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Picchetti: Num contexto de muita incerteza, evita-se dar sinalização clara para mercado

“Então por isso que eu chamei a atenção para esses parágrafos da ata (25º e 26º parágrafos da ata), que tem pouco mais de uma semana....

Publicado em

Por Agência Estado

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O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, disse nesta sexta-feira, 23, que, num momento de incertezas extremas como o atual, evita-se dar uma sinalização clara para o mercado sobre o rumo da política monetária, uma vez que os próprios integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) não têm convicção. Picchetti referia-se a trechos da última ata do Copom, sobre o rumo futuro da taxa Selic, em meio às incertezas atuais.

“Então por isso que eu chamei a atenção para esses parágrafos da ata (25º e 26º parágrafos da ata), que tem pouco mais de uma semana. Assim, num contexto de muita incerteza, você evita dar uma sinalização clara para o mercado porque nós mesmos não temos essa convicção. Então assim, como as coisas estão mudando muito rápido e muito radicalmente, entre as reuniões aparecem novas informações que a gente vai incorporando para tentar ver qual o melhor caminho de decisão para ser seguido”, declarou Picchetti a jornalistas, após participar do XI Seminário de Política Monetária do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Rio de Janeiro.

Em sua explanação durante o evento, Picchetti mencionou que a palavra do ano de 2025 poderia ser incerteza.

“A gente está num mundo agora que a gente não sabe se vai continuar. Mas por enquanto é um mundo diferente de tudo que a gente conheceu. Não é só variáveis econômicas se comportando de alguma forma muito diferente. Institucionalmente você tem um presidente dos Estados Unidos atacando o chairman do FED (Federal Reserve), questionando a legitimidade e a autonomia do FED. Isso tem um impacto muito grande, inclusive ao longo do tempo. De você criar um ambiente institucional onde o impacto sobre o preço dos ativos é uma coisa muito grande”, ressaltou Picchetti.

O diretor lembrou os reflexos de medidas do governo do presidente norte-americano Donald Trump sobre títulos do governo americano, considerados porto seguro especialmente em momentos de aversão a riscos.

“Esse que é o grande desafio agora. Você está vivendo um mundo onde institucionalmente você tem várias ameaças para um conjunto de coisas que de alguma forma ou de outra eram bem entendidas e funcionaram bem no mundo. Comércio é outra delas. A gente sabe, desde o século XIX, que comércio explora vantagem relativas entre os países, é uma coisa que faz todo mundo melhorar. Parece que a gente desaprendeu isso, retrocedeu 200 anos”, disse Picchetti.

Segundo ele, eventos extremos em geral dificultam projeção para cenários na condução da política monetária.

“Incerteza realmente é uma situação que você não consegue nem probabilisticamente fazer uma projeção robusta acerca dela. Então é um desafio, porque não tem a amostra para você fazer isso. Quantos 11 de setembro você teve na vida? Quantos Liberation days? Quando aparece é o tal do cisne negro. Agora, esse é um desafio para o formulador de política econômica, porque você tem que tomar decisão”, contou. “Eu estava tentando trazer do debate, de como a literatura evoluiu em casos como esse, você aliar, dependendo do estágio, do ciclo que você está, de aperto monetário, dependendo das condições, você explorar esse trade-off, esse compromisso entre gradualismo e choques muito fortes.”

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