
Família busca justiça após morte de mulher em cirurgia plástica
Após a conclusão da cirurgia plástica, o médico responsável, Marcelo Regianni, alegou que o procedimento havia sido bem-sucedido. No entanto, Claudineia desenvolveu um inchaço anormal no...
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Por Silmara Santos

Uma tragédia médica ocorreu na região Centro-Sul de Belo Horizonte, quando Claudineia Francisca Lima, 46 anos, morreu após complicações decorrentes de uma cirurgia de hérnia e um procedimento estético realizado na última quinta-feira (13/02). A família acredita que um erro médico tenha levado ao seu falecimento.
Após a conclusão da cirurgia plástica, o médico responsável, Marcelo Regianni, alegou que o procedimento havia sido bem-sucedido. No entanto, Claudineia desenvolveu um inchaço anormal no rosto, pescoço e olhos. A plantonista da clínica inicialmente diagnosticou uma reação alérgica, mas, mesmo após a administração de antialérgicos e adrenalina, o inchaço persistiu.
Claudineia foi transferida para outro hospital, onde um médico identificou uma lesão na traqueia, não uma alergia. A lesão era grande o suficiente para permitir que o ar vazasse para outras partes do corpo, possivelmente comprometendo outros órgãos. A suspeita da família é que a lesão tenha sido causada por um erro na ventilação durante a cirurgia plástica.
O Dr. Marcelo Regianni, que realizou o primeiro procedimento, afirma que as intervenções foram feitas sob anestesia geral, que exige intubação. A intubação foi realizada por uma anestesista. Ele atribui a gravidade do caso à sucessão de transferências entre hospitais.
Claudineia passou por um procedimento de alta complexidade para corrigir o problema na traqueia, mas infelizmente teve uma parada cardiorrespiratória grave durante o procedimento e morreu no mesmo dia.
Adenilson Valadares Faria, marido de Claudineia, registrou um boletim de ocorrência alegando negligência médica e o caso agora está sendo investigado pela Polícia Civil. Claudineia, uma pedagoga amada por ex-alunos, amigos e família, deixa dois filhos, de 27 e 21 anos, e dois netos.
Com informações de O Tempo.
*Atualização em 17/02/2025 às 14h54*
Posicionamento Dr Marcelo Reggiani – cirurgião plástico
Após os esclarecimentos já enviados à imprensa e considerando a necessidade de elucidar alguns pontos que porventura não foram compreendidos, reiteramos a distinção entre as responsabilidades médicas da cirurgia plástica e da anestesia.
Reforçamos que não foi de competência do cirurgião plástico a manipulação da traqueia da paciente. A cirurgia plástica não manipula a traquéia em cirurgia abdominal. Não houve intercorrência no procedimento cirurgia plástica. A intubação da paciente foi realizada e ficou a cargo da equipe de anestesia que atua no Hospital ULC, onde a cirurgia foi realizada, como parte do protocolo anestésico. O local possui autorização para a realização segura de diversos procedimentos médicos e cirúrgicos.
O acompanhamento pós-cirúrgico da paciente também era de responsabilidade do Hospital ULC. Ainda assim, o cirurgião plástico manteve contato próximo com a família, oferecendo apoio de forma ética e empática.
O cirurgião e a médica anestesista plantonista, em comum acordo, recomendaram a transferência da paciente para serviço de internação emergencial em um hospital com maior estrutura após detectarem um possível caso de anafilaxia (reação alérgica).
O cirurgião atribui o agravamento do quadro à demora no diagnóstico e tratamento efetivo, ocasionado por sucessivas transferências entre hospitais após a cirurgia plástica e que estão listadas a seguir.
A seguir, reforço de informações do posicionamento enviado em 16 de fevereiro de 2025
Esclarecimentos principais
- O cirurgião perfurou a traqueia da paciente?
Não. A paciente passou por intubação realizada pela equipe de anestesia do Hospital ULC, como procedimento padrão para a cirurgia. Isto é, a traquéia não foi, em momento algum, manipulada pelo cirurgião plástico que realizou cirurgia abdominal na paciente.
- O cirurgião realizou a plástica em uma clínica?
Não. A cirurgia foi realizada no Hospital ULC, localizado no Condomínio Lifecenter, em Belo Horizonte. O ULC é um hospital-dia autorizado pelos órgãos competentes para a realização segura de diversos procedimentos médicos e cirúrgicos.
- O cirurgião tinha conhecimento da lesão na traqueia?
Não. Durante a cirurgia plástica, não houve qualquer intercorrência que indicasse essa complicação.
- Por que o cirurgião recomendou a transferência da paciente para um serviço de emergência?
Devido à gravidade do quadro de anafilaxia e à falta de resposta ao tratamento.
- Quando o cirurgião tomou conhecimento da gravidade do caso?
A gravidade do caso foi confirmada após a realização da tomografia, realizada em outro serviço de saúde, quando o diagnóstico inicial de anafilaxia foi descartado. Nesse momento, o cirurgião plástico teve conhecimento sobre a lesão na traqueia.
Linha do tempo das transferências da paciente
Após a recomendação de transferência pelo cirurgião, a paciente deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Lifecenter, localizado no mesmo complexo do hospital-dia. Durante o atendimento, a equipe de plantão também suspeitou de anafilaxia e conduziu o tratamento com base nesse diagnóstico. No entanto, como a operadora de saúde da paciente não era aceita pelo hospital, a família optou por transferi-la para o Pronto Atendimento do Hospital MedSênior, na Pampulha. Como não havia risco imediato à vida, as equipes do Hospital Lifecenter e do cirurgião apoiaram a transferência.
No MedSênior, a equipe de emergência assumiu a condução do caso e ampliou a investigação diagnóstica, pois o quadro continuava evoluindo mesmo com o tratamento para anafilaxia. Após a realização de uma tomografia, foi identificada lesão na traqueia e recomendada a internação para cirurgia torácica. No entanto, devido ao período de carência do plano de saúde da paciente e à ausência de risco iminente à vida naquele momento, a recomendação foi transferi-la para um hospital público (SUS).
Nesse ponto, a operadora já havia acionado uma ambulância para a transferência. Inicialmente, a família recusou a remoção, mas, após nova avaliação da necessidade, aceitou. Entretanto, foi necessário acionar outra ambulância, o que resultou em um atraso de aproximadamente duas horas na transferência para o Hospital Alberto Cavalcanti, localizado no Padre Eustáquio, isso na sexta-feira (14/02). No sábado (15/02), a paciente passou por um procedimento mais invasivo pela cirurgia torácica, sofreu duas paradas cardíacas e, infelizmente, faleceu.
A anestesista mencionou ao cirurgião algumas hipóteses para a lesão da traqueia, que são descritas na literatura médica como riscos inerentes à manipulação da via aérea para intubação. Entre elas, estão possíveis lesões causadas pela guia utilizada para a intubação ou ruptura provocada pelo próprio tubo.Em observação ao sigilo médico e à LGPD o cirurgião não cita o nome da paciente e de seus familiares, nome da anestesista e nem maiores detalhes sobre o procedimento. No entanto, coloca-se à disposição para o esclarecimento dos fatos.
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