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Pressão intracraniana: como saber se está elevada, como no caso de Chico Buarque?

“A pressão intracraniana se dá pelo equilíbrio entre o líquor – líquido que protege o cérebro -, o sangue e o tecido cerebral dentro da caixa...

Publicado em

Por Agência Estado

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O cantor e compositor Chico Buarque, de 80 anos, passou por uma cirurgia para aliviar a pressão intracraniana na manhã desta terça-feira, 3, no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria do artista, o procedimento já estava programado e o músico está bem. A cirurgia feita por Chico se chama derivação ventrículo peritoneal e é considerada simples.

O que é pressão intracraniana

“A pressão intracraniana se dá pelo equilíbrio entre o líquor – líquido que protege o cérebro -, o sangue e o tecido cerebral dentro da caixa craniana”, explica Vanessa Milanese, neurocirurgiã e diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

Quando ocorre um aumento de volume desses líquidos que envolvem o cérebro, a pressão sobe, podendo comprimir o órgão.

O que faz essa pressão subir?

Segundo Vanessa, muitas situações podem fazer a pressão do crânio subir. Entre elas, a presença de tumor cerebral ou hemorragia, causada por algum traumatismo. Outras possíveis razões são derrame e abscesso cerebral.

Existem, ainda, quadros em que a pressão sobe sem uma causa aparente, chamados de hipertensão intracraniana idiopática.

No caso de Chico, ocorreu uma hidrocefalia com pressão normal, quadro em que o aumento da pressão intracraniana é discreto, mas há picos transitórios que afetam a função cerebral. Essas ocorrências, diz a neurocirurgiã, costumam estar relacionadas a uma dificuldade do organismo em reabsorver o líquor.

Quais os sintomas de pressão intracraniana elevada?

Os sintomas incluem visão dupla, fadiga, dor de cabeça (súbitas e intensas), perda da visão periférica (lateral), náuseas e vômitos, dor no ombro e pescoço, cegueira temporária ou pontos cegos na visão e zumbido nos ouvidos.

Além disso, especialmente nas hidrocefalias de pressão normal, podem ocorrer instabilidade ao caminhar, incontinência urinária e lentidão no raciocínio, além de piora progressiva e quedas frequentes.

Como diagnosticar o problema?

O diagnóstico é feito por meio de consulta clínica, exames de imagem e, se necessário, o chamado TAP Test, investigação que envolve a realização de uma punção, na qual é retirada uma quantidade específica de líquido.

Como é o tratamento? É sempre cirúrgico?

O tratamento pode incluir o uso de remédios para controlar a pressão ou a produção do líquor. No entanto, segundo Vanessa, a medicação é considerada como ponte ou medida paliativa em casos selecionados. A médica indica que, geralmente, intervenções cirúrgicas se fazem necessárias.

É possível evitar o problema?

De acordo com Vanessa, não é possível evitar o problema, já que geralmente ele é causado por alterações na absorção do líquor e o próprio envelhecimento do sistema nervoso central.

O que é derivação ventrículo peritoneal, procedimento feito por Chico Buarque?

É um procedimento cirúrgico no qual é feita uma incisão no couro cabeludo e um pequeno orifício no crânio, aproximadamente do tamanho de uma moeda de um centavo. Por esse orifício, um cateter é inserido em uma cavidade do cérebro para permitir a drenagem do líquor (o líquido que circula na região do cérebro e da medula).

Esse tubo é ligado a uma válvula que controla a saída do líquido e, depois, segue por baixo da pele até o abdômen, onde o líquido é absorvido pelo corpo.

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