
Candidata do PT propõe tarifa zero e mais vagas para CMEIs em Cascavel
Professora Liliam, do PT, foi eleita vereadora em Cascavel nas eleições de 2020, obtendo 2.855 votos. ...
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Por Fábio Wronski

Na véspera das eleições, a CGN conversou com a professora Lílian, candidata à Prefeitura de Cascavel pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A entrevista abordou diversas questões, desde a aceitação de sua campanha em uma cidade predominantemente de direita, até seus planos para a prefeitura, caso seja eleita.
Professora Liliam, do PT, foi eleita vereadora em Cascavel nas eleições de 2020, obtendo 2.855 votos. Com uma carreira de 12 anos na educação básica em São Paulo, atuou como professora de História. Na Unioeste, foi coordenadora do Curso de Licenciatura em Educação do Campo e participou da criação dos primeiros cursos superiores de educação do campo no Paraná, em colaboração com movimentos de Reforma Agrária.
A candidata discutiu a dificuldade de fazer campanha em Cascavel, uma cidade que se identifica com a direita, mas ressaltou que o PT tem uma base de apoio significativa na cidade, com cerca de 30% dos votos nas últimas eleições nacionais. Ela acredita que a melhoria das condições de vida das famílias trabalhadoras sob o governo Lula é um fator que pode influenciar a decisão dos eleitores.
“Eu acho que tem duas coisas, uma é que essa cidade é predominantemente de direita, mas o PT faz sistematicamente, sobretudo nas campanhas nacionais, 30 a 33% fizemos na última, o que não é pouco: Um em cada três cascavelenses, é de onde a gente parte e um ano e meio depois do governo Lula se instaurar e não ter nenhuma igreja fechada, não ter banheiro unissex e nada daquelas fake news. A gente tem um país pujante, crescendo com o dobro do PIB esperado, com diminuição do desemprego e com o retorno de todas as políticas sociais, aumento do salário mínimo, então a gente tem a sensação já, sobretudo nas famílias trabalhadoras, que a vida melhorou e a gente entende que é isso que faz diferença na vida das pessoas e não os rótulos, por isso a gente tá muito confiante e entendendo que nós estamos buscando o segundo turno.”
Quase R$ 1,5 milhão do fundão partidário
Lílian também falou sobre a distribuição de fundos partidários, defendendo a existência do fundo público, mas criticando o volume de recursos disponíveis. Recebendo quase R$ 1,5 milhão de recursos, a candidata argumentou que o financiamento de campanhas deve ser público para garantir a igualdade entre os candidatos, mas que a quantidade de dinheiro deve ser reduzida.
“Primeiro, eu sou a favor do fundo público e acho que é um exagero neste país, precisamos reduzir muito e reduzir o formato das campanhas, mas quando não existia fundo público, as pessoas que tinham apoio dos ricos, tinham mais condição de se eleger. Veja, eu sou de um partido que é um terço da representatividade da população e recebi muito recurso por conta de ser mulher, nosso partido destina, a forma como ele distribui os recursos é sempre priorizando as candidaturas femininas e acabamos recebendo mais do que a gente esperava. Mas o meu entendimento é, o financiamento tem que ser público pra ser igual pra todo mundo, os critérios têm que ser claros, o que me parece abusivo é o volume de recursos, mas quem define isso é o Congresso Nacional, particularmente a Câmara dos Deputados, que em sua maioria é de direita, então a gente defende sim o enxugamento do fundo público, mas na regra atual, o meu benefício foi por ser mulher do PT.”
Tarifa zero no transporte coletivo
A candidata também abordou algumas de suas propostas de campanha, como a implementação de tarifa zero no transporte coletivo. Ela argumentou que é possível implementar essa política com vontade política e um planejamento adequado, citando o exemplo de Cianorte, onde o transporte público é gratuito.
