Monges na metanfetamina, milhões desviados e sexo proibido abalam templo tailandês
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Por Silmara Santos
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Uma operação policial realizada no monastério Wat Prathom, na província de Phichit, norte da Tailândia, revelou um escândalo de grandes proporções envolvendo monges budistas. A ação, que contou com a participação de 30 agentes, resultou na descoberta de uso de metanfetamina por parte dos religiosos, além de desvio milionário de recursos, pornografia e relações sexuais proibidas entre membros do alto clero e uma mulher identificada como Wirawan Emsawat, conhecida como Sika Golf.
Durante a operação, seis monges testaram positivo para metanfetamina e foram imediatamente expulsos do monaquismo na última segunda-feira (21). O episódio ocorreu durante o Retiro das Chuvas, um dos períodos mais sagrados do calendário budista. Dos 18 monges presentes no templo, um terço foi flagrado no exame toxicológico. Os religiosos foram enviados a centros de reabilitação, conforme informou o vice-governador de Phichit, Kitipon Wetchakul.
A polícia apreendeu comprimidos de metanfetamina escondidos nos aposentos dos monges, acessórios para consumo de drogas, além de uma arma caseira e munições. A ação fez parte de uma operação mais ampla, realizada simultaneamente em templos de 12 distritos da província.
O escândalo envolvendo drogas veio à tona em meio a outra grave denúncia: Wirawan Emsawat, Sika Golf, foi presa sob acusação de desviar cerca de R$ 66 milhões de templos budistas. Segundo as investigações, ela mantinha relações sexuais com monges e políticos, utilizava o dinheiro desviado para jogos de azar e luxo, armazenava mais de 80.000 arquivos pornográficos em seus celulares e chantageava os envolvidos com vídeos explícitos. A acusada também afirmou ter filhos com alguns religiosos. As revelações surgiram após buscas da polícia em sua residência, em Bangcoc. Ela responde por lavagem de dinheiro, receptação e apoio ao desvio de verbas religiosas.
Diante da gravidade dos fatos, o Conselho Supremo Sangha, órgão máximo do budismo tailandês, declarou que está revisando seus regulamentos. Entre as propostas em análise estão a aplicação de penas de prisão de até sete anos para monges que cometam violações graves e multas de até 140 mil baht (R$ 24 mil). Penalidades semelhantes poderão ser aplicadas a civis envolvidos com monges em atos sexuais.
A sucessão de escândalos envolvendo o clero budista tem abalado a confiança da sociedade tailandesa. O voto de celibato, obrigatório para todos os monges, exige o afastamento dos desejos mundanos, mas casos recorrentes de corrupção e violações sexuais vêm minando a credibilidade da instituição religiosa em um dos países mais devotos do mundo.
Com informações de Agência GBC.