
Casa de Rui Barbosa passa por obra para garantir segurança de acervo
A reforma é para proteger o acervo e preservar a memória do patrimônio da instituição vinculada à Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), do Ministério da......
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Por CGN

O Museu Casa de Rui Barbosa (MCRB), em Botafogo, zona sul do Rio, passa por obras para modernização das instalações elétricas, implantação de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e instalação de um novo sistema de combate e prevenção a incêndios, baseado em boas práticas de prevenção, atualização e normatização das instalações prediais.
A reforma é para proteger o acervo e preservar a memória do patrimônio da instituição vinculada à Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), do Ministério da Cultura. Para evitar que se repitam danos como os causados pelo incêndio no dia 2 de setembro de 2018, no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, o foco da reforma é reduzir ao máximo os riscos de sinistros de grandes proporções.
“Todo esse conjunto de intervenções está no sentido de colocar o Museu, que é parte da história republicana do Brasil, no século 21”, apontou o presidente da Fundação, Alexandre Santini em entrevista à Agência Brasil, acrescentando a dimensão da acessibilidade da instituição, que instalou elevador e rampas, medidas que já tinham sido recomendadas pelo Ministério Público.
De acordo com o presidente, as obras na parte elétrica atendem demandas de mais de uma década. Apesar de às vezes parecerem invisíveis aos olhos do público, são necessárias e já tinham um caráter de certa urgência.
“A gente está falando de situações que podem ser riscos ao patrimônio, aos usuários, aos trabalhadores e servidores. Essa é uma intervenção, que não só diminui riscos, como oferece segurança e tem uma ação também de preservação, de cuidado com o patrimônio cultural. São muitas dimensões que uma intervenção desta, embora gere um transtorno momentâneo, no sentido da interrupção parcial de algumas atividades, da frequência e da visitação, ela na verdade cuida do patrimônio para o futuro”, indicou.
Entrega
A expectativa é que as obras da parte elétrica sejam concluídas até novembro, porque no dia 5 deste mês se comemora o Dia Nacional da Cultura, que foi estabelecido nesta data porque é aniversário de Rui Barbosa. “É uma ocasião que a gente tem grandes celebrações aqui na Casa. Então, a gente espera que nesta oportunidade já possa concluir a obra e reabrir plenamente as atividades do Museu”, estimou.
O presidente lembrou que a criação do Museu Casa de Rui Barbosa, o primeiro no Brasil nesta modalidade e que se tornou referência para outros Museus Casa que existem no país, completa 95 anos no próximo dia 13 de agosto. “Já é, para nós, o início da preparação dos 100 anos do Museu, que ele possa chegar aos 100 anos totalmente recuperado. A gente está começando por aquilo que não é perceptível aos olhos, mas que é fundamental na perspectiva da preservação. A gente está abrindo esse calendário rumo aos 100 anos do Museu cuidando daquilo que é fundamental, que é a segurança e a preservação do patrimônio”, adiantou.
Rio de Janeiro (RJ), 24/07/2025 – Obras do Museu Casa de Rui Barbosa. Foto: Marcela Canéro/FCRB – Marcela Canéro/FCRB
Adutoras
Outra necessidade que também se arrastava está a caminho de ser resolvida. É a desativação das adutoras, instaladas ao fim da década de 1920, que atravessam o terreno da Fundação. O remanejamento da estrutura será feito pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), que já concluiu o processo de licitação e contratou a empresa responsável pela obra. “A medida elimina o risco de um rompimento das adutoras dentro da área do jardim histórico, assim como as consequências que um rompimento poderia trazer à estrutura do Museu e ao acervo que ele guarda”, informou a Fundação.
Retomada
Para a museóloga e pesquisadora Aparecida Rangel, que faz parte da equipe da Fundação há mais de 20 anos, é muito prazeroso ver a retomada do Ministério da Cultura, extinto no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e novos investimentos na Casa de Rui Barbosa. “É uma responsabilidade lidar com o patrimônio público. Tudo que está lá pertence ao Brasil. A gente precisa, por direito, zelar por esses bens “, disse a chefe do Museu Casa de Rui Barbosa.
“É um sentimento de orgulho que a gente tem em ver o patrimônio sendo preservado com essa qualidade e essa dedicação. Vai ficar para muitas gerações”, apontou.
