CGN
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!
Imagem referente a DF: alunos de periferia abrem caminhos na mais antiga escola de música
© Valter Campanato/Agência Brasil

DF: alunos de periferia abrem caminhos na mais antiga escola de música

Se a vida do estudante Mateus Guimarães, de 22 anos, pudesse ser transcrita em uma partitura, maestros visualizariam uma música em ritmo acelerado, mas em harmonia......

Publicado em

Por CGN

Publicidade
Imagem referente a DF: alunos de periferia abrem caminhos na mais antiga escola de música
© Valter Campanato/Agência Brasil

Se a vida do estudante Mateus Guimarães, de 22 anos, pudesse ser transcrita em uma partitura, maestros visualizariam uma música em ritmo acelerado, mas em harmonia com um desejo que não lhe sai da boca. Nem do coração. As notas musicais misturam-se com os barulhos do trabalho, que é o de limpador de estofados, na região de Samambaia (DF), a 30 quilômetros (km) de Brasília.

Está incluso na rotina o som dos passos para panfletar e convencer novos clientes. É o que lhe garante um salário mínimo, com direito a uma folga por semana. Na história da melodia dessa caminhada, o que mexe com ele de verdade é o som da viola de arco. Enquanto espera o barulho do ônibus para casa, lembra-se das obras de Johann Sebastian Bach.

Mateus é aluno, desde o ano passado, da Escola de Música de Brasília, a maior unidade de ensino pública do gênero no Brasil que, na última semana, completou 60 anos de história, com direito a evento em homenagem a alunos e antigos professores. A cada semestre, a escola recebe aproximadamente 300 alunos e forma, ao menos, outros 300, nos mais variados instrumentos.

No caso de Mateus, que também estuda sistemas de internet, ele se interessou por instrumentos musicais na igreja em que frequenta na periferia. “Lá aprendi com meu professor a flauta doce. Depois que entrei na escola de música, convenci outros amigos a também tentarem ingressar. O que eu aprendo eu divido com meus amigos. A música nunca deixa a gente sozinho.”

Não deixa mesmo. Junto com ele, na entrada do evento comemorativo dos 60 anos da escola, no Teatro Maestro Levino de Alcântara, estavam dois amigos de Samambaia e da instituição. O estudante Marcos Vinícius Xavier, de 18 anos, toca violão. Junto ao repertório que ele trouxe da vida de rock e MPB, passou a admirar as peças de Heitor Villa-Lobos. Com eles, a amiga Iandra Santos, de 19, que toca flauta, atualmente faz o curso técnico em farmácia. Os amigos lamentam que demoram mais de uma hora para chegar de ônibus à escola, que fica em um prédio na Asa Sul, no Plano Piloto de Brasília.  “Mas me faz muito bem estar aqui”, diz a estudante.

Mateus Guimarães, Marcos Vinícius Xavier e Iandra Santos, são amigos e alunos da  Escola de Música de Brasília – Valter Campanato/Agência Brasil

Periféricos

O caso dos três amigos da Samambaia não é raro na Escola de Música de Brasília. Segundo o diretor da escola, Davson de Souza, 80% dos alunos moram fora das áreas nobres e são de regiões administrativas do Distrito Federal, e até de outras cidades do Entorno, em Goiás. “Pelo menos 78% dos nossos alunos são também de escolas públicas. A maioria é de pessoas que não têm uma facilidade econômica. Eles valorizam a oportunidade que é estar fazendo música”, afirma.

O diretor da Escola de Música de Brasília, Davson de Souza, no evento em comemoração aos 60 anos da instituição – Daysi Amarilio/Divulgação

O diretor Davson de Souza, de 54 anos,  que é negro, explica que seguiu os passos do pai, o também flautista  Nivaldo de Souza. Foi aluno da escola desde os 12 anos de idade. “Uma das formas mais democráticas acabou sendo a música mesmo, desde sempre. E aí se estende não só aos negros, mas em todas as classes sociais. Isso foi uma preocupação desde o início da criação da escola, de quem criou a escola, que foi o maestro Livino de Alcântara”.  Ele diz que, no local, os filhos da periferia convivem com os filhos da classe média alta.

“A gente costuma emprestar o instrumento para aqueles alunos que não têm condição nenhuma de comprar”, afirma o professor. Na faixa etária de 8 a 14 anos, a seleção de alunos é por sorteio. Há categorias de adultos em que é necessário algum conhecimento prévio em música.

O então adolescente conseguiu a vaga, mas foi surpreendido. “Cheguei no horário que tinham marcado para mim. Entrei, sentei e fiquei esperando o restante do grupo chegar. Entrou uma pessoa que era o gerente do teatro. Passou por mim umas três vezes e perguntou se eu tinha ido arrumar o palco”. Mesmo assim, o diretor da escola de música entende que se trata de um campo em que as pessoas estão menos sujeitas a esse tipo de violência.

