
Empresário chora ao se entregar à Polícia após matar homem a tiros em suposto furto
Segundo informações da Polícia Militar, Orlando afirmou ter atirado contra Tiago após flagrá-lo com objetos supostamente furtados de sua residência. Conforme relatado pelo empresário, ele reagiu...
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Por Fábio Wronski
O empresário Orlando, de 72 anos, apresentou-se à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (18), chorando, após ter matado a tiros Tiago Alexandre Woiciechowski, de 34 anos, na tarde do último domingo (17), na região central do município, localizado na Região Metropolitana de Curitiba. O caso, que permanece envolto em contradições entre a versão da defesa e os relatos de testemunhas, segue sob investigação.
Segundo informações da Polícia Militar, Orlando afirmou ter atirado contra Tiago após flagrá-lo com objetos supostamente furtados de sua residência. Conforme relatado pelo empresário, ele reagiu ao suposto crime e disparou contra a vítima, que foi atingida no peito e morreu antes da chegada do socorro.
O advogado de Orlando, Caio Percival, declarou que seu cliente está “muito constrangido” e ressaltou o histórico de vida tranquila do empresário, que, segundo ele, teria sido vítima de uma sequência de furtos e arrombamentos desde que se mudou para o município. “Praticamente mais de cinco furtos desde 2011, uma série de arrombamentos. No sábado (16), teve a sua casa invadida e furtaram uma série de pertences… Dólares, dinheiros, até arma de fogo furtaram. E no domingo (17), vejam só, ele se depara com os seus pertences na mão do indivíduo que estava campanando a sua casa novamente”, afirmou Percival.
De acordo com a defesa, ao ver Tiago com os objetos, Orlando teria tentado abordá-lo. O advogado narra que, após Orlando exigir que a vítima devolvesse os pertences e ameaçar chamar a polícia, Tiago teria debochado da situação, virado as costas e, ao supostamente ameaçar Orlando, foi alvejado. “Ele, nessa condição de poder abordar, faz o rapaz tirar todos os pertences dele que ele reconhece de imediato, diz que vai chamar a polícia, e esse rapaz que, claro, nós prestamos as nossas condolências, afinal de contas tem família também, mas, de uma forma debochada, se levanta, sai e vira as costas para o senhor Orlando. Ali ameaçando o sr. Orlando, ele não teve outra reação a não ser reagir”, narrou Percival.
No entanto, testemunhas que presenciaram o crime contestam a versão apresentada pela defesa. Uma delas, que preferiu não ser identificada, relatou à imprensa que Orlando teria agredido fisicamente Tiago antes de efetuar o disparo. “Na verdade, eu achei que era uma brincadeira. Aí depois eu vi que realmente era verdade, que o sr. Orlando estava com a arma apontada para o rapaz. O rapaz estava sentado e ele com a arma apontada. Ele pegou a mochila do rapaz, chacoalhou e caiu uma calça, uma escova de dente, um chinelo e um boné. Aí não tinha mais nada na bolsa do rapaz. Aí ele pegou, levantou dali e foi andando. O sr. Orlando foi atrás e deu dois socos no rapaz, na vítima que morreu. O rapaz virou-se e foi pra dar um soco nele. Ele sacou a arma e deu um tiro no peito. O rapaz não teve nem reação. Ele deu uns três passos e caiu ali. Já tava morto. E o Orlando entrou pra dentro da casa, trocou de roupa e subiu.”
Outra testemunha afirmou que ambos conversavam normalmente antes do início da discussão e também questionou a existência de furto. “Eles estavam conversando sentados até que começaram a brigar do nada. Aí o cara que acabou levando o tiro levantou. Eu acreditava que ele estava indo embora, porque ele levantou e saiu. O sr. Orlando tentou puxar a bolsa dele, e daí ele não queria dar, porque ele estava falando que ele tinha assaltado ali. Ele [Tiago] falou que não queria dar a bolsa e não sei o que. Daí, o sr. Orlando acabou dando um soco nele. Ele devolveu o soco e foi nisso que ele levou um tiro. Ainda depois de levar o tiro, ele deu uns cinco passos ali e caiu no chão. Ele ficou se debatendo e acabou…”
O delegado Fábio Machado, responsável pelo inquérito, destacou que o empresário pode ter confundido a vítima com o autor do furto e informou que não há registro de boletim de ocorrência sobre o crime relatado por Orlando. Segundo o delegado, Orlando teria, inclusive, pedido às testemunhas que não chamassem a polícia. “As testemunhas nos disseram que, em momento nenhum, ele [Orlando] falou: ‘Olha, você está preso, vamos chamar a polícia’. Isso não foi narrado. Ele relata para as testemunhas assim: ‘Fica todo mundo quieto, ninguém chama a polícia, vocês não viram nada’. Ou seja, deliberadamente a intenção desse senhor seria, sim, fazer justiça num fato que ele realmente estava transtornado”, explicou.
Para Machado, Orlando pode ter agido sob forte emoção, cometendo um crime “totalmente desproporcional”. “Ao que tudo indica e o que as testemunhas disseram pra gente, a vítima não reage. Muito pelo contrário. Ela se volta pra ele pra tentar agredi-lo quando é agredida… Em retribuição à agressão que sofreu. E aí ela é alvejada por um disparo de arma de fogo. As imagens das câmeras de segurança estão no dispositivo de gravação que foi apreendido pela nossa equipe policial. Nós vamos encaminhar esse DVR para a perícia para comparar as imagens do furto com as imagens do crime e verificar se foi a mesma pessoa que cometeu o furto.”
Após o disparo, Orlando fugiu do local. A vítima, Tiago Alexandre Woiciechowski, tinha antecedentes criminais por furto, furto qualificado e dano. Ele havia cumprido pena na Colônia Penal Agrícola e estava em liberdade havia cerca de dois meses. Até esta segunda-feira (18), a polícia ainda não havia localizado familiares para comunicar o falecimento. “Queremos noticiar a família para que ele possa ter um enterro justo e digno”, afirmou o delegado.
Orlando se apresentou espontaneamente, acompanhado de advogado e familiares, e deve responder por homicídio qualificado. A arma usada no crime ainda não foi localizada, mas seis munições de calibre 38 foram apreendidas em um dos endereços ligados ao empresário. O inquérito, segundo a polícia, deve ser concluído nos próximos dias.
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