
Polícia Federal caça “piratas digitais” e bloqueia R$ 33 milhões da TV Box ilegal
A ação mobilizou 38 policiais federais e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão: oito em Curitiba (PR), três em Foz do Iguaçu (PR) e um...
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Por Fábio Wronski

A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira, 29 de julho de 2025, uma operação para desarticular uma suposta organização criminosa especializada na importação, distribuição e venda de aparelhos ilegais de IPTV, conhecidos como “TV Box” e “Gatonet”. O esquema, que movimentou valores milionários, operava com elevado grau de sofisticação, envolvendo logística transnacional e estrutura empresarial de fachada.
A ação mobilizou 38 policiais federais e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão: oito em Curitiba (PR), três em Foz do Iguaçu (PR) e um em Brasília (DF). Entre as medidas cautelares de grande impacto, destacam-se o bloqueio de valores de até R$ 33 milhões, o sequestro de veículos e imóveis, além do bloqueio de sites utilizados para a venda dos aparelhos ilegais.
As investigações tiveram início após denúncia de uma entidade representativa do setor de telecomunicações, que identificou a comercialização de dispositivos eletrônicos destinados à recepção indevida de sinais de TV. Segundo apurado, o site responsável era administrado por um casal residente em Curitiba, que utilizava empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos lucros.
O aprofundamento das investigações permitiu à Polícia Federal mapear outro casal, também residente em Curitiba, bem como familiares vinculados ao grupo, todos atuando no mesmo ramo e viabilizando a estrutura de vendas para todo o território nacional.
O fornecimento dos aparelhos era realizado a partir da fronteira com o Paraguai, de forma clandestina, via Foz do Iguaçu (PR), por indivíduos especializados no contrabando. Os dispositivos ingressavam no país sem o recolhimento de tributos, configurando crime de contrabando, uma vez que a comercialização desses equipamentos é proibida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A distribuição era centralizada em Curitiba e destinada a consumidores de diversas regiões do Brasil.
A Polícia Federal identificou uma estrutura criminosa organizada, com divisão clara de funções entre importadores, operadores logísticos, intermediários financeiros e comerciantes digitais. Foram detectadas movimentações financeiras milionárias, incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Apenas um dos casais investigados apresentou indícios de enriquecimento ilícito de aproximadamente R$ 5 milhões, com aquisição de imóveis, veículos e artigos de luxo.
A investigação aponta a prática dos crimes de contrabando, violação de direitos autorais, desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicações e organização criminosa. Os mandados foram expedidos pela 9ª Vara Federal de Curitiba, que também determinou o bloqueio de bens e ativos para garantir eventual ressarcimento ao Estado, além do bloqueio de sites usados na comercialização dos aparelhos ilícitos.
As apurações permanecem em andamento, com o objetivo de identificar outros participantes e aprofundar o mapeamento da rede de pirataria digital, que, segundo os investigadores, causava prejuízos expressivos ao setor audiovisual e à ordem econômica nacional.
A operação foi batizada de PRAEDO, termo em latim que significa “pirata”, em referência à prática de pirataria digital viabilizada pelos dispositivos comercializados ilegalmente. Os aparelhos permitiam acesso não autorizado a conteúdos pagos de televisão por assinatura e serviços de streaming, sem qualquer remuneração aos legítimos detentores dos direitos autorais.
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