
Desaparecimento de quatro homens em Icaraíma completa nove dias: ‘Agora, ninguém se sente seguro’
A Polícia Civil investiga o paradeiro do produtor rural Alencar Gonçalves de Souza e dos paulistas Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique...
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Por Fábio Wronski
O desaparecimento de quatro homens em Icaraíma, município de 7.786 habitantes, completa nove dias nesta semana e tem provocado espanto e sensação de insegurança entre moradores. Acostumada a uma rotina tranquila, a cidade do interior do Paraná vive sob o impacto de um caso que, segundo relatos da própria população, “não combina com o perfil das famílias envolvidas”.
A Polícia Civil investiga o paradeiro do produtor rural Alencar Gonçalves de Souza e dos paulistas Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso. De acordo com as investigações, o trio teria viajado a Icaraíma para cobrar uma dívida de R$ 250 mil de Antônio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo. Ambos estão foragidos desde que tiveram prisão preventiva decretada.
Homicídio é a principal linha de investigação, mas até o momento não há confirmação sobre o destino das vítimas.
Famílias conhecidas e tranquilas
Moradores ouvidos pela reportagem do OBemdito afirmam que tanto a família de Alencar quanto os Buscariollo sempre mantiveram boa relação com a comunidade local. “As famílias se conheciam como qualquer outra da cidade. Nunca houve histórico de confusão ou crimes graves”, relatou um comerciante, que preferiu não ser identificado. O silêncio e a cautela predominam nas conversas pelas ruas e comércios do município.
O choque é ainda maior porque Icaraíma é considerada uma cidade segura, onde “todos sabem da vida de todos” e casos de violência grave são raros. “A gente fica com medo porque, se aconteceu com eles, pode acontecer com qualquer um”, comentou uma moradora da área central.
O dia do desaparecimento
Segundo a investigação, no dia 5 de agosto, os três paulistas teriam ido à casa de Alencar antes de seguir para um encontro com os devedores. Após esse momento, ele não fez mais contato com a família. Na véspera, o grupo já teria se reunido com os suspeitos.
Após o desaparecimento, as buscas envolveram aeronaves, cães farejadores, sonar para varredura nos rios Paraná e Ivaí, além de varreduras em pontos estratégicos, como o pesqueiro da família Buscariollo. Em um desses locais, um dos cães detectou odor de Alencar.
Dor e silêncio
A família de Alencar afirma que não sabia que ele havia contratado cobradores para a dívida. “O pecado do Alencar foi confiar demais”, disse um parente, descrevendo-o como homem pacato e dedicado ao trabalho rural.
O pai de Alencar, de 67 anos, que reside na mesma propriedade, demonstra sofrimento diante da ausência do filho. “Ele não quer mais saber de dinheiro nem de propriedade. Quer só o filho de volta”, relatou o familiar.
Amigos e ex-patrões descrevem Alencar como trabalhador habilidoso, especialmente na instalação de cercas e mangueiras para gado. Segundo conhecidos, a esposa passa horas sentada na varanda, como se aguardasse vê-lo voltar pela estrada de terra.
Boatos e frustrações
O delegado Gabriel Menezes, chefe da 7ª Subdivisão de Polícia Civil de Umuarama, afirmou que diversas pistas foram checadas, incluindo a suspeita de que os corpos estariam em um bunker utilizado por contrabandistas. “Todos os locais apontados foram vistoriados e nada foi encontrado”, declarou.
Menezes pediu cautela na divulgação de informações, a fim de evitar desperdício de recursos públicos, e reforçou que qualquer pista relevante pode ser repassada à polícia.
Enquanto as investigações prosseguem, o clima em Icaraíma é de apreensão. “A gente nunca imaginou viver um negócio desses aqui. Agora todo mundo desconfia de todo mundo”, relatou uma moradora, antes de se despedir rapidamente.
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