A deputada distrital Dayse Amarílio propôs o concerto comemorativo para garantir visibilidade às atividades na escola. “Vi o quanto a gente precisa dar mais atenção à questão física do espaço, que tem inclusive problemas de acessibilidade.” Há uma estimativa de que a reforma do prédio custaria R$ 13 milhões, que devem ser alocados pelo governo local.

Evento em comemoração aos 60 anos da Escola de Música de Brasília – Valter Campanato/Agência Brasil

Ela entende que é necessário mais atenção do poder público a esse equipamento da cultura, que pode ser, na opinião dela, utilizado pelos serviços de saúde, por exemplo. Para a parlamentar, o trabalho da escola de música consegue fazer essa inclusão social e também terapêutica. “Ajuda crianças e adolescentes que poderiam estar em outros locais ou até nas drogas”. A deputada quer propor que as atividades da escola de música sejam apresentadas nas periferias do DF para atrair novos alunos.

O professor Davson de Souza diz que a finalidade principal da escola é ser uma unidade de ensino profissionalizante, mas há, entre os efeitos, a recompensa de agir em prol da saúde mental.

A música ajudou a clarinetista Bianca Di Macena a enfrentar a depressão – Valter Campanato/Agência Brasil

Que o diga a clarinetista Bianca di Macena, de 25 anos, que foi diagnosticada com depressão. Ela começou na música em um projeto social de banda musical em uma escola pública do Guará (região a 15 km do centro de Brasília) e desenvolveu-se na música na escola. No caminho, foi a música que a ajudou contra a doença.

Fonte: Agência Brasil

Notícias Relacionadas:

Mergulho na essência do Nordeste,
Mergulho na essência do Nordeste, "Uma Jornada no Sertão" chega ao Guaíra
Com mais de 50 eventos, Programa Público do MUPA entra na segunda edição
Com mais de 50 eventos, Programa Público do MUPA entra na segunda edição
Miniauditório do Teatro Guaíra recebe duas peças gratuitas da Súbita Companhia em maio
Miniauditório do Teatro Guaíra recebe duas peças gratuitas da Súbita Companhia em maio
Musical
Musical "Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga para Crianças" chega ao Guairinha em maio
Arnaldo Antunes e Vitor Araújo tocam
Arnaldo Antunes e Vitor Araújo tocam "Lágrimas no Mar" no Guairão no dia 18 de maio
MON divulga programação especial da Semana Nacional de Museus 2024
MON divulga programação especial da Semana Nacional de Museus 2024
Paraná quer receber unidade da Escola de Balé da Ópera de Paris
Paraná quer receber unidade da Escola de Balé da Ópera de Paris
Paraná sela parceria para ter filial do Pompidou em Foz do Iguaçu
Paraná sela parceria para ter filial do Pompidou em Foz do Iguaçu
Caminhos da Reportagem conta histórias de pessoas presas injustamente
Caminhos da Reportagem conta histórias de pessoas presas injustamente
Lançamentos de livros, oficinas e exposições: veja a agenda de maio na Biblioteca Pública
Lançamentos de livros, oficinas e exposições: veja a agenda de maio na Biblioteca Pública
Festival de Audiovisualidades do MAC-PR prorroga inscrições e expande programação
Festival de Audiovisualidades do MAC-PR prorroga inscrições e expande programação
Barbatuques, Balé Teatro Guaíra, novos livros e exposição inédita no MAC marcam agenda cultural
Barbatuques, Balé Teatro Guaíra, novos livros e exposição inédita no MAC marcam agenda cultural
PMs do DF suspeitos de tortura em curso de formação são liberados
PMs do DF suspeitos de tortura em curso de formação são liberados
Multiartista curitibano Rimon Guimarães é o próximo a ocupar a Sala Aberta do MAC-PR
Multiartista curitibano Rimon Guimarães é o próximo a ocupar a Sala Aberta do MAC-PR
MON promove segundo ciclo de seminários com proposta de imersão no acervo
MON promove segundo ciclo de seminários com proposta de imersão no acervo
Com apoio do CJAP, jovens do Paraná são destaque em concurso de arte internacional
Com apoio do CJAP, jovens do Paraná são destaque em concurso de arte internacional
Teatro José Maria Santos recebe três peças neste final de semana
Teatro José Maria Santos recebe três peças neste final de semana
Literatura kitsch é assunto de reportagem especial do novo Cândido
Literatura kitsch é assunto de reportagem especial do novo Cândido
MON oferece oficinas e mediações para interessados
MON oferece oficinas e mediações para interessados "mergulharem" nas obras
"Conexões": Balé Teatro Guaíra reúne coreógrafo francês, valsa e dança contemporânea
Google News CGN Newsletter

Whatsapp CGN 3015-0366 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Veja Mais