Por incrível que pareça, é possível ser implementada imediatamente com o prazo de implementação progressivo e acho que muito antes de 4 anos, com vontade política se implementa. De onde vem o dinheiro? Nós já aportamos à Prefeitura, ou seja, meu imposto, seu imposto e de todos que nos acompanham, já paga até 2 milhões por mês para subsidiar o transporte que existe hoje, que não tem boa qualidade, que não atende toda a cidade e que é um contrato que vem sendo aditivado. Já passou muito da hora de um novo edital. Acontece que o edital, os editais que têm sido abertos e nós tivemos a semana passada o quarto edital, que o Tribunal de Contas diz, não está valendo, faz outro. Na minha opinião, por conta do formato que nós aprovamos a lei da concessão de transporte, eu vou usar mais tempo nessa resposta para dizer o seguinte: como se paga o transporte hoje? A gente sabe, a falta de transparência da composição do custo da tarifa é um problema para a gente planejar, então o que eu fiz? Eu voto o orçamento todo ano e fui procurar informações sobre as 116 cidades do Brasil que já têm transporte com tarifa zero. No Paraná, algumas, mas o nosso exemplo é principalmente Cianorte. Se você for a Cianorte, você entra no ônibus, vai onde quer, desce do ônibus e não paga nada. Como que a Prefeitura construiu isso e os benefícios são imensos, desde economia, economia com pronto-socorro, porque diminui acidente de trânsito, diminui o fluxo de carros na cidade, diminui poluição, então só benefício, só ganha-ganha. E de onde vem o dinheiro? Hoje, o grande volume de financiamento é o pagamento da tarifa, mas, do ponto de vista empresarial, a contrapartida do passe pelos empresários é um fundo municipal que vem do estar das multas e do estacionamento urbano, que na minha opinião de forma muito eleitoreira foi suspenso, porque quem tem carro deve sim contribuir com o fundo do trânsito para favorecer quem não tem carro, né, poder andar de transporte público. E o terceiro espaço de financiamento é o Fundo Nacional de Mobilidade, que é um fundo para estimular o transporte como política pública. O que a gente tira? A gente tira um pagador, que é a parte do trabalhador. E todas as cidades que a gente vem estudando, acompanhando, visitei algumas, a parte empresarial diminui ano a ano, porque a gente vai fazer a concessão de uma empresa para rodar e a gente paga por quilômetro rodado. Hoje a gente paga por passageiro, parece lógico, mas não é. Quando a pandemia veio e diminuíram os passageiros, a prefeitura pôs mais dinheiro nosso, dos nossos impostos, para bancar a empresa. Então, não é por passageiro que se define o custo da tarifa, é por quilômetro rodado. Se a gente fizer esse ajuste, inclusive na lei que foi aprovada contra o meu voto, a gente já teria condições de fazer editais que beneficiem mais a população. Ou seja, Cascavel já tem as condições de implantar a tarifa zero.”
PAC e CMEIs
Outro aspecto abordado foi a questão do aumento do número de vagas para CMEIs. Lílian afirmou que, como vereadora, mediou a obtenção de R$ 52 milhões do PAC para Cascavel, e que a maior parte dos CMEIs aprovados e inaugurados pelo prefeito atual foram financiados com verbas federais.
“Fizemos muitíssimo, muitíssimo. A nossa mediação como vereadora garantiu que Cascavel recebesse R$ 52 milhões do PAC, que foi a cidade que mais recebeu no Paraná inteiro. No PAC, nesse volume de 52 do semestre passado, tem sobretudo equipamentos de saúde, mas a expressiva maioria dos CMEIs aprovados, inaugurados pelo prefeito atual, são verbas do governo federal. Desde o governo Dilma, e aí uma paradeira total no último governo, e no semestre passado só o governo federal já trouxe R$ 290 milhões em obras. Ou seja, nós mediamos muito recurso para Cascavel como vereadora e eu tenho muita tranquilidade de dizer que, felizmente, depois do retorno do governo do PT, muito dinheiro chegou a Cascavel. Agora, como prefeita, nós teremos uma condição privilegiada de buscar a necessidade de acabar com a fila do CEMEI. Na minha opinião, se já tivéssemos uma prefeita mulher, isso já teria sido prioridade, porque quem mais é impactado são as mulheres, especialmente as famílias lideradas por mulheres quando não têm vaga no CMEI.
Ao final da entrevista, a candidata convidou os eleitores indecisos a considerar seu nome na votação, prometendo um olhar feminino e uma revisão das prioridades na gestão da cidade.
Todos os candidatos que disputam o pleito foram convidados a participar da conversa com a CGN e o tempo estabelecido foi o mesmo para todos os participantes.
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