“Podem me prender. Vou morrer na cadeia”, desafia Bolsonaro sobre processo no STF
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Por Diego Cavalcante
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (16), que não pretende deixar o Brasil, mesmo diante da possibilidade de ser preso. Em tom dramático, Bolsonaro disse acreditar que deve morrer na prisão, considerando sua idade e a saúde debilitada. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo para a rádio Auri Verde Brasil, ao comentar o processo em que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de liderar uma suposta tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em 2022.
“Eu, com 40 anos de cadeia no lombo, não tenho recurso para lugar nenhum, eu vou morrer na cadeia […]”, disse. Em outro momento da transmissão, Bolsonaro chegou afirmar: “Não vou sair do Brasil. Me prendam. Está previsto 40 anos de cadeia, me prendam. Eu estou com 70 [anos] já, quase morri na última cirurgia, vou morrer e não vai demorar.”.
Bolsonaro é réu por cinco crimes graves: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado contra patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado. Caso condenado por todas as acusações, a pena pode ultrapassar 40 anos de prisão.
Durante a live, o ex-presidente voltou a ironizar as acusações, afirmando que não poderia ter participado de uma tentativa de golpe por estar fora do país na época dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. “Qual crime? Crime impossível, golpe da Disney. Junto com o Pateta, com a Minnie e com o Pato Donald, que eu estava lá em Orlando, programou esse golpe aí”, ironizou.
A defesa de Bolsonaro sustenta o mesmo argumento, alegando que ele estava nos Estados Unidos quando os ataques aconteceram. No entanto, os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, do STF, ressaltaram, ainda em março, que não é necessário que o acusado estivesse presente no dia dos atos se tiver contribuído para que eles ocorressem.
Mesmo após enfrentar um delicado procedimento cirúrgico de desobstrução intestinal e ficar 21 dias internado no Hospital DF Star, em Brasília, Bolsonaro anunciou que retomará sua agenda política. Ele pretende estar em Fortaleza na próxima semana.
Sua primeira aparição pública após a internação ocorreu em 7 de maio, quando participou de um ato pró-anistia ao lado de apoiadores, mesmo contra recomendações médicas para evitar aglomerações.
As declarações desta sexta reacendem o clima de tensão política em torno do ex-presidente, que segue tentando mobilizar sua base diante das investigações e do risco iminente de prisão.