
Quem será o novo papa? Lista secreta com 20 nomes “favoritos” agita bastidores do Vaticano
Entre os nomes mencionados no dossiê está o do atual secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, considerado um dos favoritos. Ainda de acordo com o...
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Por Diego Cavalcante
Os cardeais que participarão do conclave a partir desta quarta-feira (7), na Capela Sistina, receberam um dossiê confidencial contendo 20 nomes de possíveis candidatos ao papado. Segundo revelou ao Estadão um dos cardeais eleitores — que preferiu não se identificar — o documento teria como objetivo influenciar os votos e direcionar a escolha do próximo pontífice.
Entre os nomes mencionados no dossiê está o do atual secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, considerado um dos favoritos. Ainda de acordo com o religioso, a tentativa de manipular o processo não parte apenas de fora da Igreja:
— Vêm de dentro também. Existem influências internas tentando criar um clima que não contribui. Há pessoas presas a um passado que não existe mais. Mas o tempo não para, como dizia o cantor, e nós também não podemos parar no tempo — afirmou.
O cardeal classificou o documento como “de altíssima qualidade” e afirmou que “muito dinheiro” teria sido investido em sua produção. Apesar disso, ele minimizou o impacto do material, incluindo-o entre as “bobagens” que circulam nos bastidores do conclave.
O clima tenso na véspera da eleição do novo líder da Igreja Católica tem sido alimentado também por episódios inusitados. No sábado (3), por exemplo, a Casa Branca publicou uma imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vestido como papa. O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, preferiu não comentar o episódio.
As tensões internas não se limitam à disputa entre alas conservadoras e progressistas da Igreja. Segundo o cardeal ouvido pelo Estadão, ambos os lados se sentem pressionados:
— Há os que pedem coragem para avançar e os que querem retroceder. Mas é o Espírito de Deus que nos guia. Se perdemos a dimensão da fé, não faz sentido estarmos aqui — disse.
O dossiê também menciona figuras polêmicas que não são elegíveis para o pontificado, como o cardeal italiano Giovanni Angelo, afastado pelo papa Francisco após ser acusado de má gestão financeira. Condenado em primeira instância, ele expressou desejo de ir a Roma após a morte do papa, mas recuou ao perceber que sua presença seria barrada.
Outro nome controverso é o do cardeal peruano Juan Luis Cipriani, que participou das congregações gerais mesmo sendo acusado de abuso sexual e proibido por Francisco de usar vestes e insígnias cardinalícias.
Como funciona o conclave
Durante o conclave, os cardeais eleitores são isolados na chamada “zona do Conclave”, dentro do Vaticano, e juram manter absoluto sigilo sobre o processo. As votações ocorrem na Capela Sistina. Para que um cardeal seja eleito papa, ele precisa obter dois terços dos votos.
São realizadas até quatro votações por dia — duas pela manhã e duas à tarde. Caso não haja consenso após o terceiro dia, os cardeais pausam o processo por 24 horas para orações. Outra pausa pode ocorrer após mais sete rodadas sem definição.
Se, após 34 votações, ainda não houver um eleito, os dois mais votados passam a disputar em uma espécie de “segundo turno”, mantendo a exigência de dois terços dos votos para a eleição.
Nos últimos 100 anos, os conclaves têm sido relativamente rápidos. O de Francisco, em 2013, e o de Bento XVI, em 2005, foram concluídos em apenas dois dias.
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