CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a Homem que espancou mulher trans é condenado a seis meses em regime aberto

Homem que espancou mulher trans é condenado a seis meses em regime aberto

Na decisão, tomada na terça-feira (16/4), os jurados rejeitaram a acusação por tentativa de homicídio, e o homem foi condenado a seis meses e cinco dias...

Publicado em

Por Jaqueline Alencar

Publicidade
Imagem referente a Homem que espancou mulher trans é condenado a seis meses em regime aberto

O Tribunal do Júri de Sobradinho condenou o segurança Geovane Oliveira da Silva por lesão corporal contra Juliana Paula, uma mulher trans surda e muda de 36 anos, em janeiro de 2022.

Na decisão, tomada na terça-feira (16/4), os jurados rejeitaram a acusação por tentativa de homicídio, e o homem foi condenado a seis meses e cinco dias em regime aberto.

Juliana foi espancada gravemente e teve o rosto desfigurado pelo autor, que só parou as agressões e fugiu do local após ser flagrado por moradores da região. 

“Ele esfregou o rosto dela no chão”, relataram pessoas próximas à vítima que preferiram não se identificar na época.

Segundo Paula Benett, ativista trans de Direitos Humanos, o Ministério Público, que representa os interesses da vítima, buscava uma condenação por tentativa de homicídio, diante da gravidade das agressões sofridas por Juliana.

No entanto, de acordo com a ata do julgamento, o júri optou por considerar o caso como lesão corporal, não reconhecendo a tentativa de homicídio.

Na época do crime, o acusado chegou a procurar uma delegacia dois dias após o ocorrido para confessar as agressões e alegou que teria sido vítima de furto, e por isso, espancou Juliana até quase a morte.

O homem não foi preso na época do crime devido a confissão “tardia”. A versão do acusado em relação ao furto não foi confirmada no julgamento. 

“A gente esperava que realmente fosse tentativa de homicídio e era o que o Ministério Público queria. Contudo, o julgamento foi apenas por lesão corporal, mesmo o Ministério Público tendo mostrado dados e provas, não foi essa a decisão. Esse foi um crime que comoveu o Brasil devido a gravidade, eu não sei como ela está viva, levou vários chutes na cabeça, ficou muito machucada e não tinha como se defender. Além dela ser uma mulher trans, que tem um corpo mais fraco, ela tem deficiência auditiva e não aprendeu libras, e isso aumenta a vulnerabilidade”, relata Paula.

O caso, que mobilizou a comunidade de Sobradinho e repercutiu em todo o país, chegou a uma conclusão que gerou controvérsia e indignação entre ativistas de direitos humanos.

“Toda comunidade de direitos humanos anseia por justiça, claro, com todo respeito à magistratura, mas esse é um resultado injusto porque ela literalmente está viva por um milagre e a gente questiona isso. O que que realmente é uma tentativa de homicídio se uma pessoa caída no chão leva um chute de um homem forte como esse homem na cabeça? Isso não é uma tentativa de homicídio?”, questiona Benett, que relatou ainda que só houve intervenção por conta de um morador que escutou o barulho dos chutes.

“Se não fosse o morador que viu, ele não pararia, ele fugiu do local. É como se a defesa dissesse que ele parou de bater nela por livre e espontânea vontade, mas não foi isso que aconteceu. Então por isso deveria caracterizar como tentativa de homicídio e não apenas uma lesão corporal simples”, pontua a ativista.

A defesa de Geovane alegou no julgamento que houve “a desistência voluntária do acusado em prosseguir na conduta homicida”. 

Os jurados entenderam que Geovane agrediu a vítima, mas não reconheceram a tentativa de homicídio, desclassificando, assim, a conduta criminal.

A defesa de Geovane Oliveira da Silva ainda não se pronunciou.

Fonte: Correio Braziliense

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

AVISO
agora
Plantão CGN