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Trump se declara “Messias da Paz”, afirma ter encerrado sete guerras e quer Prêmio Nobel

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Uma análise dos conflitos que Trump afirma ter solucionado mostra que, na maior parte dos casos, há mais bravata e distorção do que resultados concretos, embora dois conflitos apresentem avanços verificáveis.
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Reprodução

Por Diego Cavalcante

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Em campanha para se posicionar como líder global da paz, Donald Trump afirmou recentemente que resolveu seis guerras em seis meses — e durante entrevista desta terça-feira (19), acrescentou uma sétima, sem detalhar qual seria. O republicano também defende que merece o Prêmio Nobel da Paz.

Uma análise dos conflitos que Trump afirma ter solucionado mostra que, na maior parte dos casos, há mais bravata e distorção do que resultados concretos, embora dois conflitos apresentem avanços verificáveis.

O chamado “verniz pacifista” do ex-presidente já foi testado antes: em janeiro, seu enviado Steve Witkoff tentou negociar um cessar-fogo temporário entre Israel e Hamas em Gaza, sem sucesso, contribuindo para a crise humanitária na região. Outro exemplo é a Guerra da Ucrânia, que Trump prometeu encerrar em 24 horas, mas cujo desfecho ainda é incerto. Recentemente, ele se reuniu com Vladimir Putin no Alasca e com Volodimir Zelenski em Washington, tentando intermediar negociações, mas sem garantias de resultados.

A seguir, o panorama dos conflitos que Trump afirma ter resolvido:

Índia e Paquistão

  • O que aconteceu: Em maio, houve confrontos rápidos na fronteira contestada entre os rivais nucleares.
  • O que Trump diz: “Eles vêm lutando há milhares de anos, mas eu acertei as coisas.”
  • Realidade: O governo indiano nega qualquer mediação americana, e a tensão na Caxemira persiste.

Israel e Irã

  • O que aconteceu: Israel atacou alvos iranianos em junho, visando inabilitar capacidades militares e nucleares do país.
  • O que Trump diz: “Acabamos em 12 dias com uma guerra que estava fervendo há 30 anos.”
  • Realidade: O programa nuclear iraniano sofreu atrasos, mas o conflito não foi encerrado, e hostilidades futuras são prováveis.

Ruanda e República Democrática do Congo

  • O que aconteceu: Ruanda apoiou o movimento M23 contra o governo congolês em 2022.
  • O que Trump diz: Negociou acordo para retirada das tropas ruandesas em 90 dias.
  • Realidade: O conflito doméstico na RDC continua, já que o M23 não foi incluído nas negociações.

Egito e Etiópia

  • O que aconteceu: Disputa pelo controle da maior hidrelétrica da África no rio Nilo.
  • O que Trump diz: Prometeu resolver rapidamente o conflito.
  • Realidade: O impasse permanece, e nenhum avanço significativo foi registrado.

Sérvia e Kosovo

  • O que aconteceu: Belgrado não reconhece Kosovo, gerando tensão fronteiriça.
  • O que Trump diz: “Evitei uma guerra entre os vizinhos.”
  • Realidade: Não há registros de risco iminente de guerra ou de ação americana concreta.

Tailândia e Camboja

  • O que aconteceu: Conflito fronteiriço em julho, incluindo ataques aéreos.
  • O que Trump diz: Atribuiu o cessar-fogo a negociações tarifárias.
  • Realidade: A trégua ocorreu graças à mediação da Malásia e pressão chinesa, não pelos EUA.

Azerbaijão e Armênia

  • O que aconteceu: Conflitos em 2020 e 2023 pelo enclave de Nagorno-Karabakh.
  • O que Trump diz: Intermediou acordo de paz e planeja implementação do “corredor Trump”.
  • Realidade: Há avanços, mas disputas territoriais no Cáucaso seguem sem solução definitiva.

Em resumo, a narrativa de Trump como “presidente da paz” mistura verdade com exageros, e grande parte das guerras citadas continua a apresentar desafios significativos para a estabilidade regional.

Com informações da Banda B

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