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Mulher denuncia caso de injúria racial em ônibus do transporte público

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A mulher recorda que chegou a olhar para a senhora e até pensou que ela era bonita, mas não houve qualquer interação além disso.
Mulher denuncia caso de injúria racial em ônibus do transporte público

Por Allan Machado

Atualizado em

Uma mulher relatou ter sido vítima de injúria racial enquanto utilizava o transporte público em Cascavel. Segundo seu depoimento, ela embarcou em um ônibus no Terminal Nordeste com destino ao Terminal Oeste e, ao se acomodar em uma das poltronas, notou que o entorno imediato estava vazio — não havia ninguém ao seu lado, à sua frente, nem nas proximidades diretas, exceto por uma senhora branca, de cabelos e olhos claros, sentada na diagonal.

A mulher recorda que chegou a olhar para a senhora e até pensou que ela era bonita, mas não houve qualquer interação além disso. Seguiu sua viagem concentrada em seu celular. Em determinado ponto do trajeto, a senhora se levantou, entregou-lhe um bilhete em silêncio e desceu do ônibus. No bilhete, estava escrito: “Antes de descer, limpe o banco para que outra pessoa não sente e se suje.”

Num primeiro momento, a vítima relatou ter ficado confusa, pois sua roupa estava limpa, o banco não apresentava qualquer sujeira visível e não havia nada em sua volta que justificasse aquele recado. Achando estranho, ela descartou o bilhete após tirar uma foto e enviou a imagem para algumas amigas.

Ao compartilhar a situação, as amigas questionaram se não poderia se tratar de um ato de racismo. Elas apontaram que, como não havia nada sujo no ambiente, a senhora provavelmente se referia à presença da própria vítima no banco. Esse questionamento provocou um choque na mulher, que passou a considerar que, de fato, poderia ter sido alvo de injúria racial — algo que nunca havia enfrentado antes, e que talvez não tenha percebido de imediato.

Sentindo-se abalada e buscando orientação, a mulher conversou com seu irmão, que a aconselhou a registrar um boletim de ocorrência (BO) e tentar obter imagens da senhora envolvida, para que o caso não passasse impune. Ela dirigiu-se inicialmente a uma unidade policial próxima à região da padaria Big Pão, onde foi atendida por uma policial que demonstrou empatia e indicou que ela deveria procurar a 15ª Delegacia para formalizar a denúncia e solicitar as imagens do terminal.

Antes disso, a vítima ainda passou no terminal e tentou obter as imagens diretamente com a equipe da guarita, mas foi informada de que apenas a polícia poderia requisitá-las.

De patinete, seu meio de transporte, ela foi até a 15ª Delegacia, localizada nas proximidades do bairro Ciro Nardi. Ao chegar, antes mesmo de entrar, ouviu um comentário do policial da recepção: “Deixa esse troço lá fora.” Sentindo-se desconfortável, ela deixou o patinete do lado de fora e retornou, perguntando se precisava retirar alguma senha. O policial, segundo ela, respondeu: “Não, o que foi?” Após explicar que queria fazer uma denúncia, ele apenas disse: “Ah, então denuncie.”

Ela prosseguiu, explicou o ocorrido dentro do ônibus e mencionou o bilhete. O policial então afirmou que nada poderia ser feito, que seria necessário o flagrante para caracterizar o crime, e que, segundo ele, tratar-se-ia de “uma agulha no palheiro”. Disse ainda que a policial que a orientou a ir até ali estava apenas “sacaneando” a mulher, pois ali não poderiam fazer nada.

Sentindo-se humilhada e desamparada, ela deixou a delegacia abalada, ligou para o irmão e chorou. Ainda retornou ao local para tentar identificar o policial, e, ao fazê-lo, ouviu outra servidora comentar, em tom de desprezo: “Olha lá, voltou.”

A mulher relatou ter se sentido desrespeitada. Ela enfatizou que o mínimo que esperava, ao buscar ajuda para denunciar um crime, era acolhimento e orientação.

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