Você se lembra dos furtos que deixaram escolas de Cascavel sem luz? Saiba o que aconteceu
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Por Redação CGN
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Durante as férias escolares, enquanto estudantes descansavam em casa, um homem fazia das unidades de ensino o palco de uma série de furtos em Cascavel. De janeiro a fevereiro de 2025, seis crimes foram registrados em três escolas públicas, sempre no período noturno, com o mesmo alvo: fiação elétrica de cobre.
As ações foram atribuídas a um único acusado, um homem em situação de rua, dependente químico, que invadia os prédios escolares pulando muros, arrombando portas e caixas de energia. O material furtado era vendido ou trocado por crack, segundo ele mesmo confessou.
Ao todo, os prejuízos ultrapassaram os R$ 24 mil para os cofres do Município, que precisou repor a infraestrutura elétrica das escolas. Em algumas delas, os crimes afetaram até o funcionamento das aulas.
A “rota da fiação”: crimes em série
A sentença judicial, da 4ª Vara Criminal de Cascavel, detalha a repetição do mesmo padrão criminoso: primeiro, a Escola Municipal Ivone Varela dos Passos foi atacada três vezes, nos dias 3, 6 de janeiro e 2 de fevereiro. Segundo relato da diretora, a unidade ficou sem energia elétrica por quase todo o mês, com dificuldades para retomar o funcionamento.
Depois, o alvo foi a Escola Municipal Inglacir Lourdes Farina, que teve a fiação furtada duas vezes, uma delas na véspera do retorno às aulas, o que obrigou alunos e funcionários a enfrentarem o calor e a escuridão no início do ano letivo.
O último ataque aconteceu no CMEI Professora Silvia Vieira Fabro, onde o réu foi preso em flagrante. Guardas Civil Patrimoniais, o encontraram agachado perto de um muro, escondido. Embora ele alegasse que estava apenas se refugiando, as imagens de segurança mostraram o homem tentando acessar a casa de depósito da unidade. A tentativa de furto foi frustrada.
De boné e tatuagem
Apesar de tentar dificultar o reconhecimento, o réu acabou sendo identificado com base nas imagens das câmeras de segurança. Uma tatuagem no antebraço direito, visível nas gravações, ajudou a confirmar sua identidade.
Em uma das gravações analisadas no processo, um homem aparece com uma enxada nas costas dentro da escola — imagem considerada compatível com a dinâmica do crime. A Justiça entendeu que se tratava do réu, que confessou os furtos cometidos naquela unidade.
“Não lembro de tudo, estava sempre drogado”
Em juízo, o acusado confessou a maior parte dos crimes, dizendo que havia voltado ao vício em drogas após sete anos limpo. Morando nas ruas, admitiu que subtraía fios de cobre para trocar por crack. A confissão, segundo a sentença, foi considerada atenuante, mas não o livrou da condenação.
“Estava sempre drogado, não tenho lembranças precisas dos furtos, mas acredito que entrava nas escolas pulando os muros”.
disse o réu em juízo
A condenação
O réu foi condenado a 5 anos, 3 meses e 22 dias de prisão em regime semiaberto, mais 187 dias-multa. Além disso, terá que indenizar o Município de Cascavel em R$ 17.165,61 pela Escola Ivone Varela e R$ 7.285,13 pela Escola Inglacir Farina.
Mesmo após a condenação, o homem poderá responder em liberdade até o trânsito em julgado da decisão, pois teve a prisão preventiva revogada.
E as aulas?
Embora os danos não tenham comprometido por completo o ano letivo, o impacto foi sentido. Em depoimento, uma das diretoras relatou que a escola ficou sem energia elétrica por quase todo o mês de janeiro, e que os servidores — ela, a secretária e a coordenadora — sofreram atrasos no trabalho por conta da falta de luz.
Já em outra unidade, os funcionários chegaram a trabalhar no escuro por cerca de uma semana. Em ambas, os crimes causaram prejuízos administrativos e exigiram esforço extra das equipes para garantir o retorno das atividades escolares.