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Polêmica na Câmara Municipal: “Igualdade nem aqui e nem na China”, diz vereador sobre extinção do FEFC

A moção de n° 32/2025 é do vereador Policial Madril (PP) e tem como objetivo a moção de apoio ao projeto de lei nº 748, de...

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Por Katiane Fermino

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Polêmica na Câmara Municipal: “Igualdade nem aqui e nem na China”, diz vereador sobre extinção do FEFC

Na tarde desta terça-feira (12) uma moção de apoio deu o que falar na 51ª sessão ordinária da 1ª sessão legislativa da 18ª legislatura, na Câmara Municipal de Cascavel.

A moção de n° 32/2025 é do vereador Policial Madril (PP) e tem como objetivo a moção de apoio ao projeto de lei nº 748, de 2019, de autoria do Senador Marcio Bittar (MDB/AC), que visa extinguir o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha).

Ela foi aprovada por 11 votos a favor, mas teve 10 votos contrários. A discussão entre os parlamentares durou cerca de 1 hora.

O primeiro a pedir a palavra foi Edson Souza (MDB), que teve o voto contrário a moção.

“Eu entendo, o fundo tem seus problemas, ele é concentrado nos caciques, mas ele não é um problema, porque ele vem para tentar equilibrar as campanhas, para você ter recurso para todos os candidatos fazerem, não apenas os candidatos ricos ou os candidatos que são muito conhecidos, então eu sou favorável ao fundo, acho que precisa fazer uma revisão, isso a gente precisa fazer.”

Edson Souza (MDB)

O parlamentar ainda destacou que o dono do projeto de lei, Marcio Bittar, recebeu R$ 1,5 milhão desse fundo. Ele disse que dos 21 vereadores da Câmara Municipal de Cascavel, 16 receberam esse dinheiro. Acrescentou que se o politico é contra o dinheiro, deve devolver o valor.

Serginho Ribeiro (PSD), também teve voto contrário e concordou com o Edson de que os “caciques”, no caso os deputados federais, que deveriam distribuir a verba de modo justo.

O parlamentar Fão do Bolsonaro (PL), que teve o voto favorável, se manifestou na sequência e disse que é a prova viva de que se em 2020, ninguém tivesse pego fundo eleitoral, teria se elegido como vereador na época, ele tinha uma cota de R$ 50 mil para publicidade e abriu mão do dinheiro.

“O dinheiro está lá, ele não é ilegal, ele é imoral. Se os bons não pegarem, fica mais fácil dos carniças pegarem. Então os bons tem que pegarem, mas nós somos contra e temos que trabalhar para acabar com isso aí, porque o Brasil tem outras prioridades. Investir em saúde, educação, segurança publica, infraestrutura.”

Fão do Bolsonaro (PL)

O vereador Rondinelle Batista (Podemos), votou favorável para extinguir o FEFC, segundo ele o fundo é imoral e poderia ser utilizado para outras finalidades. Campanhas poderiam ser feitas com doações, redes sociais ou patrocínios.

Democracia?!

A vereadora Bia Alcantara (PT), votou contrária a moção. Segundo ela, a população vive uma democracia, mas se for parar para estudar sobre, se entende que no capitalismo, não tem como viver de forma igual, até a informação chega de modo diferente para as pessoas. Ela alega que existe sim uma desigualdade do fundo dentro dos partidos, mas que ele não deve ser banido, e sim organizado.

“Quem quer o fim do fundo eleitoral utilizou o fundo eleitoral para se eleger, e foi com o fundo eleitoral que foi possível para ser eleito, como o vereador Fão colocou, que anteriormente ele não tinha conseguido se eleger, não tinha pego o fundo e quando pegou o fundo eleitoral foi possível se eleger. É porque de fato existe muita desigualdade na nossa democracia, o que faz com que ela não seja uma democracia plena.”

Bia Alcantara (PT)

Até demagogia entrou na roda

O vereador Edson Souza (MDB) retomou a palavra e respondeu aos colegas de forma irônica.

“Deixa eu falar uma coisa para vocês aqui, demagogia é um negócio pesado, você dizer que é contra daí vai lá e pega o dinheiro. Dizer que o partido nacionalmente está se organizando para pegar o dinheiro, é demagogia Rondinelle, você pegou dinheiro do fundo, os cara do PL pegou R$ 50 mil de cada um, o Fão pegou R$ 50 mil reais, o Alécio e o Mazzutti, R$ 50 mil reais, o Cabral R$ 50 mil reais. Se é contra, devolve, é o mínimo”

Edson Souza (MDB)

O vereador Dr. Lauri (MDB) brincou com o parlamentar:

“Eu peguei os R$ 6 mil reais, sou favorável a extinção, mas já gastei Edson, não tem mais como devolver.”

Dr. Lauri (MDB)

Mérito ou dinheiro?

