Frustração com interesse estrangeiro em megaleilão leva dólar a R$ 4,08

No fim do pregão, o dólar terminou cotado em R$ 4,0826, uma alta de 2,22%. O câmbio não via uma variação positiva tão alta desde 27...

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Por Agência Estado

O aguardado fluxo de dólares com o leilão do excedente da cessão onerosa, que pressionou a divisa americana para baixo nos últimos 10 dias, não se concretizou no certame realizado nesta quarta-feira. Não só dois dos campos não despertaram interesse, como a Petrobras acabou abocanhando uma fatia muito maior do que o esperado, frustrando a expectativa de entrada da moeda americana no País por meio de investidores estrangeiros. A decepção custou mais de R$ 0,11 entre a mínima, logo após a abertura e no auge das expectativas, e a máxima do dia.

No fim do pregão, o dólar terminou cotado em R$ 4,0826, uma alta de 2,22%. O câmbio não via uma variação positiva tão alta desde 27 de março deste ano, um dia depois de a Câmara dos Deputados aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento impositivo.

O economista-chefe e sócio da Garde Asset, Daniel Weeks, explica que o mercado ainda interpreta o que está por trás do baixo interesse pelos campos de petróleo. “O resultado foi ruim. A dúvida que fica é se o leilão foi mal feito (mal precificado) ou se tem um significado que vai além disso e mostra um mau humor maior dos investidores estrangeiros com o Brasil”, aponta.

Na máxima do dia, o dólar tocou os R$ 4,0882, já no fim da tarde. Na mínima intraday – registrada logo após a abertura do mercado e ainda na expectativa com a venda dos campos de petróleo – o dólar tocou os R$ 3,9766.

A moeda virou, no fim da manhã, já após o resultado da primeira área, de Búzios. A Petrobras arrematou 90% do lote, junto às chinesas CNOOC e CNODC. O mercado esperava que a estatal pedisse algo próximo de 30% e que o restante do campo – o mais atrativo deles – ficasse nas mãos de estrangeiros. A estatal também foi a única a apresentar proposta pelo campo de Itapu.

Juntas, as três empresas pagaram 66% dos R$ 106 bilhões de bônus de assinatura cobrados dos vencedores – R$ 69,96 bilhões. Deve caber às chinesas cerca de US$ 1,7 bilhão, bem longe dos US$ 8,5 bilhões esperados de fluxo estrangeiro com o leilão para 2019, segundo projeção do Rabobank.

Nos últimos dias, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, vinha tentando calibrar as expectativas com o leilão. Ele já havia apontado que os dois campos que acabaram sem nenhum interessado – Atapu e Sépia – tinham mais risco e poderiam não ser atraentes. Os dois devem ser leiloados de novo em 2020. Após o certame, Oddone admitiu que a compensação que deveria ser dada à Petrobras (pelos benefícios que já realizou nos campos da cessão onerosa) pode ter afastado as petroleiras do leilão.

Tanto Oddone quanto o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, tentaram colocar panos quentes e diminuir a percepção de que o leilão não teve sucesso. Oddone afirmou que as áreas devem gerar royalties entre R$ 40 bilhões e R$ 80 bilhões. O governo também afirmou que, com os recursos, a União poderá descontingenciar recursos que estão hoje bloqueados no Orçamento.

Com a frustração, a notícia da aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, da proposta que permite a inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência, chamada de PEC paralela, não conseguiu animar os investidores. O texto deve ser votado em primeiro turno ainda nesta quarta no plenário.

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