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Indústria tem perda acumulada de 1,3% em 5 meses sem crescimento, destaca IBGE

“Com esse resultado, o setor industrial completa o quinto mês seguido sem crescimento na produção. A última vez que tinha acontecido foi em 2015, entre fevereiro...

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Por Agência Estado

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A indústria brasileira não completava cinco meses sem expansão desde o período de fevereiro a julho de 2015. A produção recuou 0,1% em fevereiro ante janeiro. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal e foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Com esse resultado, o setor industrial completa o quinto mês seguido sem crescimento na produção. A última vez que tinha acontecido foi em 2015, entre fevereiro até julho de 2015”, disse André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Nos cinco meses sem crescimentos, a produção industrial acumulou uma perda de 1,3%: outubro de 2024 (-0,2%), novembro (-0,7%), dezembro (-0,3%), janeiro (0,0%) e fevereiro (-0,1%).

“Está muito claro de que, a partir de outubro de 2024, o setor industrial perde intensidade. E ele vem acumulando resultados negativos em sequência”, disse Macedo.

Segundo ele, a perda de fôlego está relacionada a uma série de fatores, como a redução no nível de confiança das famílias; a política monetária restritiva, com elevação da taxa de juros; a questão do câmbio pressionando custos de produção; e a inflação de alimentos, que “impacta de forma mais direta a renda disponível das famílias”.

“São fatores que a gente já vem elencando nos últimos meses para essa perda de intensidade”, disse Macedo.

Na passagem de janeiro para fevereiro, a ligeira queda de 0,1% na produção industrial nacional foi decorrente de perdas em 14 dos 25 ramos pesquisados. A principal influência negativa partiu de produtos farmacêuticos (-12,3%), mas houve contribuições negativas relevantes também de máquinas e equipamentos (-2,7%), produtos de madeira (-8,6%), produtos diversos (-5,9%), veículos (-0,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-1,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,5%) e móveis (-2,1%).

“Há predomínio de taxas (atividades) em queda”, disse Macedo.

Na direção oposta, entre as 11 atividades com avanços, os maiores impactos positivos foram de indústrias extrativas (2,7%) e produtos alimentícios (1,7%).

Quanto ao eventual impacto de um tarifaço anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump, Macedo reconhece que pode trazer reflexos negativos sobre a produção industrial brasileira.

“Todo e qualquer tipo de contratempo para o fluxo da produção, seja no âmbito doméstico seja no âmbito externo, é claro que pode trazer reflexos para a produção”, disse ele, frisando ainda não ser possível prever tais impactos. “Pode ter impacto direto ou indireto.”

Segundo o pesquisador, contratempos que afetem a produção trazem efeitos negativos para a indústria geral ou para setores específicos. “Claro que, de forma mais genérica, isso pode trazer reflexo negativo para a produção nacional”, concluiu.

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