Criação
A Fundação Casa de Rui Barbosa tem origem no Museu Casa de Rui Barbosa, instituição que completará 100 anos de inauguração em 2030. Em 1966, o Museu foi transformado em Fundação Casa de Rui Barbosa e passou a fazer parte do Centro de Memória e Informação (CMI), que na estrutura da Fundação é a instituição responsável pela gestão dos acervos.
“Nós temos acervos muito variados. Dentro do CMI a gente conta com serviço de biblioteca, com o AMLB, que é o Arquivo Museu de Literatura Brasileira, com o Arquivo Histórico Institucional e com o Museu Casa de Rui Barbosa. O AMLB gerencia cerca de 120 arquivos de escritores, como Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Pedro Nava, Drummond. É um acervo muito variado que inclui não apenas os manuscritos desses escritores, mas também acervo museológico, como a poltrona do Manuel Bandeira. Uma gama muito variada de objetos”, disse a museóloga.
“O arquivo institucional conta com o arquivo que originou a Fundação, que é o arquivo de Rui Barbosa, que hoje tem a chancela da Unesco de Arquivo do Mundo”, comemorou.
Na opinião da pesquisadora, talvez o maior patrimônio dentro do Museu seja a Biblioteca, importante por ser parte da residência histórica que abrigou a família do jurista. Segundo explicou, a casa é um patrimônio em si e a biblioteca está inserida nele.
“São cerca de 35 mil volumes de obras, algumas raras, até do século 16. O Rui Barbosa era um homem ligado ao conhecimento. Eu brinco muito quando recebo o público e quando a gente entra na Biblioteca eu falo ‘aqui é o Google da época’, porque todos os assuntos que se imaginar daquele momento estão presentes ali”, afirmou, acrescentando que embora Rui Barbosa fosse um homem da área de Direito e jornalista, a biblioteca conta com romances, obras de religião e do poeta Dante Alighieri, entre outros, em vários idiomas.
De acordo com Aparecida, o espaço cultural está inserido na categoria de Museu Casa, com o acervo pessoal da família, além dos elementos da vida dos personagens que moraram lá. Ela destaca que, durante muitos anos, o personagem principal era Rui Barbosa, mas sobretudo, de 2014 para cá, começaram a ter destaque os chamados personagens invisibilizados, como a mulher dele, Maria Augusta.
“O que a gente sabia dela era sempre por adjetivos relacionais: a mulher atrás de um grande homem, a esposa amantíssima, dedicada. A gente tem agora algumas pesquisas que tentam trazer à tona esta mulher. Assim também, uma pesquisa sobre os empregados, tem um livro publicado por um antigo mordomo, que é Rui na Intimidade. É um livro importantíssimo para as nossas narrativas porque mostra um Rui no cotidiano, não apenas o mito, um jurista, um Rui do dia a dia tendo uma vida comum”, relatou a curiosidade do acervo.
A rotina familiar com padrão de classe alta pode ser constatada por aspectos do imóvel, que tem dois banheiros, o que era incomum para uma residência no século 19. Sala de jantar, de almoço, uma série de gabinetes de trabalho, quarto de vestir, cozinha com fogão a lenha. Tem ainda a garagem com os carros que pertenceram a família, um com motor e outros três movidos a tração animal.
“A casa está preservada nos seus ambientes originais. O visitante tem acesso a essa experiência”, disse. O quintal da casa hoje é o jardim histórico da Fundação Casa de Rui Barbosa, que segue normas internacionais de preservação. Muitas árvores são ainda da época em que o jurista viveu lá.
A Fundação Casa de Rui Barbosa tem planos para a sua ampliação e desenvolve projetos para a construção de um prédio anexo em um terreno de três casas compradas pela instituição, que agora trabalha para conseguir recursos. Segundo a museóloga, será um prédio moderno com a condição necessária para o crescimento do acervo.
“O AMLB recebe constantemente doações de novos escritores, o Arquivo Histórico Institucional cresce diariamente, assim como a Biblioteca, com sistema composto pela Biblioteca São Clemente, a Rui Barbosa e a infanto juvenil Maria Mazetti, que é uma joia na Casa de Rui Barbosa e faz trabalho de incentivo à leitura”, completou.
Fonte: Agência Brasil
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