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Imagem referente a Jumento brasileiro corre o risco de ser declarado extinto até 2030
Foto: Pexels

Jumento brasileiro corre o risco de ser declarado extinto até 2030

A procura pelo colágeno extraído da pele do jumento, utilizado na medicina tradicional chinesa para a fabricação do ejiao — um tônico valorizado por supostos benefícios...

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Por Silmara Santos

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Foto: Pexels

O jumento brasileiro, animal emblemático do semiárido nordestino, corre o risco de ser declarado extinto até 2030. Nos últimos vinte anos, a população da espécie caiu 94%, de 1,3 milhão para menos de 100 mil indivíduos. O principal fator por trás do declínio acelerado é o avanço da indústria de exportação de peles para a China, impulsionada pela crescente demanda internacional por colágeno.

A procura pelo colágeno extraído da pele do jumento, utilizado na medicina tradicional chinesa para a fabricação do ejiao — um tônico valorizado por supostos benefícios à saúde —, resultou no abate em massa de milhares de animais no Brasil, especialmente no Nordeste. Pesquisadores alertam que o ritmo da exploração coloca a espécie sob ameaça real de extinção em um curto espaço de tempo.

Além da pressão do mercado externo, a ausência de políticas públicas eficazes e o abandono dos animais após a mecanização do campo contribuíram para o declínio populacional. O jumento, que por décadas foi essencial para o transporte de água, alimentos e pessoas no sertão, perdeu espaço e proteção, tornando-se alvo fácil para a indústria exportadora.

O abate dos animais ocorre, segundo especialistas, de forma acelerada e muitas vezes sem controle sanitário ou respeito ao bem-estar animal. Denúncias recorrentes apontam para maus-tratos, transporte em condições precárias e violações ambientais em matadouros voltados à exportação. A fragilidade na fiscalização agrava o cenário, dificultando a contenção dos impactos negativos sobre a espécie.

Símbolo da resistência e da cultura nordestina, o jumento está presente no imaginário popular, em músicas, cordéis e festas tradicionais. Sua importância histórica para a vida no campo é reconhecida por pesquisadores e defensores da causa animal, que veem com preocupação a possibilidade de extinção.

Organizações de proteção animal têm cobrado a suspensão imediata das exportações, a criação de programas de conservação e a valorização do jumento como patrimônio nacional. Especialistas alertam que, sem medidas urgentes e específicas para o manejo sustentável da espécie, o Brasil pode assistir ao desaparecimento definitivo de um de seus mais tradicionais símbolos culturais e históricos.

Fonte: Metrópoles

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