O parlamentar Cidão da Telepar (Podemos), votou contrário a extinção do fundo eleitoral, ele disse que prefere o dinheiro do fundo eleitoral do que ficar de rabo preso com quatro ou cinco empresários. No meio de sua fala foi vaiado com U-U-U e respondeu:

“Não tem U-U-U não, quem duvidar que vá correr procurar. É (risada sarcástica) devolveu os cinquentinha? U-U-U (risada sarcástica), eu devolvi R$ 4.500 que sobrou, é assim que tem que fazer”

Cidão da Telepar (Podemos)

Rondinelle Batista (Novo) tomou a palavra e disse que acredita que todos os parlamentares estão na câmara por mérito, capacidade e capital eleitoral, e que independe do dinheiro estariam lá se a briga fosse igual.

O vereador Policial Madril (PP), que fez a moção de apoio e votou favorável, explicou o motivo de trazer em pauta essa discussão.

“Eu sou contra porque em 2016 eu não tive fundo, não tinha WhatsApp, Facebook usei 15 dias, na primeira e segunda eleição eu nunca pedi um voto para ninguém, e fui o terceiro vereador com o maior número de votos em Cascavel. Se fez coisa boa você vai ser conhecido pela coisa boa, coisa ruim vai ser conhecido pela coisa ruim que fez”

Policial Madril (PP)

João Diego (Republicanos), que votou favorável, também se manifestou e disse que usou o fundo no valor de R$ 13 mil, se for acabar o fundo, tem que acabar para todos porque não é distribuído de forma justa.

O vereador Hudson Moreschi (Podemos), que votou contrário, disse que seria fácil votar favorável porque recebeu somente R$ 294,15.

“Totalmente destoantes dos demais concorrentes do meu próprio partido, que mostra a injustiça. Eu tenho certeza que se eu tivesse recebido de repente, R$ 80 mil ao invés de R$ 294, eu teria feito mais do que 2.346 votos”

Hudson Moreschi (Podemos)

Existe corrupção na eleição?

O parlamentar Valdecir Alcantara (Progressistas), que votou contrário ao fim da extinção do FEFC, disse que duvida quem não investiu dinheiro em campanha.

“Teve vereadores que chegaram e falaram assim, eu dou 10, 5, R$ 20 mil para você, para trabalhar para o cara”

Valdecir Alcantara (Progressistas)

João Diego (Republicanos) disse que é para Valdecir levar a público quem usou de má fé de dinheiro e cargos. Valdecir Alcantara (Progressistas) complementou com uma resposta a João Diego (Republicanos)

“Todos os vereadores aqui prometeram cargos para assistentes”.

Valdecir Alcantara (Progressistas)

Vários parlamentares foram contrários a fala dele e se manifestaram alegando que não prometeram nada a ninguém.

Bandidos ficaram com medo do Policial Madril?

Everton Guimarães (PMB), que votou favorável, pediu a palavra e brincou como resposta ao parlamentar Policial Madril (PP):

“Vereador Madril na primeira campanha o senhor nem precisava de dinheiro, porque a maioria dos bandidos acharam que o senhor iria sair das ruas, nunca mais ia prender ninguém. Votaram tudo no Madril.”

Everton Guimarães (PMB)

Ele salientou que não pegou dinheiro desse fundo porque não tinha disponível no partido.

“Eu disse que não queria, daí disseram que não tinha mesmo, então ficou mais fácil. Eu acho injusto um vereador pegar tanto e o outro pegar mais”

Everton Guimarães (PMB)

O vereador Xavier (Republicanos), que votou favorável, se manifestou e disse que não é igualdade um receber mais e outros menos.

“É ilusão achar que o financiamento público de campanha traz igualdade, ele não traz igualdade, ele promove a desigualdade oficialmente com dinheiro da população.”

Xavier (Republicanos)

Direitos das mulheres

Fão do Bolsonaro (PL) retomou a palavra e disse aos gritos para Bia Alcântara que pode provar para ela que a igualdade não existe nem dentro do partido dela.

“É o partido do trabalhador da igualdade social masculina, feminina. Meu Deus, dentro do seu partido eu não vi um manifesto da vereadora dentro do seu partido. Enquanto teve gente que pegou R$ 97 mil a senhora pegou R$ 57 mil. A senhora aceitou isso? É inadmissível, isso é perseguição a mulher.” Acrescentou: “Igualdade, nem aqui e nem na china. É só lorota na cabeça de ingênuo para acreditar que vai existir igualdade, igualdade não dá nada para ninguém, cada um corre atrás do seu e que se vire.”

Fão do Bolsonaro (PL)

A vereadora Bia Alcantara (PT) respondeu o parlamentar:

“Vereador, ai, é o seguinte ó. Outras duas mulheres ganharam mais que eu do fundo. E como eu falei anteriormente, existem sim coisas que a gente tem que avançar com o fundo eleitoral, então eu não entendi o seu argumento, mas tudo bem, se o senhor quiser se juntar a nós e lutar por partidos que coloquem as mulheres no topo, eu apoio vereador.”

Bia Alcantara (PT)

O fim da discussão

Entre idas e voltas, muita discussão e posicionamentos, o último a se manifestar foi Contador Mazzuti (PL), que votou favorável, disse que tudo é estratégia, se tem o fundo o partido usa. Mas que com ou sem recurso é preciso correr atrás para conseguir êxito, que tem que trabalhar com as ferramentas existentes.

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