
“Professor Monstro”: CPI fala com mais cinco servidoras do mesmo CMEI que o acusado
Foram interrogadas quatro professoras e uma agente de apoio. Nas oitivas, todas afirmaram que o acusado não participava do horário do soninho das crianças. Uma das...
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Por Katiane Fermino
Na tarde desta quinta-feira (7), a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que investiga possíveis irregularidades no processo de apuração de assédio sexual cometido dentro do CMEI Vicentina Guisso, ouviu mais cinco servidoras públicas que tinham contato com o acusado.
Foram interrogadas quatro professoras e uma agente de apoio. Nas oitivas, todas afirmaram que o acusado não participava do horário do soninho das crianças. Uma das professoras afirmou que ele ficava, quando necessário, sozinho na troca de fraldas, em razão da falta de funcionários.
“Na hora do soninho ele nunca participava, na troca de fralda sim”. Ela ainda afirmou: “Sim, em falta de profissional ficava somente eu e ele, daí na troca de fralda ia eu ou ele.”
Todas as funcionárias disseram que o acusado sempre cumpria o horário de hora-atividade, saía para o intervalo às 11h30 e retornava às 13h30. Quem permanecia no horário do soninho era outro agente de apoio.
Ainda foi relatado que, na maior parte do tempo, ele ficava nas salas de aula, ainda em 2024, e, em alguns momentos, ajudava em atividades administrativas, como preencher o cartão-ponto de todos os funcionários do CMEI, junto com a diretora. “Ele ajudava a diretora a preencher todos os cartões-ponto, e, com isso, fazia hora extra.”
Todas as servidoras alegaram que não foram orientadas, em nenhum momento, por nenhuma das duas diretoras que atuaram no período, sobre as acusações. Elas souberam dos fatos apenas em 2025, por meio da mídia. Também relataram susto e espanto ao verem as notícias e perceberem que se tratava de uma pessoa do mesmo convívio.
Uma das profissionais disse: “Fiquei assustada, eu convivia com ele, nunca imaginei. Fiquei muito chocada.”
Outra professora afirmou que, se soubesse, não permitiria que ele se aproximasse das crianças. “Se eu soubesse que ele estava sendo acusado, nunca permitiria que ele entrasse em sala de aula.”
Celular em sala de aula
Existe a Lei Federal nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celular em sala de aula, tanto por alunos quanto por professores, durante as aulas, recreios e intervalos.
Quatro servidoras disseram que não utilizam o celular, mas uma relatou que tanto ela quanto o acusado o utilizavam, sim, para enviar fotos das crianças no grupo de pais, quando realizavam atividades, ou para avisar que alguma criança estava com febre, passando mal, entre outros recados escolares.
“Sim, muitas vezes fazemos atividades, tiramos uma foto e mandamos no grupo. Para mandar que a criança está com febre ou passando mal.”
Ela ainda alegou que antigamente, era utilizada a agenda para enviar recados aos pais e fazer anotações, mas que atualmente é tudo enviado no grupo da turminha no WhatsApp, no qual estão todos os pais. “Na minha sala, é no grupo”
Sobre a denuncia
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Paraná, o réu cometeu os abusos sexuais durante o horário de descanso das crianças no CMEI onde trabalhava. O caso veio à tona quando a vítima relatou os abusos à mãe, referindo-se ao agressor como um “professor monstro”. Posteriormente, a criança confirmou os fatos em depoimentos em escuta especializada, detalhando os atos aos quais foi submetida.
Na denúncia o Ministério Público cita “agindo com consciência e vontade livres, dirigidas à prática da conduta criminosa, e com a finalidade de satisfazer a própria lascívia, pelas mesmas condições de tempo, lugar e maneira de execução, e estando ciente de que na época de início dos fatos, a vítima, seu aluno, possuía apenas 03 (três) anos de idade no início dos fatos, praticou com a criança atos libidinosos diversos da conjunção carnal, consistente em praticar na vítima sexo oral e anal e fazer a criança praticar sexo oral nele“
Durante a investigação, foram analisados registros em áudio, além de depoimentos de testemunhas e laudos psicológicos que apontaram os danos emocionais causados à vítima. O processo revelou que a criança passou a ter crises de ansiedade, medo de homens e dificuldades escolares após os abusos.
O caso só veio à tona após a divulgação da sentença pela CGN. Uma professora interrogada na tarde desta quinta-feira (7) ainda destacou que soube por meio do veículo. “Soube pela CGN, não soube nada antes”
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