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Imagem referente a CIS: Contrato milionário em Cascavel e denúncia de morte por erro médico
Fachada do Ambulatório de Cirurgias Eletivas do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, gerido pelo CIS Centro Integrado em Saúde, empresa contratada por mais de R$ 34 milhões para prestação de serviços médicos e cirúrgicos.

CIS: Contrato milionário em Cascavel e denúncia de morte por erro médico

A ação judicial, protocolada na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Santa Mariana, narra que, em fevereiro de 2022, o filho da autora foi diagnosticado...

Publicado em

Por Redação CGN

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Imagem referente a CIS: Contrato milionário em Cascavel e denúncia de morte por erro médico
Fachada do Ambulatório de Cirurgias Eletivas do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, gerido pelo CIS Centro Integrado em Saúde, empresa contratada por mais de R$ 34 milhões para prestação de serviços médicos e cirúrgicos.

O CIS Centro Integrado em Saúde, empresa privada com sede em Santa Mariana (PR), é alvo de uma ação de indenização por danos morais movida por uma moradora de São Sebastião da Amoreira, que atribui à instituição responsabilidade pela morte de seu filho. Ao mesmo tempo em que enfrenta a acusação judicial, o CIS mantém um contrato de mais de R$ 34 milhões com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), para prestação de serviços médicos e cirúrgicos no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel.

A ação judicial, protocolada na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Santa Mariana, narra que, em fevereiro de 2022, o filho da autora foi diagnosticado com cálculo biliar (pedra na vesícula) e encaminhado para cirurgia no hospital gerido pelo CIS. Após meses de espera, o procedimento foi marcado para 1º de agosto do mesmo ano. A cirurgia foi realizada por incisão, método mais invasivo, em vez da videolaparoscopia, considerada mais adequada ao caso. Durante o pós-operatório, o paciente apresentou reações graves, como aumento abdominal e febre alta. Apesar da piora, a equipe médica teria negligenciado os sintomas e concedido alta no dia seguinte. O jovem faleceu no caminho de volta para casa, dentro de um veículo da prefeitura. A causa da morte, segundo o atestado de óbito, foi tromboembolismo pulmonar.

“Poderiam ter realizado a cirurgia muito antes, poderiam ter realizado tal cirurgia por vídeo, e tendo em vista a debilidade do filho da requerente no pós-cirúrgico, poderiam ter mantido a internação ou encaminhado para um hospital maior. Apesar disso, simplesmente liberaram o filho da requerente para ir para casa que no caminho, faleceu”.

Trecho da ação

A mãe responsabiliza tanto o CIS quanto o município de Santa Mariana, alegando falhas sucessivas de atendimento, desde a demora na cirurgia até a negligência no pós-operatório. A ação destaca que ambas as entidades são solidariamente responsáveis por eventuais danos, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), em casos envolvendo hospitais conveniados ao SUS.

Contrato de mais de R$ 34 milhões com o HUOP

Enquanto responde judicialmente por suposta negligência médica, o CIS Centro Integrado em Saúde mantém atividades de grande vulto financeiro com o poder público. A empresa é a contratada no Contrato nº 145/2024, firmado com a UNIOESTE por meio de dispensa de licitação (nº 154/2024), para atuação no Hospital Universitário do Oeste do Paraná, em Cascavel. O contrato foi assinado em agosto de 2024, com vigência de 12 meses, vencendo em agosto deste ano (2025), e prevê valor global de R$ 34.460.101,00.

O objeto do contrato é a prestação de serviços ambulatoriais e cirúrgicos eletivos e de urgência, abrangendo especialidades como cirurgia geral, ortopedia, urologia e cirurgia vascular. Ao todo, a contratação prevê a realização de até 4.120 procedimentos cirúrgicos, sendo:

  • 1.000 cirurgias gerais eletivas (R$ 4.661.170,00),
  • 1.500 cirurgias ortopédicas eletivas (R$ 22.928.370,00),
  • 500 cirurgias urológicas eletivas (R$ 1.360.775,00),
  • 120 cirurgias vasculares eletivas (R$ 326.586,00),
  • 1.000 procedimentos de urgência (R$ 5.183.200,00).

A execução dos serviços será feita nas dependências do HUOP, mas a empresa também é responsável por disponibilizar estrutura externa para os atendimentos ambulatoriais. A contratada deve manter equipe completa, incluindo médicos especialistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, e fornecer todos os materiais, insumos, equipamentos cirúrgicos, itens farmacológicos, enxoval hospitalar e caixas de instrumentais.

O contrato impõe metas mensais mínimas, como a realização de 380 cirurgias eletivas. Além disso, exige da contratada o cumprimento rigoroso de normas sanitárias, protocolos clínicos do SUS, e a oferta de atendimento humanizado, com garantia de equidade e transparência. Os procedimentos serão regulados pelo Sistema CARE, da Central de Regulação do Paraná.

A contratada também deve apresentar relatórios de produção, garantir a manutenção de profissionais capacitados e imunizados, prover suporte para intercorrências pós-operatórias, e utilizar sistema informatizado de gestão hospitalar, entre outras obrigações.

A responsabilidade da empresa se estende ainda a possíveis danos causados aos pacientes ou ao hospital, e inclui a obrigação de substituir, corrigir ou refazer serviços considerados inadequados. Em caso de falhas, a contratante está autorizada a aplicar penalidades administrativas.

Repercussão e questionamentos

A ação movida em Santa Mariana destaca sobre a atuação do CIS em um momento em que a empresa está envolvida em uma das maiores contratações de serviços médicos do estado e com seu contrato com a Unioeste para vencer. A dualidade entre o valor milionário do contrato e a acusação de negligência médica em outro município do Paraná levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de controle e fiscalização adotados pelo poder público nas contratações com entidades privadas de saúde.

A tramitação do processo judicial revela que o juiz responsável determinou, em abril de 2025, que a parte autora promovesse a regularização formal da ação no sistema judicial, incluindo o Município de Santa Mariana como parte passiva da demanda, uma vez que a municipalidade constava apenas no corpo da petição inicial. Além disso, o magistrado solicitou a comprovação da situação financeira da autora, exigindo a apresentação de documentos como holerite, carteira de trabalho, declaração de imposto de renda dos últimos três anos, certidões de imóveis e de veículos. A análise desses elementos visa a avaliação do pedido de concessão do benefício da justiça gratuita. Essa movimentação processual reforça a seriedade da denúncia e evidencia o andamento formal do caso no Poder Judiciário do Paraná, o que pode gerar repercussões tanto jurídicas quanto administrativas para o CIS Centro Integrado em Saúde, especialmente considerando seu papel como prestadora de serviços contratada pelo Estado para atuar em um dos maiores hospitais públicos da região.

Até o momento, o CIS Centro Integrado em Saúde não se pronunciou sobre o conteúdo da ação judicial ou sobre os procedimentos mencionados. O caso segue em trâmite judicial.

A CGN seguirá acompanhando o processo.

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