
Enciclopédia Negra apresenta personagens negros aos jovens
Vencedor do prêmio Jabuti na categoria ciências humanas em 2022, o livro Enciclopédia Negra reuniu biografias de mais de 550 personalidades negras para restabelecer a importância......
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Por CGN

Vencedor do prêmio Jabuti na categoria ciências humanas em 2022, o livro Enciclopédia Negra reuniu biografias de mais de 550 personalidades negras para restabelecer a importância e o protagonismo negro na história do Brasil e que haviam sido apagadas das narrativas oficiais. O livro também virou uma exposição que passou por Brasil e Portugal.
Depois do sucesso dessa primeira obra, agora a enciclopédia se volta também para os jovens. Lançada no meio deste ano, a Enciclopédia Negra para Jovens Leitores adaptou o texto para crianças acima dos nove anos e passou a apresentar 82 personalidades negras.
“Agora chegou a hora de convidarmos vocês para essa nossa grande festa por um Brasil mais amplo, plural e onde caibam todas e todos nós”, diz a introdução do livro que foi fruto de uma pesquisa elaborada por Flávio dos Santos Gomes, Lilia Moritz Schwarcz e Suzane Lopes, que também fez as ilustrações.
Nesta nova obra, os jovens e as crianças são convidados a mergulhar nas trajetórias de personalidades negras que foram reunidas em duplas temáticas. A ideia é aproximar nomes que estão distantes no tempo, mas próximos em suas profissões, lutas ou experiências tais como o escultor mineiro Aleijadinho (1730-1814) e a pintora Maria Auxiliadora da Silva (1935-1974), dois grandes artistas brasileiros. Ou como os escritores Cruz e Souza (1861-1898) e Mário de Andrade (1893-1945).
A escritora Lilia Schwarcz e a ilustradora Suzane Lopes durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho – Flipelô. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Na apresentação do livro – que foi realizada dentro da programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), evento que é realizado no centro histórico de Salvador – as autoras Lilia e Suzane destacaram que, por ser uma enciclopédia, esse é um projeto que está incompleto e sem fim, podendo sempre apresentar novos personagens. “A enciclopédia tem um ponto de começo, mas não tem um ponto final, como no livro anterior. Queremos que vocês vejam esses casos e não imaginem que sejam os únicos e tampouco que são os mais importantes. Mas queremos que esses casos animem a pensar em tantos outros de sua vida, de sua vizinhança, da sua família. O projeto da enciclopédia é fadado a nunca terminar”, disse Lilia Schwarcz, ao se apresentar ao público.
Em entrevista à Agência Brasil logo após conversar com o público da Flipelô, Lilia Schwarcz disse que o novo livro é resultado de uma boa aceitação do anterior. “Esse projeto Enciclopédia Negra foi muito bem abraçado e tem sido [ainda]. E criou uma capilaridade tremenda, com muitas exposições e muitos artistas”, disse ela. “E a gente achou que seria uma ideia bonita passar para os jovens”, reforçou.
A Enciclopédia Negra para Jovens Leitores, acrescentou Suzane, pretende garantir o acesso dos jovens a essas narrativas que não estão nos livros oficiais. Trata-se, segundo ela, de “uma jornada de descoberta sobre quem a gente é e quem são os nossos”.
“A Enciclopédia Negra chegou na minha vida impactando. É um livro de muita responsabilidade para a gente retratar personagens históricos que foram representados por pessoas brancas no passado ou de forma equivocada. Então, a gente traz uma leitura mais fiel, mais positiva, de pertencimento e de poder desses personagens. Acho que é muito importante que o público jovem tenha acesso, de uma forma lúdica e positiva, da própria história”, disse ela à reportagem.
Jabuti acadêmico
Na semana passada, Lilia recebeu um novo prêmio Jabuti, dessa vez um Jabuti Acadêmico na categoria História e Arqueologia pelo livro Imagens da branquitude: a presença da ausência.
Neste livro, ela analisa o fenômeno social e cultural da branquitude a partir de suas manifestações simbólicas e iconográficas. À reportagem, a historiadora e antropóloga disse que Imagens da Branquitude é “um livro de vida”.
“Faz 20 anos que eu dou o curso Lendo Imagens na Universidade de São Paulo e pelo menos 10 anos em Princeton [nos Estados Unidos]. E nesse tempo todo eu fui também mudando. Eu fui descolonizando o curso, eu fui criticando as imagens muito eurocêntricas, fui chamando artistas brasileiros e brasileiras e artistas negros e artistas indígenas. Esse é um livro de 20 anos e demorei uns três ou quatro anos para escrevê-lo porque eu queria colocar uma história que, não sendo contínua, fosse uma história, de alguma forma, cronológica”, disse ela.
*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Motiva, patrocinadora e parceira oficial de mobilidade da Flipelô 2025
Fonte: Agência Brasil
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