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Foto: Katiane Fermino

“Abusador raramente é agressivo” diz psicólogo após prisão de ex-candidato a vereador

A prisão ocorreu após acusações de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Diante da gravidade do caso e também de outros casos que estão surgindo nos...

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Por Katiane Fermino

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“Abusador raramente é agressivo” diz psicólogo após prisão de ex-candidato a vereador

A Polícia Civil do Paraná, por meio do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) de Cascavel, prendeu nesta quarta-feira (10) H.P., de 32 anos. H.P. é conhecido na região oeste do Estado por organizar o Jinrou: O Encontro de Feras, um dos maiores eventos de Cosplay e K-Pop do Paraná, frequentado majoritariamente por jovens. Além de sua atuação no meio cultural, ele já foi candidato a vereador no município de Cascavel.

A prisão ocorreu após acusações de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Diante da gravidade do caso e também de outros casos que estão surgindo nos últimos tempos na região, a equipe da CGN entrevistou o psicólogo Hemerson de Campos, buscando compreender como menores de idade interpretam situações de abuso e quais as consequências para as vítimas.

Perfil do abusador e estratégias de aproximação

Segundo Hemerson de Campos, o perfil de um abusador raramente é agressivo.

“Geralmente, ele cativa, se apresenta como protetor, alguém que cuida da criança ou adolescente. Utiliza elogios, presentes e estratégias para isolar a vítima da rede de proteção dos pais ou cuidadores. Muitas vezes, convence a criança de que aquilo é um segredo entre eles, dificultando a revelação do abuso”.

Hemerson de Campos

Ele destaca ainda que, frequentemente, o abusador é alguém próximo, que se mostra prestativo e conquista a confiança das famílias.

Compreensão das vítimas sobre o abuso

Questionado sobre a consciência das crianças e adolescentes diante do abuso, Hemerson esclareceu que eles ainda estão desenvolvendo suas cognições e emoções.

“Muitas vezes, não compreendem a diferença entre carinho e manipulação, afeto e abuso.”

Hemerson de Campos

É fundamental que os pais mantenham diálogo aberto sobre o zelo do próprio corpo, pois a criança e o adolescente pode não interpretar o ato como violência.

Tipos de abuso e consequências

Hemerson de Campos detalha os principais tipos de abuso e seus impactos:

  • Abuso físico: Envolve agressões que podem ou não deixar marcas visíveis.

“Provoca medo, insegurança, dificuldades em se relacionar e fobias sociais, além de problemas de confiança”

Hemerson de Campos
  • Abuso sexual: Inclui toques, manipulação das partes íntimas, filmagens ou fotografias.

“As consequências vão da vergonha e rejeição do próprio corpo a transtornos como depressão e ansiedade, que podem se manifestar até a vida adulta”

Hemerson de Campos
  • Abuso psicológico: Muitas vezes praticado inclusive por pais ou cuidadores, consiste em comparações e palavras que diminuem a autoestima da criança ou adolescente.

“Isso resulta em repressão, retraimento e dificuldades futuras em relações sociais e profissionais”

Hemerson de Campos

Sinais de alerta para pais e cuidadores

O psicólogo orienta que mudanças bruscas de comportamento devem ser observadas atentamente. Se a criança ou adolescente passa a evitar lugares ou pessoas que antes lhe davam prazer, ou demonstra isolamento, é sinal de alerta.

“Embora o isolamento seja comum na adolescência, os pais devem confiar em sua intuição e investigar possíveis causas, inclusive abusos ocorridos pelas redes sociais e porque talvez a gente não tem total acesso àquilo que o filho está vendo. Então, os pais precisam estar sempre cuidando dessas mudanças de comportamentos que são bruscas.”

Hemerson de Campos

Como abordar a criança em caso de suspeita

Hemerson aconselha que o diálogo deve ser sempre acolhedor, sem acusações ou intimidações. Perguntas abertas e demonstração de interesse pelo bem-estar da criança são fundamentais.

“Eu diria como exemplo prático, você fazer uma pergunta aberta, como, ‘percebo que você está andando meio triste, você está mais isolado de nós, o que está acontecendo, você quer falar sobre isso?’ e deixar que a criança verbalize. Nunca também ir intuindo já ou colocando na sua fala algo como projetando a resposta, ‘foi fulano que fez isso com você?’, esse tipo de diálogo pode não ser o ideal para que a criança se abra e gere essa confiança entre pais e filhos”

Hemerson de Campos

Denuncie!

O psicólogo reforça a importância do apoio e do olhar atento das famílias para prevenir e identificar situações de abuso, destacando o papel das instituições especializadas, como o NUCRIA, no combate a esse tipo de crime.

Em Cascavel, denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal nacional para violações de direitos humanos, disponível 24 horas por telefone, site e WhatsApp.

Se você não quer ser reconhecido, pode usar o Disque 181 para denúncias anônimas diretamente à Secretaria de Segurança Pública.

Também é possível acionar o Conselho Tutelar local, as Delegacias Especializadas, o Canal da SaferNet para conteúdos criminosos online.

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