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Imagem referente a Depois dos 50: estágios e novas vagas ajudam na reinserção de pessoas no mercado de trabalho
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Depois dos 50: estágios e novas vagas ajudam na reinserção de pessoas no mercado de trabalho

O movimento de Márcia, que voltou aos estudos com 58 anos de idade, mostra uma retomada das pessoas mais velhas ao mercado de trabalho, às vezes,......

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Por CGN

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Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

“Profe-vovó”. Era assim que Márcia Regina Espinosa era chamada pelas crianças do Centro Municipal de Educação Infantil Zilda Arns, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, onde estagiou nos últimos dois anos. O apelido carinhoso dos pequenos, que têm entre 2 e 3 anos de idade, tem um motivo. Márcia, que hoje tem 62 anos, resolveu retornar à carreira na educação quando já poderia ter idade para se aposentar, e encontrou no estágio uma forma de se reinserir no mercado de trabalho.

O movimento de Márcia, que voltou aos estudos com 58 anos de idade, mostra uma retomada das pessoas mais velhas ao mercado de trabalho, às vezes, começando pelos estágios. No Paraná, a reinserção do público com mais de 50 anos na busca por novas colocações é incentivada pela Secretaria de Estado do Trabalho, Qualificação e Renda (SETR).

No ano passado, a SETR promoveu o primeiro mutirão de empregos para pessoas dessa faixa etária na Agência do Trabalhador de Curitiba, que conseguiu intermediar a colocação de cerca de 500 pessoas no mercado formal. Com isso, houve um crescimento de 38% no número de vagas intermediadas pela Rede Sine no Estado entre 2023 e 2024 para o público com mais de 50 anos, passando de 8.994 para 12.440 de um ano para outro, somando 21.434 colocações em dois anos.

Para 2025, a pasta vai promover cursos de qualificação específicos para esse público, para que possam disputar de forma igualitária com os mais jovens as vagas que demandam formações e conhecimentos específicos. As iniciativas da secretaria buscam ampliar a presença das pessoas com mais de 50 anos no mercado de trabalho e já têm conseguido reduzir o déficit de vagas para essa faixa etária.

Entre janeiro e setembro de 2023, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, apontava um saldo negativo de 6.175 vagas para esse público no Paraná, número que reduziu para 1.420 no mesmo período de 2024. Apesar do saldo negativo, a diferença entre os dois períodos foi significativa.

“A nossa meta agora é passar a ter um saldo positivo na geração de empregos para idosos neste ano no Paraná”, afirma o secretário estadual do Trabalho, Qualificação e Renda, Mauro Moraes. “Além dos mutirões de emprego, vamos oferecer aos idosos a qualificação, para que eles possam disputar com os mais jovens as vagas de emprego, inclusive em áreas mais novas, como a de tecnologia”.

Os cursos serão ofertados em projetos como o Bora Paraná, Qualifica Paraná e as Carretas do Conhecimento, que leva cursos de qualificação profissional para cidades paranaenses através de escolas móveis. “São pessoas que já têm uma experiência de trabalho, mas que não tiveram acesso ao conhecimento que é demandado hoje pelas empresas. A ideia é de que eles possam ter esses empregos que hoje são ocupados principalmente pela juventude”, disse.

EXPERIÊNCIA DE VIDA – Formada no magistério, Márcia já trabalhava com a educação infantil e foi concursada na Prefeitura de Curitiba até o ano 2000, quando se mudou para os Estados Unidos com a família. Dez anos depois, eles voltaram para a Capital, mas ela não conseguiu a reinserção na rede municipal, já que naquele período os concursos passaram a exigir ensino superior.

Nesse período, fez alguns bicos como assistente em escolas e também em outros trabalhos, até que resolveu se dedicar como dona de casa. O desejo de voltar a trabalhar com educação, porém, continuava. E foi com o incentivo da filha que se matriculou no curso de Pedagogia em 2020. “Eu comecei a fazer estágio já no primeiro ano de faculdade. Estagiei por dois anos na Educação Especial, em Curitiba, e depois nos mudamos para Fazenda Rio Grande, onde comecei meu estágio com as crianças pequenas”, conta.

“Foram experiências maravilhosas, que fizeram muito bem para mim. As crianças me chamavam de profe-vovó e eu me dava muito bem com as outras professoras, que eram bem mais novas que eu. Eu tinha elas como minhas filhas”, diz Márcia. “E é um trabalho puxado, que precisa pegar criança no colo, mas eu tinha a mesma disposição que as mais jovens”.

“E essa experiência também abriu novos horizontes para mim. Até eu começar a estudar, só sabia usar o telefone fixo, nem celular tinha. Agora uso tudo, mexo no computador. Fiz todo o curso a distância, online, e ainda paguei a faculdade com o dinheiro do meu estágio”, destaca. “Eu me formo em abril e tenho planos de começar uma pós-graduação, podendo continuar estagiando ainda. Mas vou começar a prestar concursos, não quero parar tão cedo”.

O estágio de Márcia foi intermediado pelo Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR), que busca a inserção de estudantes no mercado de trabalho por meio de programas de estágios e aprendizagem, cursos de capacitação e cidadania e programas sociais. O próprio CIEE/PR, que ofereceu 8.738 vagas em 2024 para todas as faixas etárias e pretende ampliar em 10% esse número neste ano, vê um aumento na procura de estágio por pessoas com 60 anos ou mais.

Segundo a supervisora operacional do CIEE/PR, Ilsis Cristine da Silva, as áreas mais procuradas por esse público são administração e pedagogia, e as próprias empresa têm tido interesse nas pessoas mais velhas por causa da experiência e comprometimento.

“Sentimos a necessidade, no último ano, de fazer a inclusão dessa faixa etária no mercado de trabalho, porque vemos um movimento de pessoas com 50, 60 anos, buscando as instituições de ensino superior, seja para buscar ou retomar um curso, fazer uma segunda graduação ou mesmo uma especialização”, explica. “As próprias empresas têm buscado esse público, ainda como reflexo da pandemia, já que os jovens querem trabalhos home office ou não se interessam por certas atividades. Elas acham vantajoso contratar pessoas mais velhas, porque têm experiência e comprometimento, já que há toda uma questão motivacional por retornarem ao mercado de trabalho”.

ÍNDICE DE ENVELHECIMENTO – A inserção no mercado de trabalho do público idoso vem ao encontro da mudança das projeções que apontam um envelhecimento da população. Até 2027, o número pessoas com mais de 60 anos de idade no Paraná deve superar a proporção daquelas com menos de 15 anos.

É que aponta um levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) com base nas projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feitas a partir de dados do Censo 2022. O cenário traçado pelo IBGE aponta que esta é uma tendência que deve se acentuar ao longo das próximas décadas. Em 2046, o Índice de Envelhecimento aponta que o número de idosos será o dobro do de jovens.

Fonte: AEN

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