Rio: ONG critica retirada de fotos de crianças vítimas de violência
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Por CGN
Cartazes com nomes de policiais mortos em confrontos, que também estavam afixadas nas grades, foram mantidas. Na manhã do domingo (29), a organização denunciou a retirada dos retratos e de uma faixa de 10 metros de comprimento com a inscrição Rio (2020-2024): 49 crianças mortas por bala perdida, ainda sem saber a autoria da retirada.
O fundador da Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, chegou a dizer que pediria à prefeitura acesso às imagens de câmeras de monitoramento, para identificar o autor da remoção. No entanto, ao voltar para o local e depositar flores, ele contou que ficou sabendo pela imprensa que a retirada havia sido feita pela própria prefeitura.
Costa explicou que o memorial estava na Lagoa Rodrigo de Freitas desde 2015, mas em vez de retratos, estavam nomes de crianças mortas. No sábado (28), a identificação foi trocada pelas imagens.
“Estamos aqui há nove anos, mantendo essa instalação sem causar nenhum transtorno à ordem pública, lutando pelo direito mais elementar que existe que é o direito à vida”, disse.
“Porque somente quando tiramos os nomes das crianças e botamos as suas fotos, essa decisão [remoção] foi tomada, por qual motivo mantiveram os nomes dos policiais mortos nessa justa homenagem aos policiais que tombaram?”, questionou.
Por meio de nota divulgada no fim de semana, a prefeitura do Rio informou que reconhece a importância e a necessidade da homenagem às crianças vítimas da violência, mas retirou o material por não ter sido consultada pelos organizadores para autorizar a montagem da exposição em um local público.
A prefeitura acrescenta que “avalia a pertinência de manter a homenagem aos policiais militares assassinados, que também é justa e necessária, no mesmo local”.
“O município tem total interesse em combater a violência, prestar justas homenagens às suas vítimas e está aberto para debater qualquer tipo de iniciativa, desde que seja previamente consultado”, finaliza.
Areia de Copacabana
Além das manifestações relacionadas às mortes de policiais e crianças na Lagoa Rodrigo de Freitas, a Rio de Paz é notória por realizar atos de protestos silenciosos nas areias da praia de Copacabana, geralmente com placas, cartazes e cruzes. De acordo com a organização, os atos provisórios na orla são feitos sem solicitação prévia de autorização.
Apenas uma manifestação teve resistência da prefeitura, quando guardas municipais removeram réplicas que simbolizavam barracos, em 2016. O protesto questionava o legado da Olimpíada, realizada na cidade naquele ano.
A própria homenagem às crianças mortas por bala perdida foi realizada em Copacabana, antes de ser levado para a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Em 2020, uma manifestação contra a postura do governo federal no enfrentamento à pandemia de covid-19 ficou marcado pela reação de um homem contrário ao protesto, que arrancou cruzes que simbolizavam vítimas da pandemia.
Fonte: Agência Brasil