uma felicidade constante, pode agravar essa sensação de inadequação e isolamento”

Haifa Amado Elias Sonda

Quando a pessoa não vê solução para o sofrimento, pode enxergar o suicídio como a única saída.

Como a família e os amigos podem ajudar?

O apoio familiar é crucial. Haifa orienta que o diálogo deve ser aberto, sem julgamentos, e que o acolhimento é essencial para quem está em sofrimento.

Ela destaca a importância de buscar ajuda profissional, seja por meio do tratamento psiquiátrico, psicológico ou dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

A psicóloga alerta para a gravidade do problema:

“A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo e, a cada 20 segundos, há uma tentativa. Se a pessoa em crise tiver acesso a suporte e acolhimento, muitas vezes consegue superar o momento crítico”.

Haifa Amado Elias Sonda

A prevenção do suicídio exige atenção constante de todos. Reconhecer os sinais, oferecer apoio e encaminhar para ajuda especializada podem salvar vidas. O diálogo aberto, o acolhimento e a informação são as principais ferramentas para combater essa tragédia silenciosa.

O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece atendimento gratuito, anônimo e 24 horas pelo telefone 188.

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