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Documentário Rua do Pescador nº 6 mostra urgência de ações pelo clima

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Foto: Reprodução/CGN

Por CGN

Uma sequência de imagens em preto e branco mostra a dimensão da tragédia. Pessoas em cima de telhados, completamente ilhadas, buscam socorro. Casas e ruas desaparecem. A terra foi toda tomada por água. Animais lutam por sobrevivência. Bombeiros tentam ajudar pessoas por meio de helicópteros. Quando a água começa a baixar, o que se vê é muita lama, lixo e desolação.

A destruição provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado e o longo e trabalhoso processo de reconstrução daquelas famílias afetadas são os protagonistas do documentário Rua do Pescador nº 6, dirigido por Bárbara Paz, e exibido no domingo (27) no Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito, o Cinesur, no Mato Grosso do Sul.

Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a pior enchente de sua história. E foi essa tragédia que fez a diretora voltar para seu estado natal e oferecer, por meio do cinema, um retrato de todas aquelas histórias. 

“A gente estava muito em choque com tudo que estava acontecendo, e a gente queria fazer algo”, contou a diretora a jornalistas, depois da exibição do filme no Cinesur.

Ao todo, as inundações do Rio Grande do Sul impactaram 478 das 497 cidades gaúchas, afetando diretamente cerca de 2,4 milhões de habitantes. O número de vítimas fatais chegou a 184, além de 806 feridos e 25 pessoas até hoje dadas como desaparecidas. Além disso, quase 200 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas em todo o estado.

Passado que se repete

A intenção do filme, disse a diretora, é mostrar a urgência climática no mundo atual. Apesar disso, seu documentário não deixa de mostrar que o passado vai se repetindo, sem que soluções sejam encontradas. 

Em Rua do Pescador nº 6, Bárbara Paz busca justapor imagens do presente a de cenas das enchentes ocorridas no mesmo Rio Grande do Sul em 1941. 

“É um ensaio sobre a tragédia”, definiu a diretora sobre seu longa documental.

“Quando eu vi o material de arquivo das enchentes de 1941, elas eram iguais. Havia animais em cima dos telhados, pessoas em abrigos, só mudavam as vestimentas e os telhados das casas. Acho que as imagens são como um poema sobre o desastre, sabe? É uma costura em que você não precisa gritar e botar legenda, porque as imagens estão falando”.

Segundo Bárbara Paz, essa justaposição de duas grandes tragédias, separadas pelo tempo, mas muito semelhantes, mostra a urgência de ações pelo clima. 

“Cada vez mais as águas estão subindo, as florestas estão sendo queimadas e a destruição está acontecendo. Isso é quase como um prólogo do que pode acontecer”, reforçou a diretora. 

“Eu tive que deixar um registro, potente, para daqui a 50 anos, porque a gente não sabe o que vai acontecer com esse planeta. Mas esse registro está aí”, afirmou.

De dentro para fora

O documentário começa mostrando a destruição vista de cima e só então vai entrando dentro das casas, já destruídas e cheias de lama. Sem narração, o que a câmera desse documentário faz é escutar as vozes marcadas por perdas, memórias e ausências. 

“Eu queria fazer um filme de dentro para fora. Eu queria esse silêncio para retratar as pessoas. Eu não queria que eles falassem deles, eu queria apenas mostrar aquelas pessoas”, disse.

A diretora espera que seu longa documental alcance mais público. Principalmente os que podem ajudar a mudar a realidade. Seu desejo é que ele possa ser exibido na 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que será realizada neste ano, em Belém, no Pará. 

“Espero que meu filme esteja na COP porque ele é um documento. Ele precisa ser visto para que isso não se repita. Essa é uma questão muito urgente. Eu falo que meu filme é apenas um micro dentro desse macro, fazendo um zoom sobre um vilarejo de Porto Alegre”, alerta.

“Essa crise climática é só o começo. Isso não vai parar. Cada vez mais é preciso ter documentos, retratos, filmes, registros, e falar sobre esse assunto. É preciso trazer a urgência desse tema”, defendeu Bárbara Paz.

Cinesur

O Cinesur é um festival de cinema que vai até o próximo dia 2 de agosto na turística cidade de Bonito. Neste ano, o festival está exibindo 63 filmes de nove países da América do Sul, além de promover debates, seminários e cursos de formação. 

Outras informações sobre o festival podem ser obtidas no site do evento.

* A repórter viajou a convite do Festival de Cinema Sul Americano Bonito Cinesur 2025

Fonte: Agência Brasil

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