
Neil Gaiman, autor de biografias e quadrinhos é acusado de abusos sexuais
Na reportagem de capa intitulada “Não Existe Palavra Segura”, Shapiro conversou com oito mulheres que compartilharam relatos de agressão, coerção ou abuso por parte de Gaiman,...
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Por Diego Cavalcante

Na última edição da revista New York Magazine, a repórter Lila Shapiro mergulha nas acusações de agressão sexual contra Neil Gaiman, renomado escritor britânico de fantasia, cujas obras já venderam mais de 50 milhões de cópias em todo o mundo e foram amplamente adaptadas para o cinema e a televisão, começando com Coraline em 2009.
Na reportagem de capa intitulada “Não Existe Palavra Segura”, Shapiro conversou com oito mulheres que compartilharam relatos de agressão, coerção ou abuso por parte de Gaiman, incluindo Scarlett Pavlovich, que trabalhou como babá para Gaiman e sua segunda esposa, Amanda Palmer. Gaiman, por meio de seus representantes, afirma que todos os encontros foram consensuais. Nesta edição, Pavlovich conta sua própria história, em detalhes perturbadores, pela primeira vez.
As acusações contra Gaiman vieram à tona pela primeira vez no verão passado, no podcast Master, da Tortoise Media. Shapiro afirma que o contraste entre a imagem pública de Gaiman e as alegações chamou sua atenção, levando-a a acreditar que havia ainda mais para ser investigado.
Ela acompanha a carreira de Gaiman desde a adolescência e já havia escrito sobre ele e Palmer em 2018, durante o desfile Mermaid Parade em Coney Island. “Gaiman se descreve como um escritor feminista há décadas. Ele era alguém que falava diretamente com as mulheres, que fazia com que elas se sentissem vistas e seguras. Então, percebi imediatamente a dissonância entre quem ele diz ser e essas histórias,” afirma Shapiro. Gaiman tem a reputação de ser não apenas um dos maiores escritores de quadrinhos modernos, mas também um dos primeiros a atrair um grande público feminino.
Muitas das acusações contra Gaiman envolvem violência autoritária, um aspecto associado ao BDSM, “uma cultura com normas estabelecidas há muito tempo, sendo a mais importante que todas as partes envolvidas devem consentir de forma clara e entusiástica com a dinâmica geral e com cada ato antes de se envolverem”, escreve Shapiro.
Ela relata que sete das oito mulheres com quem conversou disseram não ter interesse em BDSM, embora em algum momento tenham cedido. “A característica definidora do BDSM é o consentimento, e há um foco maior no consentimento do que fora desse contexto. Se apenas uma das partes consente, não é BDSM, mas abuso,” explica Shapiro.
Em janeiro de 2023, Pavlovich registrou um boletim de ocorrência alegando agressão sexual por parte de Gaiman durante o período em que trabalhava como babá, embora, segundo um porta-voz, o “caso tenha sido encerrado”. A carreira de Gaiman foi afetada de forma limitada, com novas séries e temporadas previstas para estrear na Amazon Prime e na Netflix este ano.
Um divórcio conturbado e uma batalha pela custódia com Palmer já duram cinco anos. A reportagem também explora o colapso do casamento de Gaiman e Palmer no mesmo período em que ocorreram muitas das alegações de agressão, além de questionar o que Palmer sabia sobre a natureza dos relacionamentos de Gaiman fora do casamento.
Na mesma edição, Kerry Howley escreve um relato em primeira pessoa sobre os incêndios florestais em Los Angeles, Allison P. Davis analisa uma startup que acredita ser capaz de “erradicar a solidão” e Lauren Smiley investiga o que levou uma mãe a praticar cyberbullying implacável contra sua própria filha adolescente.
Com informações do New York Magazine
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